Incêndio destrói documentos e processos do Tribunal de Justiça do ES
UOL/FOLHAPRESS
Um incêndio de grandes proporções destruiu nesta terça-feira (21) documentos e processos armazenados pelo TJES (Tribunal de Justiça do Espírito Santo) em um galpão na região da Serra (ES); não houve feridos.
O fogo atingiu o Arquivo Geral do TJES por volta das 6h, no bairro Jardim Limoeiro, na Serra, região metropolitana de Vitória. Equipes da Serra e de Vitória foram mobilizadas para combater as chamas, segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo, coronel Alexandre Cerqueira, em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo, da TV Globo.
Os documentos e processos guardados no galpão foram totalmente destruídos. O TJES informou que parte do material estava digitalizada e que todos os processos enviados ao Arquivo Geral durante a atual gestão passaram previamente por digitalização.
O galpão tinha mais de 10 mil m² e reunia documentos e processos das comarcas de Vitória, Serra, Cariacica, Vila Velha e Viana. O imóvel também abrigava o almoxarifado do Judiciário estadual e depósitos de materiais da Secretaria de Engenharia e Gestão Predial.
Não houve feridos e o incêndio foi confinado. Os bombeiros conseguiram impedir que as chamas alcançassem outros galpões. Equipes permaneceram no local para combater focos remanescentes.
A perícia vai determinar as causas e as circunstâncias do incêndio. O comandante afirmou que a avaliação técnica permitirá esclarecer o que ocorreu no galpão. “Mais à frente, por meio da perícia de incêndio, a gente vai poder ter noção do que realmente se deu, do que aconteceu”, disse Cerqueira.
O galpão possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros válido e seguro contra incêndio. O tribunal afirmou ainda que havia videomonitoramento no imóvel e que esse tipo de vigilância havia sido reforçado.
A atual administração disse que vinha promovendo ações de organização, conservação e limpeza do espaço. Segundo o TJES, houve uma força-tarefa em junho e uma reorganização do Arquivo Geral em dezembro de 2025.
Bens permanentes novos foram retirados do galpão e não foram atingidos pelo incêndio. A transferência ocorreu durante a reorganização realizada em dezembro, após a posse da atual presidente do tribunal, desembargadora Janete Vargas Simões.
O TJES não informou quantos documentos e processos foram destruídos. O órgão também não detalhou qual parcela do material estava digitalizada e afirmou que apurará as causas e circunstâncias do incêndio em conjunto com os órgãos de segurança.
O sindicato dos servidores havia pedido providências para o Arquivo Geral em outubro de 2025. A entidade alertou para risco de incêndio, desorganização, mofo, pragas e condições inadequadas de armazenamento, segundo a emissora.
O alerta havia sido feito nove meses antes do incêndio que destruiu o galpão. O sindicato afirmou na época que as condições do local poderiam comprometer a preservação de documentos e colocar em risco a saúde dos servidores e trabalhadores terceirizados.
O galpão já havia registrado um princípio de incêndio em julho de 2024. Na ocasião, o fogo foi controlado pelos próprios servidores, que não tinham treinamento para esse tipo de ocorrência, conforme documentos apresentados pela emissora.
O UOL procurou o TJES e o Sindijudiciário-ES para obter mais informações sobre o alerta. O tribunal foi questionado sobre o recebimento do documento, as providências adotadas e uma eventual resposta à entidade. Ao sindicato, a reportagem pediu a íntegra do ofício e o posicionamento sobre o incêndio. Os questionamentos específicos não haviam sido respondidos até a publicação. O texto será atualizado em caso de manifestação.
