Produtora de ‘Dark Horse’ relata pressão para delatar

Produtora de ‘Dark Horse’ relata pressão para delatar


A Polícia Federal apreendeu um documento de quatro páginas em que empresária Karina Gama, responsável pela produção do filme Dark Horse, relata a pressão que estaria recebendo para delatar o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, publicou a revista Veja.

Ela foi alvo da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira, 10, por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.

O documento é uma declaração juramentada em que Karina conta ter sofrido abordagens do empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, de um pastor evangélico e de um jornalista.

Natural do Maranhão, o empresário teria se apresentado como alguém que possui “grande proximidade com o ministro Flávio Dino”, relator de um dos inquéritos envolvendo a produção de Dark Horse.

“No dia 20 de maio de 2026, fui procurada pelo Dr. Fernando Sarney. Não o atendi naquela oportunidade, tendo o contato efetivamente ocorrido apenas no dia 22 de maio de 2026, às 9h07. Durante a conversa, o Dr. Fernando Sarney ofereceu-me apoio jurídico e afirmou possuir grande proximidade com o Ministro Flávio Dino. Na mesma ocasião, declarou que poderia me apoiar caso eu tivesse interesse em realizar uma ‘delação premiada’”, diz o documento.

“Diante da abordagem, não manifestei interesse em realizar colaboração premiada, pois não identificava — e continuo não identificando — qualquer razão para adotar tal medida. Minha posição sempre foi a de esclarecer os fatos mediante a apresentação dos documentos pertinentes e o regular exercício do direito de defesa”, segue.

Pastor

O pastor citado por Karina também teria dito “possuir proximidade com pessoas integrantes do Governo Federal e com ministros do Supremo Tribunal Federal”.

“Relatou-me que teria conversado com pessoas ligadas a essas autoridades e que lhe teriam solicitado que entrasse em contato comigo para transmitir a possibilidade de realização de uma ‘delação premiada’, apresentada, segundo suas palavras, como uma forma de me retirar do risco de uma possível ‘complicação’. Segundo o interlocutor, se eu fizesse uma ‘delação premiada’, nada ocorreria comigo e eu não seria alvo de nenhuma operação policial”, continua Karina.

Jornalista

A dona da Go Up Entertainment também relata uma conversa que teve com um jornalista que “já havia anteriormente formulado questionamentos relacionados à possibilidade de eu realizar uma delação premiada, no sentido de me incentivar a realizar tal procedimento”.

“Nesse novo contato, afirmou que eu estaria ‘servindo de bucha de canhão para o candidato’, em aparente referência ao contexto político relacionado aos fatos atualmente investigados, dando a entender que, se eu não fizesse nenhuma colaboração premiada, eu poderia ser alvo de medidas judiciais”, diz Karina.

“Segundo o contexto que me foi apresentado por tais interlocutores, se eu não fizesse uma delação premiada, assumindo que alguma irregularidade teria ocorrido na produção do filme, o que seria equivalente a dizer mentiras, eu poderia ser alvo de operações policiais contra a minha pessoa. Como não cometi nenhuma irregularidade e como não fiz nenhuma delação premiada, tenho receio de que alguma operação policial possa ser realizada contra a minha pessoa por retaliação política e não porque cometi algum ilícito. E estou registrando aqui aquilo que efetivamente me foi comunicado por terceiros, justamente para preservar contemporaneamente os fatos e permitir sua posterior verificação pelas autoridades competentes, caso necessário”, conclui.

Não tem o que delatar

Na véspera da operação, Karina Gama telefonou para uma colunista da Folha de S.Paulo, afirmando que se sentia ameaçada e não tinha o que delatar.

“Estou apavorada”, disse.

“Quando a PF me pediu documentos, eu forneci imediatamente”, acrescentou, alegando não entender a razão de estar sendo ameaçada.

Leia também: Conheça a empresária alvo da PF ligada ao filme sobre Bolsonaro





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