11 de setembro: Entre o La Moneda e o World Trade Center – 09/09/2026 – Daniel de Mesquita Benevides

11 de setembro: Entre o La Moneda e o World Trade Center – 09/09/2026 – Daniel de Mesquita Benevides


Existe o bombeirinho, nostálgico atiçador de fogo na adolescência. E existe o “fireman’s sour”, homenagem direta aos bombeiros.

O coquetel criado para os homens e mulheres de vermelho pode ser uma pedida nesse 11 de setembro, data em que o fogo, real e metafórico, atingiu dois países de forma bombástica, provocando grandes cicatrizes no tecido histórico.

Em 1973, na capital chilena, o governo socialista de Salvador Allende foi derrubado depois que a força aérea bombardeou o palácio de La Moneda. Allende teria cometido suicídio no local, assim como Augusto Olivares, diretor da Televisión Nacional. Poucas baixas para um evento de tal magnitude. Durante a subsequente ditadura de Pinochet, no entanto, as baixas seriam incontáveis.

Findo o bombardeio, os bombeiros foram ao palácio presidencial. Além da destruição, viram cerca de 50 seguidores de Allende deitados com a cara no chão, prisioneiros do Exército —em dois dias, 23 deles estariam na mesma posição, fuzilados.

Alejandro Artigas foi o primeiro a entrar. Chegou ao salão principal em meio às labaredas e viu o corpo do presidente. Um militar apareceu e quis registrar a cena. Pediu que o bombeiro iluminasse o ambiente, escuro para a foto. O retrato do rosto desfigurado de Allende foi a imagem crua do fim da democracia no Chile.

A CIA financiou o movimento que resultou no golpe, inclusive um grupo terrorista de direita —o Patria y Libertad. Amarga ironia, os EUA sofreram anos depois, no mesmo dia, o ataque terrorista às Torres Gêmeas em Manhattan, capital simbólica do chamado mundo ocidental. Dessa vez, os bombeiros tiveram um papel bem mais marcante —centenas morreram durante as tentativas de resgate e depois, de doenças relacionadas à poeira espessa que respiraram. Salvaram muitas vidas.

Isso de resgatar pessoas no meio da fumaça e das chamas é relativamente recente —data do começo do século 19. Antes se pensava mais em preservar o patrimônio, além de impedir que o fogo se alastrasse pela cidade. O serviço costumava ser feito por seguradoras, pois saía mais barato apagar o fogo do que pagar pelo prédio destruído. Havia também brigadas de voluntários, por vezes, rivais. O filme “Gangues de Nova York” (2002) mostra uma briga meio cômica de bombeiros para ver quem apagaria um incêndio.

A evolução tecnológica teve papel importante. A bomba manual de água se mostrou mais eficiente do que passar baldes de mão em mão. O telefone substituiu como alarme o sino. E escadas como a Magirus permitiram que se alcançasse andares mais altos.

O fireman’s sour surgiu em 1917, no livro “Recipes for Mixed Drinks”, de Hugo Ensslin, bartender que enfrentou o fogo dos alemães na Grande Guerra. Tempo em que os bombeiros se vestiam de soldados para provocar incêndios e as mulheres apagavam esses mesmos incêndios. Outra ironia amarga.

Fireman’s sour

  • 60 ml de rum
  • 22,5 ml de suco de limão-siciliano
  • 15 ml de grenadine
  • Uma clara de ovo

Bata os ingredientes sem gelo e depois repita a operação com gelo. Coe para um copo old fashioned com gelo


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