Lula silencia sobre afastamento de Andrei Rodrigues determinado por Mendonça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou comentar sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, durante um evento realizado na tarde desta terça-feira (8) no Palácio do Planalto. Mais cedo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afastou Andrei e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
A decisão marcou mais um desdobramento do embate entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes, que teve início na semana passada e mergulhou a Corte em uma crise sem precedentes.
Na decisão, Mendonça citou os “relatórios de inteligência” elaborados pela PF e utilizados por Moraes para solicitar uma investigação contra ele. A expectativa é que a Advocacia-Geral da União (AGU), comandada pelo ministro Jorge Messias, citado nos relatórios, recorra contra a ordem do ministro.
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Durante o evento, Lula assinou decretos que criam quatro reservas no Amazonas e ampliam o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí, para marcar o Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro.
Apesar de silenciar sobre a crise envolvendo o chefe da PF, o presidente criticou a política ambiental do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Lula destacou feitos de sua gestão e afirmou que basta um “salafrário qualquer” assumir o governo para acabar com medidas de proteção ao meio-ambiente.
“Queria que vocês que estão felizes com tudo o que aconteceu aqui hoje lembrassem que há menos de quatro anos a gente estava chorando, porque o discurso era: ‘vamos quebrar a cerca para passar o gado’. A gente não pode esquecer”, disse o presidente.
“Para construir as políticas que estamos anunciando levou anos e muitas brigas. Agora, para destruir isso não precisa ter nenhuma reunião, é só um salafrário qualquer, que não gosta da questão ambiental, assumir o governo”, acrescentou.
O chefe do Executivo também destacou a preparação do governo para enfrentar o El Niño. “Nunca antes na história do Brasil, um governo se preparou tanto para enfrentar o El Niño como nós nos preparamos. Não sei se a gente vai dar conta, porque não sabemos o tamanho dele, mas o dado concreto é que nunca trabalhamos com tanta rapidez e precisão para comprar e contratar o que falta”, afirmou.
Além de Lula, os presidentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também evitaram se manifestar publicamente sobre a decisão de Mendonça. Os dois participaram de um evento na Câmara, mas não responderam aos jornalistas antes ou depois da cerimônia.
