O “catrapum” da Alemanha e os remates para Las Vegas – Observador

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“Momentos de Glória”. Já sentem um vazio nas vossas vidas.
Eu não.
Isto está quase a acabar e há aqui um sentimento de nostalgia. O Mundial termina no domingo.
É verdade.
É claro que vamos continuar a falar de futebol, mas já não é a mesma coisa. Vamos deixar de ter os relatos. Isso é triste. E é por isso que o “Momentos de Glória” de hoje vai ser feito pela equipa da Rádio Observador, que fez as narrações dos jogos e também do Minuto 90, que acompanhou sempre aqueles últimos momentos de todos os jogos deste mundial. O Ricardo Loureiro, o Diogo Varela e o João Lourenço vão aqui dar-nos umas lições sobre o que é falar de futebol, a poesia do futebol. Acham bem? Parece-lhes bem?
Claro.
Muito bem. Ricardo Loureiro, quando vemos um lance que parecia mesmo que era, mas que não era, como é que tu dizes?
Olha o golo! Não chega!
Ok, mantém-se aqui o mesmo tom e não chega e ninguém dá por isso. Então, Ricardo, e quando o remate é completamente ao lado?
Agora, Renato, vai dar um pontapé para Las Vegas. Que chute!
Mas foi para Las Vegas.
E fica lá. Vai para Las Vegas.
Fica lá. É bom, não é, Ricardo? Mas tenta agora com outra expressão.
Vai Ronaldo! Vargas, o remate no meio da rua, quase num outro código postal.
Fica aqui conosco mais um bocadinho, Ricardo Loureiro. Como é que se pode elogiar agora a prestação de um guarda-redes?
Vemos que o fora de jogo foi tirado pelos 43 de biqueira larga do jogador.
Não era este. Espera, não era este.
Que defesa! Que defesa de Diogo Costa. Com dificuldades para a seleção portuguesa. O remate, que defesa! É Diogo Costa. Uma estirada para a sua direita, a tirar o perigo da sua baliza. Que defesa de Diogo Costa. Foi à guarda Resident Ball. Arias mete a grande área, pontapé, que defesa! Outra vez sensacional a voar, Diogo Costa. Foi voadora, tem sido voador, Diogo Costa. Que intervenção, que parada, que palmada.
Ora bem. Que palmada!
Que palmada!
Mas o Ricardo já nos queria dizer agora como é que se descreve um fora de jogo, quando é causado por um pé colocado ali um nadinha mais à frente.
Milimétrico.
Vemos que o fora de jogo foi tirado pelos 43 de biqueira larga do jogador da Colômbia.
Fica bem explicado, não fica? Já vamos voltar ao Ricardo. Agora vamos juntar o Diogo Varela, o João Lourenço e a Rita Camarnero. Eles estão a relatar um jogo decidido aos pênaltis. Lembram-se daquele Alemanha-Paraguai? Foi uma loucura.
Parte para a bola, Jonathan Tah. Não é rugby! Não é rugby, é futebol. Falha Jonathan Tah. Terceira oportunidade para o Paraguai fechar esta eliminatória e fazer história neste campeonato do mundo. Remate totalmente sem enquadramento por parte da central.
É que na América é o soccer.
Eles pensavam que tinham as balizas da NFL no relvado. Não têm. Lá vai José Maria Figueres. O Paraguai! O Paraguai faz história. Die Mannschaft, melhor dizer, Die Goodbye. Está feita a história neste campeonato do mundo. É o Paraguai que segue para as oitavas de final. Catrapum! A Alemanha está fora.
João Lourenço.
Catrapum.
Catrapum é muito bom. Vamos continuar agora com o Diogo Varela, mas por favor, agora com pouco barulho para ver se não o distraímos.
Ou seja, evitou que a Suécia ainda pudesse– olha o golo. 3 x 0. 3 x 0 para os Países Baixos. Lá está, uma pessoa distrai-se a olhar para o texto e é golo. É 3 x 0.
Não há respeito já por quem relata os jogos.
Olha o golo. Diogo, desculpa, já não te vamos distrair mais, mas vamos chamar uma última vez aqui o Ricardo Loureiro, porque ainda não fizemos aquilo que é obrigatório, que é testar a capacidade torácica do nosso narrador de futebol. Força aí.
Rafael Leão entrou com tanta vontade de jogar isto como eu de ir a nado atravessar o rio Tejo. Vai Vitinha, domina a bola, faz uma simulação de corpo, lança para a esquerda, passe é bom para o corredor, cruzamento primeiro poste, cabeçada, vai ser e é golo! É nossa!
Isto dava para atravessar o rio a nado.
João Neves, que testada, que golo! Está feito o primeiro numa jogada champagne.
Estão a ver?
Temos que experimentar isto.
Temos que experimentar. Agora, preparem-se disto só daqui a quatro anos.
Que pena.
