França-Espanha, Mbappé e Yamal, ou o duelo de treinadores que Portugal já fintou

França-Espanha, Mbappé e Yamal, ou o duelo de treinadores que Portugal já fintou


França contra Espanha. O vice-campeão do mundo e campeão em 2018, contra o atual campeão europeu. Ousmane Dembélé ou Kylian Mbappé contra Lamine Yamal ou Rodri. Entre outras estrelas que, de um lado e outro, do individual ao coletivo, procuram confirmar o primeiro finalista do Mundial 2026.

A primeira de duas meias-finais do Campeonato do Mundo disputa-se esta terça-feira (20h00) no Estádio AT&T (palco onde Portugal caiu ante os espanhóis) e, com ela, traz o capítulo número 39 do duelo entre espanhóis e franceses, com saldo histórico um pouco mais favorável a “nuestros hermanos”: são 18 vitórias, para 13 de França e sete empates. Porém, em 38 desses duelos, apenas um foi em Mundiais. Em 2006, na Alemanha, foi a França a vencer por 3-1 nos oitavos de final. David Villa até deu vantagem a “La Roja”, mas Franck Ribéry, Patrick Vieira e Zinédine Zidane deram a volta. Como será 20 anos depois, sabendo-se que a vitória vale bilhete para a final?

Os dados desse duelo em 2006:

Ora, e por falar em acessos a finais, é também relevante lembrar que, em 2024 e 2025, Espanha levou a melhor nas outras duas meias-finais de competições oficiais que teve ante os gauleses, já com os atuais selecionadores: Luis De La Fuente e Didier Deschamps.

Há dois anos, venceu por 2-1 (golos de Yamal e Olmo deram a volta ao golo inicial de Kolo Muani) para chegar à final do Europeu, na qual bateu a Inglaterra. Há pouco mais de um ano, aquele célebre e louco 5-4 na Liga das Nações (troféu que Portugal ganharia), num jogo em que Espanha esteve a vencer por 5-1 e acabou por quase ver o adversário fazer uma recuperação épica: Nico Williams, Mikel Merino, Lamine Yamal (x2) e Pedri marcaram para Espanha, Mbappé, Cherki, um autogolo de Dani Vivian e Kolo Muani fizeram os tentos franceses. Não haverá duas vitórias sem a terceira para Espanha? Ou é à terceira que França vence uma meia-final com os espanhóis?

História recordada, frente a frente vão estar o segundo ataque mais concretizador da prova e a defesa menos batida neste Mundial 2026. França leva 16 golos marcados, só atrás dos 17 da Argentina, enquanto Espanha é – e ex-aequo com Alemanha, Países Baixos e EUA – o sexto melhor ataque, com 11 golos marcados. Por outro lado, os registos defensivos prometem um duelo interessante para perceber quem quebra (ou se quebra, porque um 0-0 é sempre possível e isto pode ir a penáltis). É que Espanha só sofreu um golo neste Mundial em seis jogos (o mesmo registo do que a Colômbia, mas em cinco jogos). E França surge logo a seguir, com apenas dois golos sofridos.

E, para aqui chegarem, as duas seleções tiveram um percurso quase imaculado. França venceu os seus seis jogos e Espanha, depois de surpreendida por Cabo Verde com um empate, venceu os cinco duelos seguintes. Entre as estatísticas gerais, além dos golos marcados e sofridos, do lado de França destacam-se mais três aspetos. De acordo com os dados do Sofascore, parceiro estatístico do Maisfutebol, França é a seleção com melhor média de grandes oportunidades por jogo (4.5) e de remates à baliza (7.8), sendo a segunda, só atrás de Espanha, no número de jogos sem sofrer golos. Do lado espanhol, de destacar o jogo com bola: é a segunda seleção com mais passes precisos (589.3) e também a segunda com maior percentagem de posse de bola (65,8%), fechando ainda o pódio no capítulo de remates à baliza por jogo (6.7).

Rodri e Mbappé no topo até agora

De um lado e de outro estão vários dos melhores jogadores do mundo e, naturalmente, há quem se destaque individualmente em prol do coletivo. Com ideias de jogo distintas entre uma e outra seleção, os dados do SofaScore mostram que Rodri tem a mais alta pontuação média de desempenho nos seis jogos até agora (7.70 em 10) por Espanha. Do lado francês, Mbappé, pois claro, com 8.28. Afinal, tem sido decisivo no marcador em quase todos os jogos e é, com oito golos, a par de Messi, o melhor marcador do Mundial 2026. Ainda assim, e apesar do destaque ofensivo nos remates, toques na grande área ou passes-chave, imagine-se se concretizava mais ocasiões claras: só fez quatro em 11! Do lado espanhol, sem golos e assistências, Rodri não deixa de ser importante, tendo outro tipo de influência, mais cerebral, de bola no pé e de anulação do adversário.

O duelo dos bancos (e uma curiosidade com Portugal pelo meio)

De dentro das quatro linhas para os bancos, ali estão os homens que lideram: Deschamps e De La Fuente. Dois percursos com extensão bem distinta (o francês leva cerca de 14 anos e 185 jogos e o espanhol três anos e 47 jogos), mas que encontram na conquista de títulos o dado mais comum: dois para cada lado.

Deschamps, de 57 anos, desde 2012 ao leme, venceu o Mundial 2018 (ante a Croácia) e a Liga das Nações 2020/21 (precisamente ante Espanha, a quem venceu aí pela última vez). No Euro 2016 e no Mundial 2022, chegou às finais, mas perdeu, respetivamente, para Portugal e Argentina. Já De La Fuente, de 65 anos, ao comando da seleção desde 2023, após ter treinado as seleções jovens, venceu o Euro 2024 (ante Inglaterra) e Liga das Nações de 2022/23 (ante a Croácia, mas só nos penáltis). Mas, tal como Deschamps, também perdeu uma final para Portugal, a Liga das Nações 2024/25.

França mantém-se na rota dos êxitos mundiais de 1998 e 2018? Ou Espanha em busca de repetir o título mundial de 2010? Siga o França-Espanha, AO MINUTO, no Maisfutebol.



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