‘Resistência na Colômbia vira do parlamento e das ruas’, avalia analista internacional

‘Resistência na Colômbia vira do parlamento e das ruas’, avalia analista internacional


A eleição para a Presidência do Senado colombiano foi a primeira derrota do recém-eleito presidente de extrema direita, Abelardo de La Espriella, na segunda-feira (20). Ele tinha indicado o nome de Alfredo Deluque para a presidência do Senado. Mas, sem maioria na Casa, viu o senador Honorio Henríquez, do Centro Democrático, ser eleito para o cargo. 

Henríquez obteve 56 votos, superando os 45 obtidos pelo oponente. Ligado ao ex-presidente Álvaro Uribe, Deluque pertence a um grupo político que já demonstrou apoio ao programa de governo de Abelardo. O presidente eleito do Senado exercerá o cargo até 2030.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Gustavo Menon, docente na Universidade Católica de Brasília (UCB) e no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Integração da América Latina (Prolam-USP), avalia que a derrota de Espriella foi contundente. “O Pacto Histórico conseguiu maioria no Senado diante da renovação na eleição para o Senado em 2026 e setores oposicionistas apostam para além dessa via institucional”, afirma, em referência aos movimentos que o atual presidente Gustavo Petro tem feito.

“A resistência deve ser feita não apenas no parlamento, mas também nas ruas”, defende Menon.

“Petro tem convocado uma série de manifestações a serem encabeçadas por parte dos movimentos sociais, grupos estudantis, sindicatos, o conjunto de trabalhadores e trabalhadoras e colombianos que saem em defesa exatamente dessa denúncia de como que, na atual conjuntura colombiana, o que está sendo gestado é uma espécie de Plano Colômbia 2.0, com uma nítida associação da política externa colombiana frente aos interesses da Casa Branca”, destaca.

O Plano Colômbia foi um acordo de cooperação bilateral firmado no final dos anos 1990 entre os governos da Colômbia e dos Estados Unidos, com a justificativa de combater o narcotráfico, mas que teve como principal ação minar a atuação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN).

Gustavo Menon também analisou a vinda do presidente da Argentina, Javier Milei, ao Brasil, e que não tem agenda com o presidente Lula (PT), mas vai se encontrar com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e acompanhar a oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Para o analista, essa movimentação é o indicativo de que a eleição presidencial no Brasil já começou. “Ouso dizer que, nesse cenário, nessa atmosfera na América Latina como um todo, de fragmentação política e desintegração econômica, veja que há uma tentativa de conformar um projeto de extrema direita na região muito conectado com o trumpismo”, alerta.

“Essa atuação, digamos, em rede de projetos, de partidos de direita e de extrema direita na América Latina, acaba se associando a essa maré, a essa onda de extrema direita na região, que acabou se consubstanciando na eleição de Keiko Fujimori, no Peru, Abelardo de La Espriella, na Colômbia, e a atuação da Argentina de Milei”, complementa.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





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