Mulheres vão às ruas e pressionam Hugo Motta para votar PL da Misoginia

Mulheres vão às ruas e pressionam Hugo Motta para votar PL da Misoginia


Mulheres protestaram em 19 cidades e pressionam Hugo Motta para colocar em votação o PL da Misoginia, que endurece as punições contra crimes de ódio às mulheres em meio ao aumento dos casos de feminicídio no Brasil

Mulheres vão às ruas e pressionam Hugo Motta para votar PL da Misoginia

Imagem: Paulo Pinto | Agência Brasil

Milhares de mulheres realizaram manifestações em pelo menos 19 cidades brasileiras neste domingo (2) para cobrar que a Câmara dos Deputados vote ainda em agosto o Projeto de Lei 896/2023, conhecido como PL da Misoginia. Os atos aconteceram uma semana antes da retomada dos trabalhos do Congresso Nacional e tiveram como principal alvo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), responsável por definir a pauta de votações da Casa.

Organizados pelo movimento Levante Mulheres Vivas, os protestos ocorreram em capitais como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Campo Grande, além de cidades do interior. Nas redes sociais, a mobilização foi impulsionada pela campanha #VotaMottaPL89623, que pede a votação imediata da proposta.

Além da aprovação do projeto, as manifestantes defenderam o fortalecimento das políticas de proteção às mulheres, incluindo a ampliação das Delegacias da Mulher com atendimento 24 horas, mais casas de acolhimento para vítimas de violência, maior rapidez no cumprimento de medidas protetivas e a regulamentação das plataformas digitais para conter discursos de ódio misóginos.

O que prevê o PL da Misoginia

De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), o projeto foi aprovado por unanimidade no Senado em março deste ano e, em julho, teve o regime de urgência aprovado pela Câmara por 293 votos a 158. Com isso, a proposta pode ser analisada diretamente pelo plenário, sem passar pelas comissões temáticas. A relatoria ficou com a deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

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O texto insere a misoginia entre os crimes previstos na Lei do Racismo, tornando puníveis condutas que promovam discriminação, violência ou restrição de direitos contra mulheres em razão de seu gênero. Caso seja aprovado, o crime passará a ser inafiançável e imprescritível, com penas que variam de dois a cinco anos de prisão, além de multa.

Durante a tramitação na Câmara, Tabata Amaral alterou a redação aprovada pelo Senado para deixar explícito que a proposta não criminaliza opiniões, crenças ou sentimentos, mas apenas condutas concretas que incentivem violência, discriminação ou violação de direitos das mulheres.

Projeto enfrenta resistência

Apesar da ampla aprovação no Senado e do avanço na Câmara, o texto enfrenta resistência de parlamentares da bancada evangélica e de parte da oposição, especialmente do Partido Liberal (PL).

Em julho, a Comissão de Segurança Pública aprovou uma emenda apresentada pelo deputado Capitão Alden (PL-BA) estabelecendo que manifestações de opinião, convicção religiosa, filosófica, científica, acadêmica ou política não configurem crime, desde que não representem incitação direta e inequívoca à violência ou à discriminação.

Para entidades de defesa dos direitos das mulheres, a alteração pode reduzir a efetividade da proposta ao abrir margem para que manifestações discriminatórias sejam justificadas como mera expressão de opinião. Juristas também apontam que a mudança pode gerar interpretações que afetem a aplicação da própria Lei do Racismo.

Feminicídios batem novo recorde

A mobilização ocorre em meio ao aumento da violência contra as mulheres no Brasil. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o país registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde que esse tipo de crime passou a ser contabilizado, em 2015.

O levantamento mostra que quase 80% das vítimas foram assassinadas por companheiros ou ex-companheiros e que mais de 62% dos crimes aconteceram dentro da própria residência. Entre os casos registrados, 70 mulheres possuíam medidas protetivas de urgência em vigor quando foram mortas, enquanto o país contabilizou mais de 132 mil descumprimentos dessas medidas ao longo do ano.

Para os movimentos que participaram das manifestações, os dados reforçam a necessidade de fortalecer a legislação e ampliar os mecanismos de proteção às mulheres. Com a urgência já aprovada, a expectativa é que Hugo Motta decida nas próximas semanas se colocará ou não o PL da Misoginia em votação no plenário da Câmara.

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