7 de Setembro: atos cobram Senado por impeachment de Moraes

7 de Setembro: atos cobram Senado por impeachment de Moraes



Manifestações previstas para esta segunda-feira, 7 de Setembro, devem levar muitos brasileiros às ruas em diferentes cidades do país em atos para pressionar pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A mobilização ocorre em meio às novas revelações envolvendo o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que ampliaram os questionamentos sobre sua atuação.

Em São Paulo, a concentração será na Avenida Paulista, a partir das 15h, e contará com a presença das principais lideranças da direita brasileira. Entre os nomes ligados à organização e à mobilização para o ato estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) e o pastor Silas Malafaia, responsável pela organização dos trios elétricos das grandes manifestações da direita.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também irão participar dos atos de 7 de Setembro.

A mobilização terá críticas ao ministro Alexandre de Moraes e ao governo Lula. Também estão previstos atos em Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Curitiba, Florianópolis, Joinville, Porto Alegre, Recife, Vila Velha, Fortaleza, Aracaju, Salvador, João Pessoa, Natal e Maceió.

Brasília terá atos separados do desfile oficial

Em Brasília, estão previstos dois atos contra Alexandre de Moraes e o governo Lula, em locais e horários diferentes. A primeira mobilização será às 9h, em frente ao Banco Central, no Eixão Sul, convocada pelo candidato ao Senado Sebastião Coelho (Novo).

Às 10h, está previsto outro ato no estacionamento da Funarte, com a pauta “Fora, Moraes e Fora, Lula”, com a participação da deputada Bia Kicis (PL).

Os atos também terão como principais bandeiras críticas ao governo Lula, defesa da liberdade e pressão pelo impeachment de Moraes.

Essas mobilizações ocorrerão no mesmo dia do desfile cívico oficial de 7 de Setembro, realizado na Esplanada dos Ministérios. São eventos distintos, com organização, público e objetivos diferentes.

Atos do 7 de Setembro se espalham pelo país

O tamanho dos atos será observado pela oposição como um indicador da capacidade de mobilização da direita e da força da pauta contra Moraes. Para os analistas, porém, o principal efeito político não estará apenas no número de pessoas nas ruas, mas na capacidade de transformar a mobilização em pressão sobre os parlamentares.

“Colocar milhares de pessoas na rua demonstra força; transformar essa força em articulação dentro do Congresso é que demonstra capacidade política e mobilização real”, afirma o cientista político Murilo Rocha.

Além de São Paulo e Brasília, manifestações estão previstas em diferentes capitais e cidades. A programação divulgada pelos organizadores inclui:

São Paulo (SP): Avenida Paulista, 15h.

Brasília (DF): Banco Central, 9h.

Brasília (DF): Funarte, 10h.

Rio de Janeiro (RJ): Copacabana, 10h.

Belo Horizonte (MG): Praça da Liberdade, 10h.

Goiânia (GO): Praça Tamandaré, 10h.

Curitiba (PR): Boca Maldita, 14h.

Florianópolis (SC): Trapiche da Beira-Mar, 16h.

Joinville (SC): Praça da Bandeira, 16h.

Porto Alegre (RS): Parcão, 14h.

Recife (PE): Padaria Boa Viagem, 14h.

Vila Velha (ES): Posto Moby Dick, 12h.

Fortaleza (CE): Praça Portugal, 14h.

Aracaju (SE): Arcos da Orla, 14h.

Salvador (BA): Farol da Barra, 8h22.

João Pessoa (PB): Busto de Tamandaré, 14h.

Natal (RN): Shopping Midway, 14h.

Maceió (AL): Corredor Vera Arruda, 8h.

Atenção: os locais e horários foram divulgados por organizadores e lideranças políticas e podem sofrer alterações.

Caso Master renova pressão contra Moraes

As manifestações ocorrem poucos dias depois da divulgação de novas informações produzidas pela Polícia Federal (PF) no caso Master. Mensagens recuperadas do celular de Vorcaro e outros documentos passaram a integrar o debate político sobre a relação entre o ex-banqueiro e Moraes.

O material aumentou os questionamentos da oposição sobre possíveis conflitos de interesse e eventual uso da influência institucional do ministro em favor de interesses privados. As suspeitas ainda são objeto de apuração e não representam, por si só, comprovação de crime.

Para as lideranças que convocam os atos, porém, as novas informações funcionam como incentivo para uma pauta que já estava consolidada: a defesa do impeachment de Moraes.

O deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS) afirmou que as informações divulgadas exigem uma resposta do Congresso. “O Senado precisa agir e pautar agora o impeachment de Alexandre de Moraes. Ninguém está acima da Constituição. Ninguém está acima da lei. O Brasil exige respostas”, afirmou.

A expectativa da oposição é de que uma manifestação numerosa em São Paulo aumente a pressão sobre os senadores, especialmente sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem resistido ao avanço dos pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Para o cientista político Murilo Rocha, a mobilização das ruas não determina o comportamento do Senado, mas pode alterar o ambiente político em que os senadores tomam suas decisões. “É como um termômetro: ele não provoca a febre, mas mostra que a temperatura política subiu”, compara.

Segundo Rocha, se os atos forem grandes, nacionais e ultrapassarem os grupos políticos mais organizados, o Senado poderá enfrentar um custo maior para ignorar a demanda.

“Existe uma diferença entre pressionar para que um assunto seja analisado e pressionar por um resultado previamente definido. O impeachment tem um rito institucional e depende de decisão política dentro do Senado. A “rua pode empurrar a porta”, mas quem decide se ela será aberta continua sendo o Congresso”, diz.

Pressão das ruas sobre o Senado

O cientista político Henrique Curi, consultor da Metapolítica, acrescenta que a própria tramitação de um eventual impeachment impõe obstáculos à conversão imediata da pressão das ruas em uma decisão do Senado. No caso de ministros do STF, uma eventual condenação exigiria dois terços da Casa, ou seja, 54 dos 81 senadores.

Além do rito institucional, Curi destaca o cálculo político de Alcolumbre. O presidente do Senado precisa considerar o risco de colocar o processo em votação sem ter a segurança de que haverá votos suficientes para aprovar o afastamento.

“O custo de pautar e não estar seguro de que o impeachment passará” é um dos principais fatores que dificultam uma decisão, avalia.

O calendário eleitoral também pesa. Segundo Curi, o Congresso encerrou o último esforço concentrado antes das eleições, o que reduz o espaço para que a pressão das manifestações se transforme rapidamente em uma votação.

Outro fator é a eleição para a Presidência do Senado em 2027. Alcolumbre busca permanecer no comando da Casa e, enquanto a composição da próxima legislatura não estiver definida, tende a evitar assumir uma posição que possa comprometer seu futuro político.

Por isso, Curi considera improvável que a pressão popular produza uma mudança institucional imediata no período pré-eleitoral.



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