Ave reduzida a apenas 26 indivíduos em um pequeno manguezal volta a ocupar cinco ilhas, supera 3 mil animais e emociona gerações de conservacionistas

Ave reduzida a apenas 26 indivíduos em um pequeno manguezal volta a ocupar cinco ilhas, supera 3 mil animais e emociona gerações de conservacionistas


Uma pequena ave que sobreviveu com somente 26 exemplares em um manguezal passou a ocupar cinco ilhas depois de décadas de proteção. A recuperação da toutinegra-das-Seychelles uniu restauração florestal e transferências planejadas até a população superar 3 mil animais.

Qual ave chegou tão perto de desaparecer?

A espécie é a toutinegra-das-Seychelles, de nome científico Acrocephalus sechellensis. Endêmica do arquipélago africano, ela possui plumagem discreta, pernas compridas e bico fino, vivendo principalmente entre árvores e arbustos onde procura pequenos invertebrados.

Em 1959, pesquisadores estimaram que restavam apenas 26 indivíduos na Ilha Cousin, uma área de 29 hectares. A população estava confinada a um manguezal inadequado, depois que grande parte da vegetação nativa havia cedido espaço à produção comercial.

Ave reduzida a apenas 26 indivíduos em um pequeno manguezal volta a ocupar cinco ilhas, supera 3 mil animais e emociona gerações de conservacionistas
Ave reduzida a apenas 26 indivíduos em um pequeno manguezal volta a ocupar cinco ilhas, supera 3 mil animais e emociona gerações de conservacionistas

Como uma plantação de cocos ameaçou a espécie?

O terreno de Cousin havia sido transformado para produzir coco e canela. A substituição da floresta eliminou grande parte do habitat usado pela ave para procurar alimento, formar territórios e criar filhotes.

Em 1968, o Conselho Internacional para a Proteção das Aves comprou a ilha para evitar a extinção. Coqueiros foram controlados e a mata nativa, especialmente árvores Pisonia grandis, voltou a crescer gradualmente.

Quando a população começou a se recuperar?

A resposta apareceu conforme a floresta se regenerava. Em 1982, Cousin já abrigava aproximadamente 320 aves adultas, número considerado próximo do limite suportado pela pequena reserva.

Manter todos os animais no mesmo local, entretanto, representava perigo. Uma doença, tempestade ou entrada de predadores invasores poderia eliminar a única população. Conservacionistas decidiram estabelecer grupos independentes em outras ilhas protegidas.

Os principais marcos dessa recuperação foram:

26 indivíduos permaneciam em Cousin no levantamento de 1959

320 adultos ocupavam a ilha restaurada em 1982

Quatro transferências criaram novas populações insulares

Mais de 3 mil aves passaram a viver em cinco ilhas

Como a ave voltou a ocupar cinco ilhas?

As primeiras transferências levaram aves de Cousin para Aride, em 1988, e Cousine, em 1990. Os novos grupos cresceram e chegaram perto da capacidade disponível nas duas ilhas até o final daquela década.

Em 2004, 58 animais foram enviados a Denis, previamente livrada de gatos e ratos. Outros 59 chegaram a Frégate em dezembro de 2011, completando a rede formada por Cousin, Aride, Cousine, Denis e Frégate.

O que permitiu superar 3 mil animais?

A recuperação não ocorreu apenas pela reprodução. A restauração do habitat aumentou alimento e locais de criação, enquanto a ausência de predadores introduzidos protegeu adultos, ovos e filhotes nas ilhas selecionadas.

Monitoramento científico orientou cada transferência e acompanhou a adaptação dos grupos. De acordo com a história publicada pela Nature Seychelles, as parcerias envolveram pesquisadores, gestores insulares, organizações internacionais e proprietários privados.

Cada medida respondeu a uma necessidade:


Problema
Ação
Resultado


Habitat degradado
Plantação comercial

Regeneração da floresta nativa


Mais alimento e territórios


População em uma ilha
Risco concentrado

Transferências planejadas


Cinco grupos estabelecidos


Predadores invasores
Gatos e ratos

Escolha de ilhas protegidas


Reprodução mais segura

Leia também: Depois de fechar 343 das 587 lojas, desativar três centros de distribuição e acumular R$ 1,1 bilhão de passivo

A espécie deixou de correr perigo?

Em 2015, a classificação internacional mudou de criticamente ameaçada para quase ameaçada. O salto representou uma das raras melhorias atribuídas diretamente a medidas de conservação, não apenas a novos dados sobre uma espécie.

A categoria ainda exige atenção. Populações restritas a ilhas continuam vulneráveis a invasores, eventos climáticos e perda de habitat. O caso ocorrido nas ilhas de Seicheles mostra como recuperar o ambiente pode salvar uma ave e proteger todo o ecossistema.





Source link

Postagens Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *