Rubio se reúne com chanceler chinês em encontro regional com guerra contra Irã de pano de fundo
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o chanceler chinês, Wang Yi, discutiram nesta quarta-feira uma visita do presidente chinês, Xi Jinping, aos EUA em setembro, durante um encontro asiático em que os ministros manifestaram preocupação com a guerra no Irã e as tensões no Mar do Sul da China.
Rubio afirmou que ele e Wang discutiram longamente a necessidade de preparar o terreno para uma “visita muito positiva” de Xi, e que cabia a eles administrar as grandes diferenças entre os dois países e garantir que elas não saíssem do controle.
Wang, por sua vez, pediu que os EUA “respeitem os interesses fundamentais da China… gerenciem de forma eficaz as diferenças e divergências e atendam às preocupações legítimas da China”, de acordo com um resumo oficial chinês, que classificou a reunião como “pragmática, positiva e construtiva”.
Wang e Rubio concordaram em “fazer preparativos sólidos para a próxima etapa de intercâmbios de alto nível”, informou o ministério de Wang em um comunicado.
A reunião mais ampla da Asean em Manila ocorre em meio a uma escalada do conflito entre os EUA e o Irã, e enquanto as tensões fervilham entre Pequim e as Filipinas — aliado próximo dos EUA — devido a um incidente no Mar do Sul da China na segunda-feira, que levou cada um a convocar o embaixador do outro.
Em reunião com os ministros das Relações Exteriores da Associação das Nações do Sudeste Asiático, que expressaram preocupações com a guerra no Oriente Médio, Rubio atribuiu a culpa diretamente ao Irã.
“O problema que estamos enfrentando neste momento é que eles não estão levando as negociações a sério”, disse ele. “Se eles forem sérios, nós também seremos. Se não forem, faremos o que for necessário para proteger nossos interesses e também os interesses de nossos aliados.”
Ele enfatizou que não se pode permitir que o Irã controle o Estreito de Ormuz, pois isso poderia criar um precedente perigoso para outras partes do mundo.
“COMÉRCIO COMO ARMA GEOPOLÍTICA”
As declarações de Rubio seguem seu artigo de opinião publicado na mídia filipina na terça-feira, que abordava a conduta de Pequim no Mar do Sul da China, alertando para “novas ameaças graves” caso essas águas “caiam sob o controle de uma potência disposta a usar o comércio como arma geopolítica”.
Pequim reivindica soberania sobre quase todo o Mar do Sul da China por meio de uma linha em seus mapas que invade as zonas econômicas exclusivas de Brunei, Indonésia, Malásia, Filipinas e Vietnã, e está no centro de disputas de longa data sobre uma infinidade de ilhas e formações.
A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, disse que o confronto de segunda-feira entre a guarda costeira chinesa e membros da Marinha filipina no Mar do Sul da China foi arriscado e desestabilizador.
“Os países da região têm uma escolha a fazer sobre como todos nós vamos responder a isso”, disse Wong aos repórteres.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, rebateu Wong, afirmando que a Austrália não tem o direito de intervir no Mar do Sul da China e que Pequim “exorta os países envolvidos a pararem de alimentar a tensão e incitar o confronto”.
A chefe da diplomacia canadense, Anita Anand, classificou a tensão marítima como “preocupante” e, em entrevista à Reuters, afirmou que uma solução negociada no Oriente Médio era crucial, assim como a liberdade de passagem por vias navegáveis como o Estreito de Ormuz.
As disputas entre as Filipinas e a China aumentaram nos últimos anos, à medida que Manila adota uma postura mais ousada em relação ao Mar do Sul da China, ao mesmo tempo em que busca laços de defesa mais estreitos com seu aliado por tratado, os Estados Unidos, além da Austrália e do Japão.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang, havia afirmado na terça-feira que alguns elementos do aparato de segurança das Filipinas haviam se envolvido em provocações deliberadas que atendiam aos interesses de “forças externas”, e que Pequim poderia trabalhar com a Asean para “eliminar fatores de interferência”.
Ele se reuniu com seus homólogos da Asean nesta quarta-feira e disse a eles que a confiança e o respeito mútuos eram essenciais e que, juntos, poderiam alcançar resultados e “ser o esteio da paz e do desenvolvimento regional e global”.
Os EUA aumentaram o financiamento militar estrangeiro para US$100 milhões no ano fiscal de 2026 e estão fornecendo US$9 milhões adicionais para ampliar um cais da Guarda Costeira filipina na ilha de Palawan “para reforçar a presença das autoridades filipinas na aplicação da lei marítima e sustentar operações no Mar do Sul da China”, informou o Departamento de Estado em uma nota informativa.
A visita de Rubio também veio acompanhada de um novo compromisso dos EUA de intensificar a cooperação em matéria de aplicação da lei com os países da Asean em relação a golpes, crimes cibernéticos, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, segundo a nota informativa. Washington estava retomando um programa de treinamento militar para oficiais do Camboja — que havia sido suspenso devido à repressão da oposição política no país — e expandindo o programa de treinamento para oficiais de Brunei, informou o documento.
RUBIO DEVE SE REUNIR COM LAVROV
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, confirmou que se reuniria em Manila na quinta-feira com Rubio, que disse que discutiria a guerra na Ucrânia, acrescentando que Washington buscava desempenhar um papel construtivo para pôr fim ao conflito.
Rubio também se reuniu com seus homólogos da Índia, Austrália e Japão para uma reunião do grupo Quad, que Pequim tem criticado por ser semelhante à Guerra Fria.
A reunião de Rubio com Wang, que durou cerca de 90 minutos, ocorreu em meio a uma trégua frágil entre as maiores economias do mundo, que poderia ser complicada pelas acusações do presidente Donald Trump de interferência chinesa, as quais Pequim rejeitou.
Rubio afirmou que essas alegações não foram discutidas e que os dois conversaram sobre comércio, Taiwan e áreas de cooperação em potencial antes da viagem de Xi a Washington.
Wang “apresentou a posição solene da China em relação a uma série de comentários e ações negativas recentes por parte dos Estados Unidos” e exigiu que os EUA respeitem o princípio de “Uma só China”, informou o Ministério das Relações Exteriores da China.
