“Coisa de mulherzinha?” Ana Paula Renault defende PL da Misoginia e manda recado aos críticos
Ana Paula Renault voltou às redes sociais neste sábado (1º) para defender o Projeto de Lei que equipara a misoginia ao crime de racismo. Em vídeo, a vencedora do BBB 26 explicou por que considera urgente legislar sobre o tema e fez um apelo para que os seguidores leiam e pesquisem antes de opinarem sobre o assunto.
Eu ainda estava no quarto do The Standard, em Ibiza, escolhendo uma argola dourada torcida para combinar com o vestido preto de alça fina, quando Ana Paula apareceu perguntando o básico que muita gente finge não entender. Passei perfume de jasmim nos pulsos e pensei: quando a mulher precisa explicar que “coisa de mulherzinha” não é elogio, é porque o recreio do patriarcado já passou da hora de acabar.
Logo no início do vídeo, Ana Paula citou uma frase comum usada para diminuir pessoas. “‘Ah isso é coisa de mulherzinha’. Quem aí nunca ouviu essa frase ou até já falou? Mas você já parou pra pensar o que essa brincadeirinha significa?”, questionou.

Ela explicou que expressões desse tipo colocam a mulher como sinônimo de fraqueza. “Quando a gente usa ‘mulherzinha’ estamos usando para diminuir alguém, certo? Falar que aquela atitude é fraca ou é covarde. Acontece que a mensagem é clara. ‘Ser mulher é ser inferior’. E é justamente aí que muita gente não percebe que a misoginia pode começar”, afirmou.
E é aí que mora o truque velho, minhas queridas. Primeiro chamam de piada, depois de exagero, depois de mimimi. Quando a conta chega em forma de ameaça, perseguição e violência, aparece sempre alguém perguntando se “não estão levando longe demais”. Longe demais é a mulher ter que fazer seminário para provar que desprezo também adoece uma sociedade.
Ana Paula também definiu misoginia para quem entrou no debate sem abrir o dicionário. “Misoginia é o preconceito, a discriminação, o desprezo ou o ódio direcionado às mulheres pelo simples fato de sermos mulheres. E a misoginia nem sempre começa com crime, viu?”, disse.
A ex-BBB citou exemplos do cotidiano: mulheres que precisam provar competência várias vezes, que são chamadas de “histéricas”, “malucas” ou “desequilibradas” por defenderem uma opinião, ou que têm aparência julgada acima da capacidade profissional. “Quando uma mulher apresenta uma ideia e ao invés de discutir o que essa mulher disse, começam a tentar desqualificá-la”, completou.

O projeto citado por Ana Paula é de autoria da deputada Tabata Amaral e pretende equiparar a misoginia ao crime de racismo, como ocorreu com a homofobia e a transfobia por decisão do STF. A proposta teve regime de urgência aprovado e ainda precisa ser votada pelos deputados.
“E por que essa votação importa? Porque nenhuma lei muda sozinha o caráter de uma pessoa. Mas toda lei ajuda a dizer o que uma sociedade considera aceitável e o que essa sociedade decide que não pode mais normalizar”, afirmou Ana Paula.
Antes de encerrar, ela pediu que o debate não seja tratado como guerra entre homens e mulheres. “Essa conversa não é sobre homens contra mulheres, mulheres contra homens. Essa conversa é sobre homens e mulheres decidindo juntos que tipo de sociedade queremos deixar para os nossos filhos, nossas filhas, para as próximas gerações”, declarou.
Eu calcei a sandália rasteira dourada nessa hora e quase bati palma sozinha no quarto. Porque dá para discordar de projeto, discutir texto, cobrar precisão jurídica. O que não dá é fingir que misoginia é invenção de mulher sensível enquanto a mesma internet chama qualquer mulher pública de louca, burra, interesseira ou desequilibrada antes mesmo de terminar a frase.
“Antes de escolher um lado, conheça os fatos, leia o projeto, pesquise. Use essa sua internet aí porque quando uma palavra vira manchete, mas ninguém sabe o que ela significa, o debate deixa de ser sobre os fatos e passa a ser sobre medo, sobre desinformação e até sobre torcida”, concluiu Ana Paula.
