Lula crítica campanha de Flávio por atuação no Senado contra o fim da escala 6×1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta-feira, 3, a estratégia bolsonarista no Senado para tentar impedir o avanço da PEC que extingue a escala de trabalho 6×1 no Brasil. A proposta do governo federal foi aprovada ontem pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sem alterações ao texto que veio da Câmara, e segue para o plenário dos senadores.
Sem citar nenhum opositor pelo nome, Lula aludiu ao “coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial” — os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — e sua atuação para barrar a pauta. “O Brasil testemunhou, mais uma vez, quem é quem no Congresso Nacional. Quem está trabalhando para avançar com essa mudança e quem está tentando impedir uma conquista”, publicou o presidente nas redes sociais.
Ontem o Brasil testemunhou, mais uma vez, quem é quem no Congresso Nacional. Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6×1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço…
— Lula (@LulaOficial) September 3, 2026
A aprovação da PEC é considerada pelo petista um dos seus principais trunfos na campanha eleitoral. O esforço do governo, no entanto, não deve resultar na votação da proposta, aprovada ontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em plenário antes do primeiro turno da eleição, em outubro.
Liderada por Marinho, a oposição apresentou mais de trinta emendas para alterar a PEC aprovada pela Câmara. O principal alvo foi o limite de cinco dias e 40 horas semanais que o texto impõe à escala de trabalho — praticamente todas as sugestões da direita buscavam “burlar” esse teto, incluindo trechos que permitiam negociar jornadas mais longas e estender o prazo de adaptação por até três anos.
No entanto, o senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da PEC na CCJ, descartou todas as emendas e defendeu a aprovação do texto sem modificações. Aliado do governo Lula, o amazonense criticou tentativas de “descaracterizar” a proposta e chegou a alfinetar a oposição: “Vocês botaram para quebrar: 36 emendas numa PEC de dez artigos? “.
Uma das sugestões para flexibilizar o regime de trabalho foi apresentada por Marinho durante a leitura do relatório, o que desagradou a Aziz — ao longo da sessão, o bolsonarista e o governista protagonizaram diversos atritos e trocaram ofensas como “burro” e “defensor de trabalho escravo”.
Outra estratégia da oposição foi pedir o adiamento da votação para incluir na pauta outra PEC sobre escala de trabalho, elaborada por Marinho como contraproposta ao texto do governo, que permitiria a remuneração com base apenas em horas trabalhadas sem limite de dias por semana. A ideia, contudo, também foi rejeitada pelos presentes.
Ao final da discussão, a PEC do governo foi aprovada em votação simbólica (sem contagem de votos) e liberada para o plenário. Os senadores Rogério Marinho, Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS) registraram formalmente voto em contrário.
