Apresentada base de dados para determinar quantas aves foram extintas pela atividade humana

Apresentada base de dados para determinar quantas aves foram extintas pela atividade humana



Projeto de investigação científica internacional, com a participação do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO) da Universidade do Porto, entre outras instituições, o Avotrex traduz-se numa base de dados global de acesso aberto que reúne informação sobre as características ecológicas e morfológicas de todas as espécies de aves extintas, devido à ação humana, ao longo dos tempos.


Esta ferramenta foi apresentada hoje em Granada, Espanha, no âmbito de uma intervenção sobre a extinção das aves e as suas consequências para a perda de diversidade funcional e evolutiva, pelo investigador Ferrán Sayol Altarriba, da Universidade de Vic – Universidade Central da Catalunha, noticiou a agência Efe.


Sayol Altarriba subscreveu um artigo inicial que abordava o projeto Avotrex – “The global loss of avian functional and phylogenetic diversity from anthropogenic extinctions” – com outros 20 investigadores de diferentes instituições científicas, entre os quais Filipa Coutinho Soares do CIBIO-InBIO, da Universidade do Porto. Este artigo foi publicado em outubro de 2024 na revista científica Global Ecology and Biogeography.


Hoje, na apresentação do projeto, o investigador defendeu que as estatísticas oficiais, como a Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), são insuficientes para determinar quantas espécies de aves foram extintas devido à atividade humana, uma vez que a extinção de espécies teve início muito antes dos primeiros registos escritos.


A maioria das espécies extintas é conhecida apenas por restos de fósseis e subfósseis, sem informações pormenorizadas sobre a sua morfologia ou ecologia.


Esta lacuna, segundo a investigação, impede reconstruir ou perceber como eram as comunidades de aves antes do impacto humano e, portanto, de calcular quanta biodiversidade foi realmente perdida, cita a agência Efe.


Para colmatar estas lacunas, os investigadores desenvolveram a Avotrex, uma base de dados aberta que reúne características morfológicas e ecológicas de todas as aves extintas desde o Pleistoceno Superior (compreendido aproximadamente entre 126.000 e 11.500 mil anos), combinando a literatura científica com resultados obtidos em coleções de história natural.


Os resultados obtidos até à data mostram que as extinções não afetaram as espécies de forma aleatória, mas concentraram-se em ilhas e entre aquelas com características únicas, como as aves não voadoras, adianta a agência Efe.


As conclusões apontam igualmente que as espécies introduzidas não compensam a diversidade perdida; em vez disso, promovendo, pelo contrário, a homogeneização funcional das comunidades insulares.


Entre as instituições que colaboram no projeto de investigação está também a Faculdade de Ciências Agrárias e do Ambiente da Universidade dos Açores.


O encontro científico, que termina no domingo, é organizado pela BirdLife de Espanha e a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves – BirdLife em Portugal, com colaboração da Faculdade de Ciências da Universidade de Granada.



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