Globo apela para drama religioso durante semifinal da Copa exclusiva da CazéTV

Na tarde desta terça-feira, 14, França e Espanha se enfrentam nos Estados Unidos pela primeira vaga na final da Copa do Mundo, marcada para o próximo domingo. Exclusivo da CazéTV, o jogo coincide com o horário da Sessão da Tarde na Globo, que escolheu um filme religioso para bater de frente com o futebol.
Selecionado a dedo pela emissora para tentar atrair o público cristão, e os menos ligados em futebol, Fé Nas Alturas narra a história de uma família que enfrenta uma experiência considerada milagrosa durante uma viagem de avião. De acordo com a sinopse oficial, a trama é inspirada na história real de “fé e sobrevivência” de um farmacêutico que precisa assumir o controle do avião em que viaja com a família depois que o piloto morre no ar. Sem experiência, ele se baseia em instruções básicas e nas orações da esposa e das filhas para pousar a aeronave em segurança.
Com início previsto para as 15h20, o filme deve concorrer com o primeiro tempo da semifinal europeia, que começa à 16h na CazéTV. Já na segunda fase da partida, a reprise de Avenida Brasil entra em cena no Vale a Pena Ver de Novo.
Por que a Globo não exibe a semifinal entre França e Espanha?
Desde o início do torneio, uma pergunta insistente martela na cabeça do público: por que, afinal, alguns jogos importantes não estão sendo exibidos na Globo e Sportv? A resposta passa pela aquisição dos diretos da emissora, que comprou apenas metade das partidas do mundial — mais precisamente, metade dos jogos de cada etapa da competição. Os demais são exclusivos da CazeTV.
Como a semifinal conta apenas com duas partidas, somente uma pode ser exibida na tv — enquanto a outra é transmitida apenas no YouTube. Na semifinal, o canal de Casimiro Miguel teve prioridade na escolha, e selecionou o embate europeu como jogo exclusivo da plataforma. Com isso, Globo e SBT ficaram com Argentina x Inglaterra, marcado para o dia seguinte, também às 16h.
Por que a Globo abriu mão de metade da Copa do Mundo?
Em 2021, a emissora da família Marinho renegociou o contrato que tinha com a Fifa, no valor de 90 milhões de dólares anuais pelos direitos de transmissão, e passou a pagar 40 milhões por ano. Afetada pela pandemia, visando cortar custos — e sem dar à internet seu devido valor —, abriu mão da exclusividade da Copa de 2022 e do torneio seguinte no mundo virtual e, mais tarde, optou por comprar apenas metade dos jogos do torneio de 2026.
São várias as teorias para a decisão da Globo. Nos bastidores, a justificativa mais aceita é que, quando renegociou seu contrato com a Fifa, a emissora julgou que, com o aumento de 64 para 104 jogos em 2026, exibir todos eles afetaria demais sua grade e não compensaria o custo elevado. “O grande desafio é combinar a escalada dos custos de direitos e a estratégia para capturar a atenção do torcedor, que está fragmentada”, disse Manuel Belmar, CFO da Globo, em reportagem de VEJA. Hoje, a visão é de que o negócio subestimou a concorrência e se revelou um erro estratégico que deu de bandeja à Cazé o mote de ser “a única a ter todos os jogos da Copa”.
