‘Apesar da tempestade, vou até o fim com isso’, disse Vorcaro sobre filme de Bolsonaro

‘Apesar da tempestade, vou até o fim com isso’, disse Vorcaro sobre filme de Bolsonaro


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Faltavam cerca de três semanas para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ser preso pela primeira vez no escândalo do caso Master quando ele garantiu a um aliado que manteria os repasses para o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro e se transformou em uma tormenta judicial para o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Ao publicitário Thiago Miranda, aliado do ex-dono do Master, que cobrava o pagamento periódico para a obra audiovisual, Vorcaro resumiu: “Liberei mais uma [parcela] hoje. (…) Pede desculpa os atrasos meu esforço tem sido maximo possível e prioridade total. Apesar de qq tempestade vou até o fim com isso”. A tempestade a que se referia era o risco concreto de sua instituição financeira ser liquidada pelo Banco Central, o que de fato ocorreu depois de uma tentativa frustrada – e fraudulenta – de ser comprada pelo BRB, o Banco de Brasília. De acordo com as investigações, diretores do Master e do BRB ajustaram a transferência de cerca de 12 bilhões de reais do Banco de Brasília “sem documentação e em violação às normas regulatórias para evitar a quebra do banco privado”.

O diálogo com Miranda, datado de 22 de outubro de 2025, integra as investigações sobre o filme Dark Horse que foram tornadas públicas por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O interlocutor de Vorcaro retrucou: “Vou avisalos (sic). Flávio disse que iria te ligar tb”.

Aparentemente, a questão não se encerrou ali. Oito dias depois, em 30 de outubro de 2025, Miranda relatou a Vorcaro ter recebido a seguinte mensagem de Flávio Bolsonaro: “Vc não pode dar um toque no investidor pra saber o que houve que veio o contrato, mas não veio o depósito? As vezes ele nem sabe.”

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Vorcaro estranhou a manifestação de que a transferência não havia sido concluída. “Que loucura”, escreveu. No dia seguinte, 31 de outubro, Miranda encaminhou mais mensagens de Flávio Bolsonaro. “Ele conseguiu ver o que houve? Preciso da sua ajuda. Chegou os documentos mas não o recurso.” Finalmente, Vorcaro esclarece que a transferência havia “voltado” e, poucos dias depois, seria efetuada “de novo”.

Nesta sexta-feira, 11, o relator do caso Master na Corte retirou o sigilo de todos os processos relativos à maior fraude bancária da história do país, inclusive aqueles que se debruçam sobre a extensão da teia do ex-dono do banco Daniel Vorcaro sobre autoridades dos Três Poderes da República.



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