Montenegro convicto que integridade da Dinamarca “não está em causa”

Montenegro convicto que integridade da Dinamarca “não está em causa”



Em declarações aos jornalistas à chegada à cimeira dos chefes de Estado e de Governo da NATO, em Ancara, Luís Montenegro frisou que, se a Aliança tem um compromisso de “garantir a integralidade territorial de todos os Estados-membros da NATO face a países externos e terceiros”, isso também se deve aplicar a casos internos.


“E creio que, independentemente das declarações e do contexto em que elas foram proferidas, não estará em causa, de maneira nenhuma, a integralidade territorial de nenhum Estado-membro da NATO, incluindo, naturalmente, a Dinamarca”, afirmou.


Questionado se manifesta assim solidariedade com Copenhaga, após Donald Trump ter esta terça-feira, à chegada a Ancara, novamente insistido que a Gronelândia deve pertencer aos Estados Unidos, Montenegro respondeu: “Solidariedade com Copenhaga, solidariedade com o princípio de salvaguarda da integralidade territorial de todos os Estados-membros”.


“Repito, se o fazemos com um contexto externo, é óbvio que, em primeiro lugar, devemos salvaguardá-lo também no contexto interno”, reforçou.


Interrogado se acha que existe efetivamente algum rancor de Donald Trump para com a NATO, o primeiro-ministro respondeu: “Creio que não”. “Naquilo que eu já me pude aperceber dos trabalhos até ao momento, não me parece que haja razão para dizer isso”, afirmou.


Interesses nacionais de segurança marítima assegurados

O primeiro-ministro realçou hoje que Portugal está numa “trajetória de cumprimento” dos objetivos assumidos no âmbito da NATO, esperando que os seus interesses no âmbito da “segurança marítima” do Atlântico sejam acautelados pelos restantes aliados.

“Portugal está à altura da sua responsabilidade enquanto parceiro e, naturalmente, também espera que, no âmbito da Aliança, os nossos interesses possam ser acautelados, nomeadamente no que diz respeito à segurança marítima, que é uma área na qual temos redobrado empenho na defesa do nosso território, e também na defesa do interesse de toda a Aliança Atlântica”, realçou Luís Montenegro, à chegada à cimeira da NATO, que decorre em Ancara, capital da Turquia.

Na opinião do primeiro-ministro, esta reunião de chefes de Estado e de Governo dará “sequência ao reforço do pilar europeu dentro da NATO e dos compromissos de investimento de todos os países da Europa, no âmbito do qual Portugal tem vindo a assumir também a sua responsabilidade”.

O governante realçou que Portugal terminou o ano de 2025 cumprindo o objetivo de ter um investimento em Defesa superior a 2%, que se fixou nos 2,01%, salientando que tal só foi possível “através de um esforço adicional”.

“Estamos numa trajetória de cumprimento, o que acontece pela primeira vez desde 2014. Isso significa que, a par daquilo que são as nossas missões e a integração em muitas operações no âmbito da NATO, como acontece hoje na Roménia, na Eslováquia, na Lituânia”, enumerou.


Os chefes de Estado e de Governo da NATO reúnem-se hoje em Ancara, no segundo e último dia da cimeira da Aliança Atlântica que terá como principal foco o reforço do investimento em Defesa, nomeadamente dos aliados europeus face a um recuo dos Estados Unidos (EUA), e o apoio à Ucrânia.


 


c/Lusa



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