Prefeito de Alpinópolis critica Gusttavo Lima: “Cantar aqui uma hora e levar embora R$ 1,5 milhão não justifica”
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- Prefeito Rafael Freire (PSB) criticou pagamento de R$ 1,5 mi a Gusttavo Lima por show de ~1 h na abertura da VentAgro em Alpinópolis, 14/07.
- A 43ª Exposição Agropecuária de Alpinópolis (Expoal) foi cancelada antes dos shows por baixo volume de vendas e inviabilidade financeira.
- O sindicato dos produtores rurais garantiu devolução dos ingressos comprados por internet, cartão ou Pix.
- A VentAgro ocorreu de 14 a 19 de julho, reunindo produtores, empresas e instituições do agronegócio; Freire foi reeleito em 2024 com 62,28 % dos votos.
O prefeito de Alpinópolis, Rafael Freire (PSB), fez duras críticas ao valor cobrado para uma apresentação do cantor sertanejo Gusttavo Lima durante a abertura da VentAgro, feira de agronegócios realizada no município mineiro, na última terça-feira (14).
Ao comentar o cancelamento da 43ª Exposição Agropecuária de Alpinópolis, a Expoal, Freire afirmou que o cantor receberia R$ 1,5 milhão por uma apresentação de aproximadamente uma hora.
“Que me perdoe o Gusttavo Lima, mas não justifica um cantor igual o Gusttavo Lima vir a Alpinópolis, uma cidade de 20 mil habitantes, cantar aqui uma hora e levar embora um milhão e meio. Não justifica”, declarou.
Rafael Freire foi reeleito pelo PSB em 2024, com 62,28% dos votos válidos.
Veja vídeo:
https://www.instagram.com/_rafael.freire/reel/Daychr2ovD8/
Expoal foi cancelada antes dos shows
A 43ª Expoal estava prevista para ocorrer entre os dias 16 e 19 de julho, no Parque de Exposições de Alpinópolis. Materiais de divulgação anunciavam Gusttavo Lima entre as principais atrações da edição de 2026. A programação também incluía nomes como Hugo & Guilherme e Zé Henrique & Gabriel.
O Sindicato dos Produtores Rurais de Alpinópolis, responsável pela realização da exposição, anunciou o cancelamento e informou que os valores dos ingressos comprados pela internet, por cartão ou Pix seriam devolvidos. Relatos locais atribuíram a decisão ao baixo volume de vendas e à inviabilidade financeira do evento.
A VentAgro, por sua vez, foi mantida. A feira começou em 14 de julho e seguiu até o dia 19, reunindo produtores rurais, empresas e instituições ligadas ao agronegócio. A cerimônia de abertura contou com Freire, dirigentes sindicais e representantes do Sistema Faemg Senar.
Durante o discurso, o prefeito afirmou que o sindicato tinha condições de organizar a Expoal, mas acabou atingido pelo modelo de funcionamento do mercado de grandes shows.
“Infelizmente, não teve uma adesão do público. Isso foi de forma muito transparente colocado para todos. E fazer o quê quando não há essa adesão?”, questionou.
Prefeito fala em “máfia de empresários”
Freire ampliou as críticas e afirmou que existe uma “máfia de empresários” atuando no setor de eventos sertanejos. O prefeito usou a expressão para denunciar o que considera uma exploração financeira de sindicatos, prefeituras e cidades pequenas.
“Uma máfia que nós temos hoje nesse país dentro do setor de eventos, principalmente eventos sertanejos. É uma máfia de empresários que está explorando sindicatos, está explorando prefeituras, está explorando pequenos municípios”, declarou.
Segundo o prefeito, o cachê representa apenas uma parte dos custos impostos às organizações. Ele citou gastos adicionais com camarim, transporte, segurança e toda a estrutura exigida pelas equipes dos artistas.
Freire também criticou a distância entre os valores recebidos pelos grandes nomes da música e a realidade econômica dos trabalhadores e produtores rurais da região.
“Já pensou quanto que um trabalhador assalariado tem que suar a camisa aí, quanto que um produtor rural tem que gastar horas para se levar debaixo do sol quente para juntar um milhão e meio de reais? Vocês já pararam para fazer conta disso?”, perguntou.
“Cultura não pode ser privilégio de poucos”
Após o discurso, Freire publicou um trecho da fala nas redes sociais e afirmou que a escalada dos cachês e dos custos está “sufocando as festas populares em todo o Brasil”.
Segundo ele, as consequências são eventos cancelados, ingressos mais caros e a exclusão de parte da população do acesso à cultura e ao entretenimento.
“Em Alpinópolis, fizemos uma escolha diferente. Cultura não pode ser privilégio de poucos. Por isso, realizamos eventos de qualidade, com responsabilidade, sem extravagâncias e com respeito ao dinheiro público”, escreveu.
“É preciso enfrentar essa realidade. Enquanto alguns tratam a cultura como um negócio para poucos, nós continuaremos defendendo que ela seja um direito de todos. Falar a verdade incomoda. Mas o silêncio custa muito mais caro”, completou.
A reportagem da Fórum não localizou, até o fechamento deste texto, uma manifestação pública de Gusttavo Lima ou de sua equipe sobre as declarações do prefeito.
