Durigan nega descontrole das contas mesmo com pacotão eleitoral de Lula
O ministro Dario Durigan, da Fazenda, afirmou nesta quinta-feira (6) que o crescimento da dívida pública brasileira preocupa, mas negou que o país enfrente um cenário de descontrole fiscal. A declaração ocorre em meio ao avanço do endividamento durante o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e após o lançamento de um conjunto de medidas econômicas de forte apelo eleitoral que já supera R$ 280 bilhões em estímulos.
Durigan reconheceu que a projeção da dívida para os próximos anos exige atenção, mas sustentou que o governo vem adotando medidas para melhorar o equilíbrio das contas públicas.
“O que aparece como preocupante é a projeção para a dívida para frente. Sei lidar com o fiscal de forma melhor, fizemos um ajuste de dois pontos do PIB. É com esse compromisso que vamos para os próximos quatro anos, melhorando as contas públicas”, declarou em entrevista à GloboNews.
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Segundo o ministro, o governo tem promovido bloqueios, cortes orçamentários e ações voltadas ao cumprimento das metas fiscais, embora as contas públicas ainda permaneçam no vermelho. Para Dario Durigan, os resultados obtidos até agora demonstram um compromisso da equipe econômica com o ajuste fiscal e passam longe de um cenário de crise nas finanças do país.
As declarações ocorrem enquanto o governo coloca em prática um pacote de medidas econômicas voltado principalmente às famílias de baixa e média renda com vistas à eleição de outubro. São mais de 15 iniciativas como desonerações tributárias, ampliação de subsídios e facilitação de crédito.
Apesar dos recursos bilionários destinados às famílias, o endividamento dos brasileiros bateu recorde em julho e chegou a 82% de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgados mais cedo. A inadimplência alcança 29,8%.
Dificuldade para rolar a dívida
Durigan também admitiu dificuldades relacionadas à chamada rolagem da dívida pública, processo em que novos títulos são emitidos para quitar os que estão vencendo. Nos últimos meses, o Tesouro Nacional enfrentou maior resistência para vender papéis com juros reais próximos de 8% ao ano, nível considerado elevado pelo mercado.
Entre os fatores apontados por analistas para essa dificuldade estão o aumento dos gastos públicos e o crescimento do endividamento, que elevam a percepção de risco entre investidores. Mesmo assim, o ministro voltou a negar um quadro de crise fiscal e afirmou que o principal desafio está em reduzir os juros por meio do fortalecimento da política fiscal.
“Para o futuro, há discussão sobre rolagem da dívida. Não há descontrole e crise fiscal, há desafio para endereçar questão dos juros para diminuir endividamento”, afirmou.
Para o ministro, como o governo tem influência direta sobre a política fiscal, o objetivo é reforçar esse aspecto para reduzir os custos do financiamento da dívida.
O ministro reconheceu que a situação das contas públicas influencia o nível dos juros no Brasil, atualmente em 14% ao ano, mas destacou que fatores internacionais também pesam sobre esse cenário. Entre eles, citou conflitos militares, possíveis choques no preço do petróleo, o comportamento dos juros nos Estados Unidos e a incerteza típica de períodos eleitorais.
“O arcabouço fiscal veio para ficar, precisamos reforçar nosso fiscal. Não reputo má vontade [por parte do mercado com o governo], mas um grau de incerteza, e ansiedade no momento de eleição”, afirmou.
Ao concluir, Durigan disse que o compromisso da equipe econômica é adotar todas as medidas possíveis para melhorar o cenário fiscal e reduzir os juros, ressaltando que “juro machuca muito a economia, não só o governo”.
