Venezuela Renasce: 240 famílias recebem moradias equipadas e governo prevê 4 mil entregas até dezembro

Venezuela Renasce: 240 famílias recebem moradias equipadas e governo prevê 4 mil entregas até dezembro


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  • Governo da Venezuela entregou moradias equipadas a 240 famílias e planeja entregar 4 mil unidades até dezembro de 2024.
  • A ação integra a Grande Missão Moradia Venezuela, que visa recuperar mais de 10 mil estruturas até 2027.
  • A Comissão Presidencial para a Avaliação da Habitabilidade, criada em junho, usa um semáforo (verde, amarelo, vermelho) para certificar a segurança das casas.
  • As obras incluem novas construções e reabilitação de unidades existentes em cidades como Caracas, La Guaira e Barinas.

A presidente em exercício da República, Delcy Rodríguez, informou, durante um ato oficial em Caracas, que “mais de 240 famílias estão recebendo uma moradia, uma casa completamente equipada, e, de agora, no mês de julho, até dezembro, entregaremos 4 mil moradias”. O anúncio marca formalmente o início da fase de entregas do plano Venezuela Renasce, resposta habitacional do Executivo aos terremotos ocorridos em 24 de junho.

A projeção oficial se estende até 2027. O governo prevê recuperar mais de 10 mil estruturas por meio da conclusão de empreendimentos que estavam em fase de construção, segundo informações divulgadas pela Agência Venezuelana de Notícias e pela assessoria de imprensa da Presidência. O número reúne novas moradias e unidades reabilitadas do estoque já existente da Grande Missão Moradia Venezuela.

O primeiro lote: 240 famílias recebem imóveis “completamente prontos”

As primeiras 240 famílias contempladas pelo plano recebem os imóveis por meio do modelo conhecido na política habitacional venezuelana como “chave na mão”. As unidades são entregues equipadas, com cozinha instalada, quartos, sala e utensílios básicos necessários para a moradia.

O modelo reproduz o adotado pela Grande Missão Moradia Venezuela nos últimos 14 anos. Em abril de 2025, o programa já havia entregado, segundo dados oficiais, mais de 5,26 milhões de moradias em todo o território nacional.

No material audiovisual divulgado pelo Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação, Delcy Rodríguez explica que, além das 4 mil unidades previstas para o segundo semestre, serão construídas “novas moradias com a Comissão Presidencial de Habitabilidade”.

Ela se referia à Comissão Presidencial para a Avaliação da Habitabilidade, criada pelo Executivo no fim de junho para responder aos danos estruturais provocados pelos terremotos.

A Comissão Presidencial e o “semáforo” de habitabilidade

A Comissão Presidencial para a Avaliação da Habitabilidade é a estrutura institucional responsável pela etapa técnica do plano. Sua função é classificar os imóveis por meio de um sistema de cores: verde para edificações que podem ser habitadas sem restrições, amarelo para estruturas que precisam de reparos e vermelho para as que devem ser desocupadas ou demolidas.

“Criamos um semáforo para definir a habitabilidade do imóvel, da moradia. Com as cores verde, amarelo e vermelho, podemos decidir se a casa está em condições de continuar sendo ocupada”, explicou Delcy Rodríguez no fim de junho, quando a comissão iniciou sua atuação nas áreas atingidas.

O primeiro balanço do sistema foi divulgado em 7 de julho, durante o lançamento oficial do Plano Venezuela Renasce, na avenida Bolívar, em Caracas.

Segundo informações da emissora Alba Ciudad, a comissão havia inspecionado 1.093 edificações em La Guaira e concluído que 67% delas não apresentavam danos estruturais essenciais. Desse total, 426 receberam a classificação verde e 303, a amarela.

A certificação verde do setor Brisas del Aeropuerto permitiu o início imediato da reconstrução de 20 edifícios, que reúnem 600 apartamentos. A medida possibilitaria o retorno de 30.041 pessoas que se encontravam em alojamentos temporários.

Um plano integrado à Grande Missão Moradia Venezuela

As 4 mil moradias previstas para o segundo semestre não fazem parte de um programa isolado. Elas serão incorporadas à estrutura da Grande Missão Moradia Venezuela, política habitacional criada em abril de 2011.

Em 2025, ao completar 14 anos, o programa havia alcançado, segundo números oficiais, mais de 5,26 milhões de moradias entregues. A meta do governo é chegar a 8 milhões de unidades até 2031.

O Ministério do Poder Popular para Habitação e Moradia, em conjunto com governos estaduais e prefeituras, coordena as entregas em cada região. Nos últimos meses, a Grande Missão Moradia Venezuela realizou ações nos estados de Barinas, Anzoátegui, Portuguesa e Bolívar, além do Distrito Capital, com empreendimentos que seguem o padrão de unidades de 62 a 72 metros quadrados.

A incorporação do Venezuela Renasce acrescenta à estrutura já existente uma estratégia específica para o período posterior aos terremotos, envolvendo reconstrução, recuperação de imóveis danificados e entrega de moradias equipadas às famílias atingidas.

A dimensão dos danos habitacionais após os terremotos

Os terremotos de 24 de junho deixaram danos estruturais cuja dimensão total ainda está sendo calculada. Nas semanas seguintes, a atuação da Comissão Presidencial para a Avaliação da Habitabilidade permitiu começar a montar um inventário nacional das edificações afetadas.

Somente em La Guaira, mais de mil prédios foram inspecionados nos primeiros dez dias. Ao mesmo tempo, o Ministério de Habitação e Moradia elabora projetos para construir novas unidades “no menor tempo possível”, segundo declarações dadas pela presidente em exercício na última semana de junho.

O tamanho do estoque que precisa ser recuperado ou substituído orienta as metas anunciadas pelo governo. As 4 mil unidades previstas até dezembro e as 10 mil estruturas projetadas para 2027 não são apresentadas apenas como objetivos políticos. Elas correspondem ao volume de danos que a comissão e o ministério estão calculando com base no sistema de cores.

A recuperação de edifícios classificados com as cores verde ou amarela, para que voltem a ser ocupados, é considerada tão importante quanto a construção de novas moradias.

Os alojamentos temporários e o retorno das famílias

Parte importante do plano é o retorno das famílias que vivem atualmente em alojamentos temporários criados pelo governo nas semanas seguintes aos terremotos.

Somente em La Guaira, a classificação verde do setor Brisas del Aeropuerto permitiu a reconstrução de 20 edifícios, que somam 600 apartamentos e têm capacidade para receber novamente cerca de 30.041 moradores.

Essa etapa exige uma operação logística complexa. Enquanto as obras de recuperação são realizadas, as famílias precisam permanecer nos alojamentos, com acesso garantido aos serviços básicos. Quando os técnicos concluem que os imóveis estão seguros, o retorno é organizado com o acompanhamento do Estado.

As 4 mil entregas previstas para o semestre incluem tanto a concessão de novas unidades às famílias atingidas quanto o retorno de moradores a imóveis que passaram por obras de recuperação.

A meta para 2027 e a agenda econômica

O anúncio faz parte de uma agenda econômica mais ampla apresentada por Delcy Rodríguez ao longo de julho, que inclui uma rodada de 30 acordos de investimentos com empresas multinacionais e a previsão de que 2027 seja um ano de forte impulso econômico.

O plano habitacional funciona como um dos pilares sociais dessa etapa. Enquanto o governo negocia projetos internacionais nos setores de petróleo, energia elétrica e infraestrutura, a política de moradia é apresentada como uma resposta direta às comunidades atingidas pelos terremotos.

O Executivo também informou que o Sistema Pátria será utilizado para entregar os títulos legais de propriedade das novas moradias. A combinação de imóveis equipados, documentos digitais de propriedade e classificação técnica de habitabilidade forma o modelo que o governo pretende ampliar até dezembro e levar adiante no próximo ano.

Próximas etapas

Os próximos cinco meses serão um teste para a capacidade de execução do governo. Para alcançar a meta de 4 mil moradias até o fim do ano, o Executivo precisará entregar aproximadamente 800 unidades por mês.

A Comissão Presidencial para a Avaliação da Habitabilidade continuará atuando nos estados afetados, inicialmente com maior atenção a La Guaira e à região central do litoral.

A recuperação de 10 mil estruturas até 2027 dependerá da conclusão de empreendimentos que ficaram inacabados e da inclusão de novos projetos no calendário da Grande Missão Moradia Venezuela.

Fontes: Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação, Agência Venezuelana de Notícias, Telesur, Alba Ciudad, Venezuelana de Televisão e Correo del Orinoco.




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