Mário Frias deve explicações – Revista Fórum

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Após o afastamento determinado pelo ministro “terrivelmente bolsonarista e evangélico”, André Mendonça, o diretor-geral da PF voltou às suas funções por determinação de outro ministro, Flávio Dino.

Ao contrário do que pretendia o ministro Mendonça, as investigações não foram paralisadas. Rápida na ação, a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, autorizada pelo ministro Flávio Dino, que investiga suspeitas de desvios de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares, entre elas empresas relacionadas à produção do filme Dark Horse.

A Operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. Entre os investigados, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a produtora do filme-exaltação – caso único de pior filme brasileiro inédito – Karina Gama. Seu passaporte foi apreendido.

A investigação da PF verifica possíveis desvios de emendas parlamentares e afirma que empresas teriam sido contratadas sem comprovação dos serviços prestados. O inquérito aponta a existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, responsáveis pelos crimes de desvio de emendas, peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Em 2024, o deputado Mário Frias destinou ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) duas emendas individuais, que totalizaram R$ 2 milhões.

Ocorre que a presidente da entidade é Karina Gama, que também é sócia da Go Up Entertainment, produtora da “obra-prima” Dark Horse, que tem Mário Frias como roteirista e produtor-executivo.

Além disso, ao cumprir mandados de busca e apreensão em endereços do deputado federal, a PF encontrou sete armas, entre pistolas e armamento de grosso calibre.

Segundo ainda a investigação, o deputado teria realizado pagamentos à Go Up Entertainment no valor R$ 645,4 mil em menos de dois meses. É necessária uma análise das despesas realizadas pelo gabinete do deputado usando os recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar.

É preciso que sejam analisados os comprovantes dos reembolsos, a efetiva prestação dos serviços, a compatibilidade dos valores cobrados com os preços de mercado e os vínculos societários ou familiares entre os fornecedores, as entidades beneficiadas pelas emendas e a Go Up Entertainment.

Outro ponto nebuloso: dois secretários parlamentares do deputado – André Velloso Belleza Cortes e Luiz Claudio Faria Velloso – estão entre as pessoas alcançadas pela operação. Eles mantiveram elos de administração, gerência ou prestação de serviços remunerados com as entidades ou empresas investigadas enquanto exerciam funções na Câmara?

Diante desses fatos graves, protocolei na Corregedoria da Câmara Federal pedido de abertura de uma sindicância contra o deputado Mario Frias. É importante que se requisite documentos e informações aos setores técnicos da Câmara e que seja solicitado ao STF o compartilhamento de provas relacionadas às emendas, à cota parlamentar e aos servidores envolvidos.

Que se apure tudo!

*Chico Alencar é escritor, professor de História e deputado federal eleito pelo PSOL-RJ

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum.


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