Primeira demissão na crise migratória de Ceuta – Observador

Primeira demissão na crise migratória de Ceuta – Observador



Gonzalo Sanz, o chefe de gabinete do delegado do Governo de Ceuta, despediu-se esta sexta-feira, naquela que é a primeira demissão de um cargo público na sequência da crise migratória no enclave espanhol. A decisão surgiu na sequência de um pedido efetuado pelo superior de Sanz, o delegado Miguel Ángel Pérez Triano, na quinta-feira, após a divulgação dos documentos confidenciais pelo Governo de Pedro Sánchez. Nas informações tornadas públicas, os serviços secretos espanhóis dão conta de que partilharam com Sanz a convocatória que circulava online, apelando à entrada de migrantes na cidade. Contudo, Pérez Triano diz não ter sido informado pelo seu chefe de gabinete.

Secretas espanholas avisaram autoridades de Espanha e Marrocos de “tentativas de entradas a nado” em Ceuta um dia antes

Gonzalo Sanz afirma que avisou o delegado do Governo da iniciativa difundida nas redes sociais que conduziu à entrada de dezenas de milhares de migrantes em Ceuta, no passado dia 30 de julho. O chefe do gabinete de Pérez Triano justifica a demissão, num comunicado citado pelo El País, e destaca “a evidente incompatibilidade” entre a sua afirmação e “as várias declarações do delegado em diferentes meios, nos quais afirma não ter recebido qualquer informação” a esse respeito.

Pérez Triano manteve que os dados comunicados pelo CNI (Centro Nacional de Inteligencia) a Gonzalo Sanz nunca lhe foram transmitidos. “Quando o CNI tem um alerta, faz-se um relatório que é entregue num envelope fechado e endereçado aos organismos competentes”, afirmou o responsável político.

Citado pelo El País, o delegado responsabiliza também os serviços secretos de Espanha, que alegadamente enviaram a informação a Sanz através de mensagens na rede social WhatsApp, o que não constitui “um relatório, mas uma mera troca de informação”. “Quando se trata de uma coisa grave, o destinatário não deve ser [ocupante de um cargo menor]”, continuou.

Entre os documentos confidenciais divulgados pelo Governo de Pedro Sánchez na quarta-feira, estão capturas de ecrã da conversa de WhatsApp entre um agente do CNI e Gonzalo Sanz, nas quais a hipótese da invasão de Ceuta por cidadãos marroquinos e norte-africanos é explicitamente discutida. À troca de mensagens de 29 de julho (na véspera da entrada massiva de migrantes na cidade) somou-se ainda uma chamada entre os dois interlocutores, que o delegado do Governo admitiu desconhecer.

Mais de 70.000 pessoas entraram ilegalmente em Ceuta entre 30 e 31 de julho, naquilo que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, qualificou como uma “violação da integridade territorial de Espanha” e pela qual responsabilizou as máfias de tráfico de seres humanos que deturparam uma sentença recente sobre devoluções de migrantes que chegam a Espanha a nado.

Mais de 90% das pessoas que entraram ilegalmente no enclave espanhol no norte de África, que tem fronteira com Marrocos, saíram de Ceuta nas horas e nos dias imediatos, mas pelo menos 5.000 permanecem na cidade, incluindo milhares que permanecem nas ruas.





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