Várias vozes internas da Fifa aumentam a pressão sobre Infantino – 04/08/2026 – Esporte
O emblemático e respeitado Arsène Wenger e o secretário-geral Mattias Gragström estão entre as várias vozes de dentro da Fifa que se distanciam do presidente Gianni Infantino e do projeto abortado de abertura a investidores privados, em meio às incertezas sobre a reeleição do ítalo-suíço.
“A decisão de retirar o projeto era absolutamente necessária e incontestável”, declarou Arsène Wenger nesta terça-feira (4), em comunicado. Desde 2019, ele atua como diretor de desenvolvimento do futebol mundial da Fifa.
O ex-treinador do Arsenal referia-se à polêmica proposta de criar uma empresa, a Fifa Forward Entreprise (FFE), com a qual Infantino esperava arrecadar US$ 4,2 bilhões por meio da venda de 20% das ações a investidores privados, com a FFE avaliada em US$ 20 bilhões.
O plano, anunciado há uma semana, gerou uma onda de críticas contra Infantino e foi rejeitado por três confederações, forçando o ítalo-suíço a recuar definitivamente no sábado.
“Acredito firmemente em uma Fifa independente, que sirva ao nosso esporte com compromisso, transparência e integridade”, acrescentou Wenger, esclarecendo que não esteve “envolvido no projeto” e que tomou conhecimento dele “pela imprensa”.
“As pessoas passam”
Wenger não é o único dentro da Fifa a ter se distanciado do projeto e de Infantino.
Em um e-mail interno enviado a funcionários da Fifa, ao qual a AFP teve acesso, o secretário-geral da entidade, Mattias Grafstrom, lamentou uma “triste e condenável sequência de acontecimentos”, que “felizmente terminou com o abandono definitivo” do projeto.
“As pessoas, os momentos de instabilidade e os episódios lamentáveis vêm e vão”, declarou Gragström, ex-chefe de gabinete de Infantino quando este assumiu a presidência da Fifa, em 2016.
“A instituição, sua missão e sua responsabilidade para com o futebol mundial permanecem”, concluiu o suíço de 45 anos, secretário-geral desde 2024.
Antes disso, na sexta-feira, o principal assessor de Infantino, o americano Carlos Cordeiro, renunciou ao cargo, afirmando ser “categoricamente” contrário ao projeto, que considerava “ruim para o futuro do esporte a longo prazo”.
Essa oposição interna na Fifa soma-se à já forte pressão externa, liderada pela Uefa e apoiada pela Concacaf, a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe. Ambas as entidades se posicionaram duramente contra o projeto FFE e, desde então, vêm criticando Infantino.
Uefa estuda medidas judiciais
Na semana passada, a Concacaf pediu uma “revisão completa” da liderança de Infantino, enquanto a Uefa afirmou ter “perdido a confiança” nele.
Em uma carta enviada na sexta-feira à Fifa, a Uefa “notifica oficialmente que planeja ativamente iniciar uma ação judicial”.
Com esse objetivo, a entidade europeia solicitou que sejam “identificados, localizados e preservados todos os documentos e informações armazenados eletronicamente” sobre a FFE, para evitar a destruição de elementos que possam ser relevantes em um processo judicial.
Na mesma carta, a Uefa avaliou que várias pessoas, “devido às suas funções e à participação no plano FFE”, podem possuir documentos pertinentes e exige que eles sejam preservados. Entre os nomes citados estão Wenger e Grafström.
Apesar das pressões, Infantino está longe de ter perdido a disputa nas eleições para a presidência da Fifa, previstas para março de 2027, nas quais busca a reeleição e é, até o momento, o único candidato.
O ítalo-suíço precisará do apoio de 106 das 211 federações filiadas à Fifa para obter um novo e último mandato de quatro anos.
Até agora, quatro federações, todas europeias —Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia—, retiraram seu apoio.
