Olaria Negra de Bisalhães já tem indicação geográfica da UE – Observador

A olaria negra de Bisalhães foi inscrita no registo da União das Indicações Geográficas de produtos artesanais e industriais que reforça a proteção desta atividade artesanal do concelho de Vila Real, foi anunciado esta sexta-feira.
O processo de confeção da olaria negra de Bisalhães foi inscrito pela UNESCO, a 29 de novembro de 2016, na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente.
Agora, segundo informou a Câmara de Vila Real, em comunicado, a inscrição no registo da União das Indicações Geográficas de produtos artesanais e industriais confirma “o reconhecimento europeu desta expressão singular do património artesanal português”.
“Este registo representa um importante marco na valorização, promoção e salvaguarda da olaria negra de Bisalhães, uma tradição artesanal secular reconhecida pela sua autenticidade, pelo saber-fazer transmitido entre gerações e pela sua forte ligação ao território de origem”, refere o município.
Esta forma de olaria é considerada um ofício duro, exigente, com recurso a processos que remontam, pelo menos, ao século XVI. O processo de fabrico inclui desde o tratamento inicial que se dá ao barro até à cozedura.
As peças que nascem pelas mãos dos artesãos são depois cozidas em velhos fornos abertos na terra, onde são queimadas giestas, caruma, carquejas e abafadas depois com terra escura, a mesma que lhes vai dar a cor negra.
A arte esteve em risco de extinção e atualmente são poucos os oleiros, mas após a classificação, têm-se dado passos na formação e já há novos artesãos a trabalhar.
De acordo com o município, a inscrição no registo da União Europeia reforça “a proteção jurídica desta indicação geográfica, contribuindo para a preservação do património cultural e para a afirmação da identidade e qualidade associadas a este produto artesanal único”.
A decisão de inscrição foi emitida pelo Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO) na quarta-feira, mas tem efeitos desde 17 de dezembro de 2025, data a partir da qual a indicação geográfica passou a gozar da proteção prevista no regime europeu.
O EUIPO já explicou que o novo sistema da União Europeia para indicações geográficas de artesanato e produtos industriais protege as designações de produtos cuja qualidade, reputação ou outras características estão intrinsecamente ligadas à sua origem geográfica.
Trata-se de um sistema semelhante ao existente para indicações geográficas agrícolas e pode vir a proteger as designações de centenas de produtos artesanais e industriais em toda a União Europeia.
