Vítimas recusam reunião com assessores de Seguro – Observador

Vítimas recusam reunião com assessores de Seguro – Observador



A Associação Coração Silenciado, que reúne vítimas de abuso sexual na Igreja Católica, não aceitou reunir com duas assessoras do Presidente da República, depois de o pedido de audiência com António José Seguro ter sido recusado. A notícia foi avançada pelo jornal Expresso e confirmada pelo Observador.

Na última semana, a associação já tinha lamentado publicamente o silêncio do Presidente da República. “Nós já enviámos uma carta ao senhor Presidente da República a 22 de abril” e a “resposta tem sido sempre um pouco evasiva”, dizia o porta-voz da associação, António Grosso, sobre o pedido de audiência.

A resposta da Casa Civil acabaria por chegar na última sexta-feira: “A audiência solicitada não poderá ser concedida neste momento”. Aos representantes da associação era proposta uma reunião, sim, mas com Ana Santos Pinto e Cristina Neves Correia, assessoras do Presidente para assuntos das Religiões e da Saúde, respetivamente.

Mas a associação declinou. “O entendimento da associação é que quiseram remediar a situação com uma reunião à pressa com as assessoras. Mas o Presidente não teve o respeito de receber as vítimas”, lamentou António Grosso ao Expresso.

Ao Observador, o porta-voz da Associação Coração Silenciado diz que “foi tudo uma grande trapalhada”, desde logo por terem sido avisados “por telefone” da audiência prevista para “o dia seguinte às 14h”.

Tendo em conta a “gravidade da situação”, o responsável insiste numa audiência com António José Seguro, como requerido em abril. “Queremos que o Estado deixe de estar omisso nesta responsabilidade”, sublinha António Grosso, notando que isso passa por “chamar a atenção aos órgãos de soberania”.

A Associação Coração Silenciado pediu uma audiência com António José Seguro para apresentar uma proposta de revisão do processo de indemnização definido pelo Grupo Vita e pela Conferência Episcopal às vítimas de abusos sexuais cometidos no seio da Igreja Católica. Segundo António Grosso, a proposta passa por uma “revisão e a auditoria de todo o processo de apoio e compensações”, pois estarão em causa “muitas ilegalidades cometidas no que diz respeito a direitos das vítimas”, alerta, referindo-se a “erros” como o facto de terem sido cortadas “40 pessoas por serem consideradas não elegíveis”.

O Observador contactou a Presidência da República, mas não obteve esclarecimentos sobre o tema. Enquanto aguardam por uma proposta de data para reunir com o Presidente, a associação decidiu entretanto entregar o dossier que apresentará a António José Seguro também na Assembleia da República, mas só o fará em setembro. “Na rentrée iremos contactar os deputados, depois das férias”, justifica Grosso.

Os valores das compensações aprovadas pela Conferência Episcopal Portuguesa são de entre 9 mil e 45 mil euros para cada queixoso, números considerados uma “afronta” pela associação das vítimas, que questiona o método definido para chegar aos valores e alerta que os montantes “nem sequer alcançam o valor que o Papa Francisco chegou a sugerir: ‘nunca menos de 50.000 euros’”. Até à data, 57 vítimas tiveram direito a uma indemnização.





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