Rock in Rio Academy, a imersão que leva executivos a bastidores do festival

Considerado um dos principais festivais de música do mundo, o Rock in Rio se tornou uma marca consolidada junto ao público, levantando interesse por parte da indústria em entender o funcionamento do processo. Foi pensando nessa demanda que Agatha Arêas idealizou, em 2015, o Rock in Rio Academy, uma experiência de imersão que explica as engrenagens do festival para executivos. O “intensivão” tem ocorrido desde então, com a edição de 2026 prevista para ocorrer na quarta-feira, 9. Para entender melhor a iniciativa, a coluna GENTE conversou com Agatha Arêas a respeito do tema.
Como surgiu a ideia de transformar os bastidores do Rock in Rio em uma experiência de aprendizado para executivos? O que o festival percebeu que poderia ensinar a profissionais de outros setores? Era o ano de 2015 e eu ainda atuava como Diretora de Marketing do festival. O Rock in Rio estava completando 30 anos e o mercado demonstrava-se super interessado e curioso em entender como uma marca brasileira criada antes sequer da internet havia conseguido se manter relevante, ganhar o mundo, com operações em Portugal, na Espanha e nos EUA, por três décadas em que tudo havia mudado tanto: a forma como comunicamos, como consumimos, como nos relacionamos e, consequentemente, como fazemos negócios. Então pensei em condensarmos todo esse conhecimento em 1 dia de imersão executiva, transformando a Cidade do Rock numa sala de aula, em que os executivos das várias áreas da marca partilham suas melhores práticas, seus desafios e aprendizados, as equipes técnicas mostram os bastidores da operação e, de quebra, os “alunos”, como chamamos carinhosamente os participantes, ainda podem andar nos brinquedos e explorar cada cantinho do parque. Uma verdadeira experiência de edutainment, o conceito que leva para a jornada de aprendizagem características do entretenimento, como emoção, interatividade, sensações e inclusive a diversão. Tudo para que vínculos emocionais sejam criados e o aprendizado se torne algo prazeroso e memorável. Para construirmos a metodologia desse live case study (estudo de caso em tempo real) convidamos a HSM, a grande referência de formação executiva do país, com quem desde então realizamos 07 edições do formato no Brasil (além das realizadas em Portugal). E um dos aspectos mais interessantes do Rock in Rio Academy é que o seu conteúdo é valiosíssimo para profissionais de qualquer segmento de mercado. Isso porque, desde a sua concepção, a principal motivação sempre foi abrir espaço para analisar e debater o negócio, a marca que, no caso do Rock in Rio, exprime-se a partir de um megaevento. Mas que, antes de tudo, é um business complexo, que exige excelência não só na entrega da experiência final nos dias de festival, mas também na gestão de marketing, financeira, de parcerias, jurídica, de pessoas, artística e todas as áreas de uma engrenagem gigantesca de uma sofisticada operação.
O Academy promete mostrar decisões reais tomadas em situações de alta pressão. Que episódios ou desafios vividos pelo Rock in Rio serão apresentados aos participantes nesta edição? Nessa edição, o tema “Orquestrando sistemas vivos sob pressão” será o fio condutor de toda a programação, que organizamos em três pilares: Governança de Alto Impacto; Autoridade e Relevância Duradouras; e Inovação Sob Pressão. O objetivo é mostrarmos como a colaboração vem sendo para o Rock in Rio, assim como acreditamos ser o caminho para qualquer organização, a grande chave de gestão de pessoas e operações em todos os momentos da aventura de uma empresa e sua equipe: da calmaria às tempestades, que sempre habitam qualquer negócio. E vamos fazer isso a partir de situações muito concretas. Uma delas é a própria transição de comando da Rock World, que está acontecendo em plena operação do Rock in Rio, depois de 15 anos de uma mesma liderança executiva. Vamos falar sobre o que significa conduzir uma sucessão desse porte sem interromper o ritmo do negócio e preservando cultura, confiança e capacidade de decisão. Também vamos entrar nos desafios de comandar uma operação gigantesca sob pressão, de manter milhares de pessoas alinhadas sem que todas as decisões dependam de uma única liderança, e de fazer diferentes gerações trabalharem juntas dentro de um sistema tão complexo. Outro ponto importante será olhar para a relação com parceiros e patrocinadores, porque um festival dessa dimensão também depende de muita colaboração entre empresas diferentes, com culturas, interesses e responsabilidades próprias. Vamos discutir desde decisões ligadas à inovação e sustentabilidade até a construção de vínculos de longo prazo com marcas. E, naturalmente, vamos falar de legado. O Rock in Rio já atravessa gerações e, em determinados momentos, algumas decisões deixam de ser apenas operacionais e passam a definir o que a marca será no futuro. Nesta edição, aliás, diminuímos o número de palestras e aumentamos os espaços de conversa e participação do público. A ideia é que esses casos não sejam apresentados como histórias prontas, mas discutidos com quem viveu as decisões, inclusive em dinâmicas práticas de tomada de decisão e em conversas mais próximas com executivos de diferentes áreas da operação.
O público terá acesso a áreas e informações que normalmente não chegam a quem frequenta o festival. O que exatamente será possível conhecer dos bastidores da Cidade do Rock durante a imersão? O Academy dura 12 horas e acontece num dia entre os dois fins de semana do festival, com a Cidade do Rock montada e a operação em andamento. O participante circula por dentro dessa estrutura, acompanhando o festival a partir de uma perspectiva completamente diferente daquela do público. Ele visita áreas às quais normalmente não teria acesso, como os camarins dos artistas nacionais e internacionais, a Sala de Imprensa, a Sala de Cobertura Digital em Real Time e o Rock Lounge, que é o espaço de convivência dos artistas e de suas crews. Nesta edição, inclusive, reformulamos essa experiência e criamos trilhas específicas de Gestão, Produção e Marketing. Então, além de conhecer fisicamente os bastidores, cada participante pode observar a operação a partir do recorte que mais dialoga com os seus próprios desafios profissionais. Acho que esse é um dos grandes diferenciais do Academy: não é uma visita aos bastidores por curiosidade. É entrar na Cidade do Rock para entender o que existe por trás daquilo que o público vê pronto.
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