Lindbergh denuncia fake news e expõe destino de R$ 4 milhões
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- Deputado federal Lindbergh Farias (PT‑RJ) publicou vídeo em 18/04 negando destinação de emenda ao MST no Paraná.
- Ele classificou a reportagem do Metrópoles (17/04) como fake news e acusou bolsonaristas de intimidação.
- Documentos da Conab indicam que a emenda de R$ 4 mi foi destinada ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e os alimentos distribuídos no Rio de Janeiro.
- A matéria alegava pagamento de R$ 1,7 mi a cooperativas paranaenses ligadas ao MST, porém a destinação oficial foi nacional.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) publicou neste sábado (18) um vídeo para rebater a versão de que teria destinado emendas parlamentares ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná, base eleitoral de sua companheira, a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR). O parlamentar classificou a abordagem como “fake news” e afirmou que bolsonaristas tentam intimidá-lo.
A acusação surgiu em reportagem publicada na sexta-feira (17) pela coluna de Andreza Matais, no Metrópoles. O texto afirma que R$ 1,7 milhão oriundo de uma emenda de Lindbergh foi pago a três cooperativas paranaenses ligadas ao MST. Documentos oficiais e uma manifestação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), porém, mostram que a emenda de R$ 4 milhões foi destinada ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com abrangência nacional, e que os alimentos comprados foram distribuídos no Rio de Janeiro.
Lindbergh acusa bolsonaristas de tentar intimidá-lo
Na publicação, Lindbergh pediu que seus seguidores compartilhassem o vídeo e reagiu à circulação da reportagem por perfis ligados à direita.
“Os bolsonaristas estão alvoroçados com uma fake news que produziram contra mim. Eles acham que vão nos calar e intimidar? Nunca!”
O ponto central da controvérsia está na diferença entre o destino da emenda, os fornecedores contratados e o local onde os alimentos foram entregues. As cooperativas do Paraná receberam recursos pela venda de arroz, feijão e outros produtos ao PAA. Elas não aparecem no documento orçamentário como beneficiárias diretas da emenda apresentada pelo deputado.
Segundo Lindbergh, o recurso foi indicado para combater a insegurança alimentar e atender famílias residentes em periferias e favelas do Rio de Janeiro. A escolha das organizações fornecedoras, afirma o parlamentar, coube à Conab, responsável pela execução do programa.
Documento da Conab registra emenda nacional de R$ 4 milhões
O Plano de Trabalho nº 10/2025 da Conab registra a emenda nº 32730003, de autoria de Lindbergh Farias, no valor de R$ 4 milhões. O localizador da despesa é “Nacional” e a unidade responsável pela execução é a própria companhia pública.
O objeto definido no documento é a aquisição de alimentos da agricultura familiar e sua distribuição gratuita por meio da modalidade Compra com Doação Simultânea. O plano não indica o MST ou qualquer uma das cooperativas paranaenses como destinatário direto da emenda parlamentar.
A própria reportagem que originou a reação de Lindbergh passou a reproduzir uma nota da Conab segundo a qual “toda a distribuição dos alimentos ocorreu” no Rio de Janeiro. A companhia informou que a entrega foi realizada a pessoas em situação de insegurança alimentar por entidades como a Ação da Cidadania e a Central Única das Favelas (Cufa).
De acordo com a Conab, organizações do Paraná e do Rio Grande do Sul foram contratadas porque a agricultura familiar fluminense não produz arroz, feijão e farinha de mandioca em escala suficiente para atender à demanda. Cooperativas do Rio forneceram hortaliças, verduras e frutas.
PAA permite compra em um estado e doação em outro
O Programa de Aquisição de Alimentos conecta duas etapas distintas. O governo compra produtos de agricultores familiares e os destina gratuitamente a organizações que atendem pessoas sem acesso regular à alimentação adequada.
A Lei nº 14.628, de 2023, que reinstituiu o PAA, inclui os assentados da reforma agrária entre os públicos prioritários para o fornecimento de alimentos. A participação de cooperativas ligadas ao MST, portanto, integra a própria estrutura legal do programa e não representa, por si só, irregularidade.
A reportagem do Metrópoles identificou pagamentos de aproximadamente R$ 1,06 milhão à Cooperativa de Comercialização Camponesa Vale do Ivaí, R$ 374 mil à Cooperativa de Produção, Industrialização e Comercialização Agrícola Ribeirão Vermelho e R$ 260 mil à Cooperativa Agroindustrial de Produção e Comercialização Conquista.
Esses registros confirmam que as cooperativas paranaenses foram remuneradas pelos alimentos fornecidos. Não demonstram, porém, que Lindbergh tenha escolhido diretamente essas entidades, que os recursos tenham sido entregues ao MST sem contrapartida ou que o Paraná tenha sido o destino final da política pública.
Deputado trava embate contra desinformação bolsonarista
A reação ocorre em uma disputa mais ampla envolvendo Lindbergh e a circulação de conteúdos bolsonaristas. Em janeiro, a Fórum mostrou que o deputado acionou órgãos públicos contra Flávio Bolsonaro pela divulgação de um vídeo editado e descontextualizado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No episódio das emendas ao PAA, os documentos disponíveis delimitam os fatos: Lindbergh apresentou uma emenda nacional de R$ 4 milhões para o programa; a Conab executou a compra dos alimentos; parte dos fornecedores estava no Paraná; e, segundo a companhia, toda a comida foi distribuída a pessoas em situação de vulnerabilidade no Rio de Janeiro.
