Orca caça e golpeia peixe gigante para despedaçá-lo – 24/07/2026 – Ciência
Os peixes-lua podem pesar mais de 900 quilos e medir 4,2 metros de uma nadadeira à outra. O seu tamanho e a pele grossa geralmente afastam predadores.
No entanto, na costa do México, orcas (Orcinus orca) adotaram uma forma brutal de caçá-los: com uma manobra, elas despedaçam as presas.
O biólogo marinho Erick Higuera, da organização científica Conexiones Terramar, descreveu os ataques como violentos e caóticos, mas também altamente calculados.
Higuera testemunhou a estratégia de caça pela primeira vez em 2021. As orcas arremessavam um peixe-lua como um frisbee antes de fazê-lo “explodir”, segundo ele.
Em um estudo publicado nesta quinta-feira (24) na revista Frontiers in Ethology, o biólogo e seus colegas descreveram dois eventos filmados em 2024 e 2025.
Nos dois vídeos, uma orca adulta segurava um peixe-lua em sua boca. Em seguida, outra adulta nadou em alta velocidade em direção à presa. A primeira orca o soltou, e a segunda o atingiu com força, fragmentando-o. Enquanto os pedaços flutuavam, uma orca jovem começou a se alimentar.
“É como em uma partida de futebol, cada um tem um papel”, afirmou Higuera.
Cientistas documentam orcas predando peixes-lua há várias décadas. No golfo da Califórnia, esse comportamento foi registrado pela primeira vez nos anos 1990.
Em janeiro deste ano, Higuera e outro grupo de cientistas publicaram um artigo relatando mais de 20 encontros entre orcas e peixes-lua. Filhotes de orca estavam presentes em oito deles. As fêmeas podem estar usando essas presas para treinar seus filhotes, ou apenas para entretenimento, escreveram os autores no trabalho anterior.
Mas os peixes-lua das observações anteriores não estavam tão despedaçados quanto os que aparecem nos vídeos. Isso sugere que a estratégia de fragmentação pode ser específica para o peixe-lua-de-cauda-afiada (Masturus lanceolatus).
O ecologista marinho Robert Pitman, da Universidade Estadual de Oregon (Estados Unidos), considerou o comportamento possivelmente lógico. A pele do peixe-lua é formada pelos chamados dentículos dérmicos, semelhantes às escamas ásperas em forma de dente que os tubarões possuem.
Ao golpear o peixe, segundo Pitman, as orcas podem alcançar sua presa sem desgastar os dentes. “Nada do que elas fazem me surpreende mais”, afirmou o especialista, que não participou da pesquisa.
Marianne Nyegaard, bióloga marinha do Museu Memorial de Guerra de Auckland (Nova Zelândia) e que também não participou da pesquisa, estudou peixes-lua e documentou diversas interações de orcas com eles. “Fiquei muito feliz em ver que alguém pegou esse comportamento e o descreveu em detalhes”, disse ela.
“Os peixes-lua são frequentemente vistos como esses peixes grandes, estranhos e irrelevantes, uma espécie de curiosidade”, continuou Nyegaard. “Eles não são vistos como parte do ecossistema.” O novo estudo, de acordom com ela, ajuda a trazê-los para a “ecologia convencional”.
O biólogo marinho Luke Rendell, da Universidade de St. Andrews (Reino Unido), afirmou que o conhecimento sobre peixes-lua pode persistir nesse grupo de orcas por gerações por meio da herança cultural.
E o comportamento de abalroamento não é exclusivo da caça ao peixe-lua, acrescentou Rendell. Ele apontou para as interações amplamente divulgadas entre orcas e embarcações na costa da Península Ibérica, onde orcas abalroaram e afundaram várias delas.
“Em ambos os casos, bater em algo que encontram no ambiente leva a novos conhecimentos. Comida, como relatado no estudo, e brincadeiras divertidas, no caso das interações com barcos”, disse Rendell.
