Copa: Thomas Tuchel tenta quebrar escrita de 48 anos – 14/07/2026 – Esporte
Thomas Tuchel pode se tornar nesta quarta-feira (15), em Atlanta, o terceiro técnico estrangeiro a levar uma seleção à final de uma Copa do Mundo. Para isso, a Inglaterra precisa vencer a Argentina na semifinal. A partida será disputada às 16h (de Brasília).
Antes dele, apenas dois treinadores conseguiram o feito. O inglês George Raynor levou a anfitriã Suécia à final de 1958 –acabou derrotada por 5 a 2 pelo Brasil de Pelé. Vinte anos depois, o austríaco Ernst Happel conduziu a Holanda à decisão de 1978, vencida pela Argentina na prorrogação (3 a 1).
Desde então, nenhum estrangeiro voltou a disputar uma final de Copa. E, em toda a história do torneio, iniciada em 1930, nunca um técnico nascido fora do país da seleção campeã levantou a taça.
O alemão foi anunciado pela Federação Inglesa (FA) em outubro de 2024 e assumiu oficialmente o cargo em janeiro de 2025, no lugar de Gareth Southgate, que havia levado a Inglaterra às semifinais da Copa de 2018 e às finais das Eurocopas de 2021 e 2024, ambas perdidas.
Sob seu comando, a Inglaterra venceu os oito jogos das Eliminatórias para a Copa de 2026, sem sofrer gols. O desempenho levou a Federação Inglesa a renovar o contrato de Tuchel até a Eurocopa de 2028, em fevereiro deste ano, meses antes do início do Mundial.
No mata-mata, os ingleses eliminaram República Democrática do Congo, México e Noruega. A vitória por 2 a 1 sobre os noruegueses, na prorrogação, garantiu a vaga na semifinal contra a Argentina, que também precisou do tempo extra para bater a Suíça.
A Inglaterra tenta voltar à decisão pela primeira vez desde o título conquistado em 1966.
O Mundial deste ano marcou um recorde de técnicos estrangeiros. Das 48 seleções participantes, 27 iniciaram a competição sob o comando de treinadores nascidos em outro país, contra nove entre as 32 equipes da edição de 2022.
Até as quartas de final, apenas Tuchel e o francês Rudi Garcia, técnico da Bélgica, permaneciam na disputa pelo título. Garcia acabou eliminado pela Espanha.
Antes dele, o italiano Carlo Ancelotti caiu com o Brasil nas oitavas de final, derrotado pela Noruega, e o espanhol Roberto Martínez foi eliminado, com Portugal, também pela seleção espanhola.
Para o jornalista e escritor Simon Kuper, autor de “Soccernomics”, a resistência histórica aos treinadores estrangeiros vai além do futebol. “Acho que é, em parte, uma questão de orgulho nacional”, disse Kuper à Reuters.
Segundo ele, uma Copa do Mundo não é só disputada para vencer: cada seleção também exibe a cultura futebolística do próprio país, e isso inclui a escolha do técnico.
Kuper afirma que a globalização reduziu as diferenças entre as antigas escolas nacionais de futebol. Com treinadores, jogadores e métodos circulando pelos principais campeonatos do mundo, a nacionalidade do comandante passou a pesar menos na escolha das federações.
Antes, diz o autor, contratar um estrangeiro era visto por muitas federações como desonesto e como um desprezo aos técnicos do próprio país.
No Brasil, por exemplo, isso foi tratado como um tabu. Ancelotti é apenas o quarto estrangeiro a comandar a seleção brasileira, e seus antecessores estiveram longe de construir um grande histórico.
Todos tiveram passagens bem breves. Compõe a lista o uruguaio Ramón Platero, o português Joreca e o argentino Filpo Nuñez. O trio totaliza em conjunto apenas sete partidas no comando do Brasil, com cinco vitórias, um empate e uma derrota.
Ancelotti já tem 17 jogos e contrato fechado até o fim do torneio de 2030.
Ao fim da última edição da Copa, em dezembro de 2022, pesquisa Datafolha mostrou que 41% dos brasileiros eram a favor da contratação de um técnico estrangeiro. O número ainda era inferior aos 48% que se mostravam contrários, porém o levantamento apontava uma queda na rejeição. Antes do Mundial no Qatar, havia 30% a favor e 54% contra.
Tuchel, inclusive, foi questionado sobre as escolhas de Ancelotti, que teria ‘mudado a identidade da equipe brasileira’ antes da partida contra a Noruega.
O alemão fez uma convocação considerada polêmica, em que deixou fora estrelas como Cole Palmer, Phil Foden e Trent Alexander-Arnold, mas os ‘substitutos’ vêm dando conta do recado.
“Qual é a conexão disso com Carlo [Ancelotti]?”, questionou, antes de emendar a resposta: “Não sei se eu tentei mudar a identidade. Tentei apoiar os jogadores e construir uma plataforma para eles. Mostrar suas qualidades. E acho que vemos isso especialmente na Copa do Mundo”.
“Eu admiro Carlo. É um dos técnicos de maior sucesso, e um cavalheiro. Eu tenho muita certeza de que ele fez o seu melhor. É só futebol às vezes. Você tem que sofrer em derrotas para voltar mais forte”, complementou.
