Comerciante desaparecido em SP foi atraído para emboscada, diz polícia

Comerciante desaparecido em SP foi atraído para emboscada, diz polícia


A Polícia Civil de São Paulo informou que o comerciante Marcelo Magalhães de Almeira, de 31 anos, desaparecido desde a última quinta-feira (16) em Carapicuíba, na Grande São Paulo, foi atraído para uma emboscada por um amigo e possivelmente morto após extorsão.

De acordo com as investigações, o crime foi premeditado e motivado por um desentendimento financeiro. Marcelo costumava ajudar financeiramente o homem que organizou a emboscada, mas teria decidido parar com os repasses, o que teria motivado a decisão de matá-lo.

Segundo a Polícia Civil, a investigação aponta que Marcelo já vinha sendo alvo de chantagens por parte do amigo. O delegado Fabiano Barbeiro afirmou que o comerciante fazia repasses financeiros ao suspeito havia algum tempo, mas havia decidido interromper os pagamentos.

Ainda de acordo com a polícia, os cerca de R$ 8 mil transferidos no dia do crime foram apenas a “última tacada” dos criminosos e não a principal motivação da ação. A vítima foi levada a um imóvel ao qual o investigado tinha acesso, onde foi amarrada, amordaçada e mantida refém por cerca de duas horas.

Durante esse período em cativeiro, o comerciante foi obrigado a realizar transferências de valores de sua conta bancária para os criminosos.

A polícia afirma que Marcelo permaneceu vivo durante todo o período em que foi mantido em cárcere e foi levado nessa condição até uma área de mata próxima a um córrego. Segundo o delegado, uma testemunha relatou que a vítima chegou a implorar para não ser morta, dizendo aos criminosos que poderiam ficar com o dinheiro, desde que poupassem sua vida.

Fabiano Barbeiro, responsável pelo caso, explicou que a ocorrência foi inicialmente registrada como desaparecimento, mas, com a constatação da subtração de valores e os indícios coletados, a natureza criminal foi alterada para homicídio qualificado.

Para a Polícia Civil, os elementos reunidos até o momento indicam que a intenção dos suspeitos era matar Marcelo desde o início. Por isso, o caso não é investigado como latrocínio (roubo seguido de morte). Segundo os investigadores, a retirada do dinheiro ocorreu de forma oportunista, após a vítima já ter sido atraída para a emboscada.

A perícia encontrou vestígios de sangue tanto no imóvel usado como cativeiro quanto no carro da vítima. Até o momento, três homens foram presos por envolvimento no crime e um quarto suspeito foi identificado e está foragido. Marcelo ainda não foi encontrado.

A noite do desaparecimento

Câmeras de segurança do condomínio onde Marcelo morava sozinho o registraram saindo com seu veículo por volta das 20h30 de quinta-feira.

Às 21h, ele foi visto em um bar na Estrada da Fazendinha acompanhado por um conhecido apelidado de “Fumaça“, que, posteriormente, apresentou à polícia diversas versões contraditórias sobre o sumiço do comerciante.

O carro de Marcelo, que é blindado e foi encontrado com diversas marcas de calçados no capô e no para-brisa, foi abandonado às 22h50 na Rua das Andorinhas.

Testemunhas relataram que um homem desconhecido, alto, magro, vestindo blusa preta, capuz azul e calça jeans clara, abandonou o automóvel no local e saiu correndo.

Prisões e buscas pelo corpo

O primeiro suspeito foi preso pela Polícia Militar na última sexta-feira (17). Ele já possuía um mandado de prisão em aberto por outro crime.

A partir da análise de imagens de segurança e provas documentais, a Polícia Civil identificou os demais envolvidos, resultando na prisão de mais dois suspeitos nesse domingo (19).

O corpo do comerciante, no entanto, ainda não foi localizado. Durante o fim de semana, a Polícia Militar montou uma operação massiva de buscas em uma área de mata da Sabesp, mobilizando cães farejadores, drones e o helicóptero Águia.

Com isso, a estratégia de buscas foi alterada após a Polícia Civil receber a informação de que o corpo de Marcelo teria sido deixado pelos criminosos em um córrego com correnteza. A mudança ocorreu após um dos suspeitos presos indicar aos investigadores o local onde o corpo teria sido deixado.

Segundo a Polícia Civil, o homem levou a equipe até uma área de mata próxima a um córrego, onde cães farejadores identificaram vestígios compatíveis com a passagem da vítima. Apesar disso, o corpo de Marcelo ainda não foi localizado e as buscas continuam.



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