O animal que possui dentes dentro da garganta e consegue triturar alimentos depois que eles já passaram pela boca
Entre os peixes marinhos, as moreias possuem uma das adaptações alimentares mais incomuns já descritas. Elas têm um segundo conjunto de mandíbulas dentro da garganta, chamado mandíbula faríngea, capaz de avançar para dentro da boca, agarrar a presa e puxá-la em direção ao esôfago.
Por que as moreias têm uma segunda mandíbula?
As moreias pertencem a um grupo de peixes que inclui mais de 200 espécies e geralmente vivem em cavidades, fendas de rochas e estruturas de recifes. Seus corpos alongados e o ambiente estreito onde caçam tornam menos eficiente o mecanismo de sucção utilizado por muitos outros peixes para transportar alimento até a garganta.
A solução evolutiva foi uma mandíbula adicional posicionada atrás do crânio. Enquanto as mandíbulas externas capturam a presa, as mandíbulas faríngeas podem avançar, prender o alimento com dentes curvos e depois recuar, transportando-o até o esôfago.
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Como funciona a mandíbula faríngea das moreias?
O mecanismo começa quando a moreia prende a presa com as mandíbulas externas. Em seguida, os músculos associados aos arcos branquiais movimentam a mandíbula faríngea para a frente, fazendo com que esse segundo conjunto de dentes alcance a região da boca e agarre o alimento.
Depois que a mandíbula interna segura a presa, ela se retrai enquanto a moreia movimenta a cabeça e libera parcialmente a mordida externa. O alimento é então puxado para a garganta e encaminhado ao esôfago. O processo ocorre em frações de segundo.
- A mandíbula externa captura a presa.
- A mandíbula faríngea avança pela garganta.
- Os dentes internos agarram o alimento.
- A mandíbula faríngea recua.
- A presa é transportada até o esôfago.
O vídeo abaixo, produzido pelo TED-Ed, mostra por meio de animação como essa segunda mandíbula funciona durante a alimentação.
A mandíbula faríngea realmente tritura o alimento?
A descrição de que as moreias possuem dentes na garganta é correta, mas a ideia de que elas necessariamente trituram o alimento depois que ele passa pela boca precisa de uma ressalva. Em outros peixes, mandíbulas faríngeas podem participar de processos como esmagar, triturar e manipular alimentos. Nas moreias, entretanto, a principal função documentada desse mecanismo é agarrar e transportar a presa da boca para o esôfago.
Os dentes dessas mandíbulas são grandes, curvos e adequados para prender presas. Estudos com filmagens de alta velocidade e videofluoroscopia mostraram que a estrutura funciona como um mecanismo de captura e transporte, e não simplesmente como uma segunda fileira de dentes destinada a mastigar.
Por que as moreias não dependem da sucção?
Grande parte dos peixes ósseos utiliza a expansão rápida da boca e da cavidade bucal para criar um fluxo de água que arrasta a presa para dentro. As moreias apresentam capacidade reduzida de realizar esse tipo de alimentação por sucção, o que representa um desafio para um animal que frequentemente captura presas relativamente grandes.
O ambiente em que vivem ajuda a explicar essa especialização. Escondidas em buracos, fendas e cavidades, as moreias precisam capturar animais como peixes, lulas, polvos e crustáceos sem necessariamente expandir amplamente a cabeça. A mandíbula faríngea oferece uma alternativa mecânica para conduzir a presa para dentro do corpo.

Até onde a segunda mandíbula consegue avançar?
A capacidade de movimento é justamente uma das características mais extraordinárias desse sistema. Em experimentos com Muraena retifera, os pesquisadores observaram que as mandíbulas faríngeas avançaram para a cavidade oral em 88% das sequências de transporte analisadas. Em um exemplar estudado, o deslocamento chegou a aproximadamente 3,5 centímetros.
A estrutura também se diferencia da maioria das mandíbulas faríngeas encontradas em outros peixes. Em vez de permanecer relativamente fixa na garganta para processar o alimento, ela é extremamente móvel e consegue alcançar a região anterior da boca. Essa característica permite que a moreia capture a presa com um conjunto de mandíbulas e a transporte com outro.
| Característica | Função ou registro |
|---|---|
| Mandíbulas externas | Capturam a presa |
| Mandíbulas faríngeas | Agarram e transportam o alimento |
| Deslocamento observado | Cerca de 3,5 cm em um exemplar estudado |
| Sequências com avanço | 88% dos casos analisados |
O que essa segunda mandíbula revela sobre as moreias?
A mandíbula faríngea mostra como uma modificação anatômica pode solucionar um problema fundamental de alimentação. A pesquisa publicada na Nature em 2007 descreveu esse mecanismo como uma forma inédita de um vertebrado utilizar um segundo conjunto de mandíbulas para restringir e transportar uma presa.
Pesquisas posteriores também revelaram que a anatomia desse sistema é mais complexa do que se imaginava inicialmente. Estudos do Smithsonian identificaram diferenças nos músculos e nos mecanismos de extensão e retração entre grupos de moreias, mostrando que ainda existem detalhes dessa extraordinária adaptação que continuam sendo investigados.
