Incêndios avançam sem controle e 260 mil pessoas são evacuadas na França e na Espanha
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- Incêndios fora de controle avançam na França (próximo a Bordeaux) e na Espanha (a oeste de Madri), forçando novas evacuações nesta noite de 25 de julho.
- Mais de 260 mil pessoas foram deslocadas, incluindo cerca de 60 mil na região madrilena, onde as chamas já consumiram 25 mil hectares.
- Dois focos de incêndio se uniram na sexta‑feira, criando um grande incêndio que quase se fundiu com outro em Castela e Leão, sendo considerado o pior da história de Madri.
- O Ministério do Interior espanhol, representado pelo ministro Fernando Grande‑Malarska, alertou que a situação permanece complexa e anunciou novas ordens de evacuação.
Incêndios fora de controle devastavam, neste sábado (25), regiões da França e da Espanha, onde foram ordenadas novas evacuações à noite perto de Bordeaux e a oeste de Madri, cidade que enfrenta o “pior” fogo de sua história.
Mais de 260.000 “refugiados do fogo” foram evacuados na França e nas proximidades da capital espanhola.
No oeste da região de Madri, dois incêndios florestais independentes se juntaram na sexta-feira, formando um enorme incêndio que esteve prestes a se fundir com outro na região vizinha de Castela e Leão.
As chamas já queimaram 25.000 hectares em Madri e na província vizinha de Ávila, e mais de 60.000 pessoas (número revisado para baixo) foram obrigadas a deixar suas casas, segundo as autoridades, que qualificaram o incêndio como “o pior da história” na região madrilense.
Na noite deste sábado, o Ministério do Interior espanhol anunciou uma série de novas evacuações, enquanto os incêndios florestais causavam destruição perto de Madri, inclusive na província de Toledo, a sudoeste da capital espanhola.
“A situação é complexa”, disse à imprensa o ministro espanhol Fernando Grande-Malarska. “As condições meteorológicas – como viram ao longo do dia – não têm ajudado em absoluto. A noite que temos pela frente não se apresenta favorável; não será fácil para nós”, advertiu.
Embora ainda estejam longe da capital espanhola, as chamas afetam municípios residenciais bastante populosos, frequentemente cercados de colinas, áreas florestais e matagais, que propiciam a propagação do fogo.
“Pensei que tudo iria se incendiar, a casa, tudo. Já tinha preparado uma mala para coisas básicas”, contou a peruana Jacqueline Villafranca, de 38 anos, que foi retirada na sexta-feira da cidade de Navalagamella, de 3.000 habitantes, e levada de ônibus com o marido e suas duas filhas, de 2 e 16 anos, para o município madrilense de Alcobendas.
O chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou, neste sábado, em uma das áreas afetadas que a “prioridade” é “salvaguardar vidas”.
A situação “segue sendo complexa” porque “as temperaturas baixaram, mas não sabemos exatamente qual será e evolução dos ventos”, acrescentou.
O governo regional de Madri informou no X que mais de 2.000 pessoas recebiam atendimento em 14 centros de emergência.
– “Desolação” –
Na França, os incêndios se concentram em dois departamentos do sudoeste do país, Gironde e Landes, e teme-se que ameace a cidade de Bordeaux.
A prefeitura de Gironde ordenou, na noite deste sábado, a evacuação de 8.000 moradores de Marcheprime e Cestas, a menos de 30 km de Bordeaux, “diante do recrudescimento do incêndio” que devasta a região desde a quarta-feira.
Com esta nova operação, o número de pessoas evacuadas em Gironde por causa dos incêndios supera com folga a marca das 200.000.
Desde a quarta-feira, cerca de 167.000 pessoas foram instadas a deixar suas casas ou locais de veraneio na região.
Segundo os bombeiros de Gironde, contactados pela AFP, o fogo apresenta uma virulência que reativou a formação do fenômeno “pirocumulonimbo”, durante o qual o fogo “cria seu próprio vento, com redemoinhos, e se torna errático e incontrolável”.
“É a desolação”, suspirou Matthieu Plessis, de 40 anos, ao ver neste sábado suas galinhas com a plumagem enegrecida e as ruínas ainda fumegantes de sua casa, próxima à cidade de Lège-Cap-Ferret, em Gironde.
“Foi um inferno. Às três da tarde era de noite de tanta fumaça que havia”, contou.
As chamas em Gironde já devastaram mais de 32.000 hectares, três vezes a superfície de Paris, e destruíram pelo menos 140 residências, segundo as autoridades.
A França mobilizará no total 1.500 militares para apoiar as evacuações e proteger as residências que ficaram sem vigilância. Além disso, usou pela primeira vez um avião militar de transporte A400M para descarga de produtos para desacelerar o avanço do fogo.
“Reconstruiremos, repararemos e estaremos presentes por todo o tempo que for necessário” nas áreas mais afetadas, assegurou o presidente Emmanuel Macron em postagem neste sábado no X.
Desde o começo do ano, os incêndios queimaram mais de 168.000 hectares na Espanha, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS). E na França, foram 98.000 hectares queimados, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Estes incêndios são consequência da maior inflamabilidade das florestas e da vegetação por causa da seca e das ondas de calor excepcionais que se sucederam desde junho na Europa, consequência das mudanças climáticas, segundo cientistas.
Em outro incêndio diferente na localidade de Manises, perto da cidade de Valência, no leste da Espanha, uma pessoa morreu, mas segundo a Prefeitura, o fogo já foi controlado.
© Agence France-Presse
