Inflação dos EUA fica em 3,4% antes de decisão do Fed – 11/09/2026 – Economia

Inflação dos EUA fica em 3,4% antes de decisão do Fed – 11/09/2026 – Economia


A inflação nos Estados Unidos ficou em 3,4% em agosto, com os preços elevados dos combustíveis continuando a repercutir na economia e levando operadores a aumentar as apostas em uma alta de juros pelo Fed (Federal Reserve) na próxima semana.

O índice anual de preços ao consumidor divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Bureau of Labor Statistics (Departamento de Estatísticas do Trabalho em tradução livre) ficou no mesmo nível de julho e veio em linha com as expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg.

A inflação subjacente, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, ficou em 2,4%, uma leve queda em relação aos 2,5% registrados em julho.

O relatório de sexta-feira (11) foi divulgado em meio a uma nova alta dos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. O petróleo Brent superou US$ 100 (R$ 508) por barril nesta semana pela primeira vez desde julho, provocando uma onda de vendas no mercado global de títulos que levou os custos de financiamento de longo prazo dos EUA ao maior nível em anos.

Os preços elevados dos combustíveis continuaram sendo o principal fator de pressão sobre a inflação em agosto, com a gasolina respondendo por um terço da alta mensal de 0,4%.

“Vamos ter uma alta agora”, disse Kurt Lewis, do banco de investimento Piper Sandler. “Era um caso em que todo mundo dizia: é preciso acontecer mais uma coisa ruim e então estaremos prontos para isso. E acho que isso é suficiente.”

O relatório foi divulgado antes da aguardada reunião do comitê de política monetária do Fed na próxima terça (15) e quarta-feira (16), quando a autoridade decidirá se elevará os juros.

Três dos 12 membros com direito a voto no Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) romperam com a maioria e votaram por uma alta de 0,25 ponto percentual na última reunião do Banco Central, em julho. Na ocasião, os dirigentes optaram por manter os custos de financiamento na faixa de 3,5% a 3,75%.

Após os dados divulgados nesta sexta-feira (11), operadores ampliaram as apostas de que o Fed terá de elevar os juros. A probabilidade de uma alta em setembro passou de cerca de 70% antes da divulgação dos dados para mais de 80% depois do anúncio.

O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 2 anos, que é bastante sensível às expectativas para os juros, subiu 0,07 ponto percentual, para 4,62%. O rendimento dos títulos de 10 anos ficou estável em 4,94%, pouco abaixo do maior nível em três anos registrado recentemente.

As apostas do mercado em uma alta de juros já haviam aumentado significativamente depois de um discurso considerado duro do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole. Ele indicou que, caso não houvesse progresso rápido no controle dos preços, o BC americano ainda teria “trabalho a fazer”.

O índice de inflação de gastos de consumo pessoal (PCE), medida mais utilizada pelo Banco Central dos EUA, ficou em 3,7% em julho, último mês para o qual há dados disponíveis, e permanece acima da meta de 2% há mais de cinco anos.

Tom Simons, economista da Jefferies, afirmou que o relatório mostrou que os consumidores estão gastando mais com viagens, o que, segundo ele, representa “um argumento de que pode ser hora de o Fed elevar os juros”.

Ele ponderou, porém, que “apesar de toda a discussão sobre os preços elevados dos combustíveis, isso ainda não se traduziu em preços de alimentos”.



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