Como Ceuta ficou no meio da rivalidade Marrocos vs. Argélia – Observador

Como Ceuta ficou no meio da rivalidade Marrocos vs. Argélia – Observador



A mesma especialista assinala que, no topo dessa agenda, está o fim do isolamento em relação ao Saara Ocidental e o reforço do apoio à Frente Polisário. A Argélia pretende cativar novos aliados para a sua causa — seja por aliança ideológica, seja através de complexas redes de dependência que cria através da exploração dos seus recursos naturais. Marrocos está perfeitamente consciente desta vantagem estratégica do rival e os alarmes soaram em Rabat. A consequência? O país reforçou a sua própria rede de apoios.

O principal veio de Washington, até porque os Estados Unidos não têm qualquer interesse nas reservas de gás natural argelinas. Historicamente, e desde a Guerra Fria, os marroquinos são vistos como aliados de confiança na Casa Branca. Marrocos tem também conquistado o apoio de várias monarquias do mundo árabe e Israel, transmitindo a mensagem de que a Argélia se está a aproximar do Irão e do seu eixo de resistência. Aliás, em 2018, Rabat cortou mesmo relações diplomáticas com Teerão, acusando a milícia xiita libanesa Hezbollah de “fornecer armas, formação militar e apoio logístico à Frente Polisário” através da embaixada iraniana em Argel.

Assim sendo, Marrocos tem em curso uma sofisticada operação de charme para contrabalançar a influência argelina no Ocidente. O Rei Mohammed VI atribuiu mesmo o nome “Donald J. Trump” à autoestrada que liga a cidade marroquina de Tiznit a Dakhla, situada nos territórios do Saara Ocidental. Este fim de semana, chegou a retribuição do Presidente norte-americano, numa mensagem de apoio: “Os Estados Unidos reconheceram a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental e apoiam a proposta de autonomia, credível e realista, como a única base para uma solução duradoura e justa“.

Ao mesmo tempo, no Congresso há neste momento várias iniciativas legislativas em curso, promovidas por senadores e representantes republicanos, para que os EUA designem a Frente Polisário como uma organização terrorista.





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