Alckmin revela estratégia do Planalto para enfrentar tarifaço de Trump
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- Vice‑presidente Geraldo Alckmin anunciou em 21 que o Brasil não responderá automaticamente ao tarifaço imposto pelos EUA.
- O governo busca evitar escalada comercial e pressionar por uma solução negociada com Washington.
- Embora tenha iniciado procedimentos da Lei da Reciprocidade Econômica, o Planalto não usará necessariamente tarifas equivalentes contra produtos norte‑americanos.
- O Ministério do Desenvolvimento contata empresas e associações americanas afetadas para criar pressão e buscar exceções ou revisão das taxas.
O governo brasileiro não pretende responder de forma automática ao novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A orientação, neste momento, é evitar uma escalada comercial e ampliar a pressão por uma saída negociada.
O recado foi dado nesta terça-feira (21) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, após uma rodada de conversas com representantes dos setores mais prejudicados pelas medidas anunciadas pelo governo Donald Trump.
Ao comentar a possibilidade de retaliação, Alckmin afirmou que uma política de “olho por olho” pode terminar com prejuízos para os dois lados. A declaração indica que o Planalto pretende agir com cautela, mesmo após iniciar os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.
A legislação continua à disposição do governo, mas não será necessariamente usada para aplicar tarifas equivalentes sobre produtos norte-americanos.
A aposta brasileira é outra. O Ministério do Desenvolvimento procura empresas, associações e setores dos Estados Unidos que também possam ser afetados pela redução das compras brasileiras. A ideia é formar uma frente de pressão sobre a Casa Branca e tentar abrir espaço para exceções ou para a revisão das taxas.
A sobretaxa de 25% entra em vigor nesta quarta-feira (22). Pelas contas do Executivo, cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, avaliadas em US$ 7,4 bilhões, serão atingidas.
O impacto, no entanto, não será igual para todos. No setor de madeira, 81% das vendas ao mercado norte-americano ficarão sujeitas à nova cobrança. A medida alcançará ainda 56% das exportações de minerais não metálicos, 51% das de produtos químicos e 38% das de alimentos.
Enquanto tenta reduzir esses danos, o Brasil acompanha outra possível medida de Washington. Os Estados Unidos avaliam uma tarifa adicional de 12,5%, ligada a uma investigação sobre trabalho forçado, que poderá substituir uma cobrança provisória de 10% prevista para terminar no fim de julho.
