Membros do MBL tumultuam aula de Haddad na Unicamp, provocam briga e são expulsos

Membros do MBL tumultuam aula de Haddad na Unicamp, provocam briga e são expulsos


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  • Membros do MBL e do partido Missão, identificados como Matheus Pereira e Gabriel Piauhy, interromperam a aula magna de Fernando Haddad na Unicamp na noite de 2 de julho.
  • Ao questionar a fala sobre desafios econômicos do Brasil, os manifestantes foram vaiados e a situação evoluiu para empurrões e socos entre os presentes.
  • A segurança expulsou os agitadores do Teatro de Arena e do campus; a Polícia Militar foi acionada, mas não precisou intervir.
  • Haddad retomou a palavra, alegou não ter entendido os protestos e afirmou que está se preparando intensamente para a campanha eleitoral.

A aula magna do pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi interrompida na noite desta quinta-feira (2) por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e do partido Missão. O evento, realizado no Teatro de Arena da Unicamp, discutia os desafios econômicos do Brasil quando membros do grupo de extrema direita passaram a gritar durante a fala de Haddad, gerando uma confusão que escalou para empurrões e socos entre os grupos presentes. A segurança retirou os manifestantes do local e, em seguida, do campus; a Polícia Militar (PM) foi acionada, mas não precisou intervir.

Tumulto na Unicamp

O Teatro de Arena da Unicamp estava lotado de apoiadores de Haddad quando a aula magna foi interrompida por pelo menos dois integrantes do MBL, identificados como Matheus Pereira, pré-candidato a deputado estadual pelo partido Missão, e Gabriel Piauhy, pré-candidato a deputado federal pelo mesmo partido. Os dois passaram a gritar questionamentos durante a fala de Haddad, sendo vaiados pela plateia. “Vamos voltar para a aula aqui”, pediu um dos organizadores ao microfone, sem conseguir conter a situação de imediato.

A confusão rapidamente extrapolou o interior do teatro. Vídeos publicados nas redes sociais mostram trocas de agressões nas proximidades da Diretoria Acadêmica da universidade, com empurrões e socos entre manifestantes e participantes do evento. Haddad permaneceu no palco durante o tumulto e, ao retomar a palavra, disse ao público que não havia entendido o que foi dito pelos manifestantes. Ao encerrar sua fala, declarou que está “treinando, exercitando cabeça e corpo” para a campanha eleitoral e que pretende “ganhar de qualquer jeito”. O pré-candidato deixou o evento em seguida, sem falar com a imprensa, sob gritos de “fora, Tarcísio” de apoiadores.

Veja vídeos:

Versões e acusações

Matheus Pereira, em nota divulgada após o incidente, afirmou que foi ao evento para questionar Haddad sobre a chamada “taxa das blusinhas” e sobre uma suposta campanha eleitoral antecipada, e que foi recebido com “socos e chutes pelos estudantes e seguranças do Haddad”, segundo o UOL. “A todo momento, deixamos claro que não queríamos briga. Fui agredido por um indivíduo que estava participando do evento e por um funcionário”, declarou Pereira, de acordo com o mesmo veículo.

A versão apresentada por participantes do evento é oposta. Segundo relatos, cerca de dez manifestantes do MBL estavam presentes e gritavam frases sobre o “Careca do INSS”, numa referência ao escândalo de descontos ilegais em aposentadorias e pensões investigado pelo governo federal. Para esses participantes, o grupo foi ao local com o objetivo de provocar confusão e gerar conteúdo para as redes sociais, não para um debate. A segurança do evento informou que os homens foram retirados do campus e que não havia informações sobre feridos no confronto. A Polícia Militar confirmou que foi acionada para averiguar a situação, mas que “a situação foi prontamente controlada pelos organizadores”, sem necessidade de intervenção policial.

Reações e contexto

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unicamp emitiu nota lamentando o ocorrido e foi direto na avaliação: “A briga mencionada na mídia foi causada por militantes da direita que vieram ao evento provocar e causar tumulto. Eles foram retirados do evento imediatamente e nenhum participante do evento interagiu com os mesmos, mas infelizmente geraram confusão pela Unicamp”, afirmou a entidade. O DCE também acusou os manifestantes de desrespeitarem funcionários da segurança da universidade. A Unicamp, por sua vez, repostou em rede social uma cartilha com orientações para a comunidade acadêmica diante de provocações e conflitos nos campi, sem emitir nota própria sobre o episódio.

O incidente na Unicamp não foi isolado. O partido Missão, criado em 2025 e ligado ao MBL, já havia se envolvido em outra confusão em agenda de Haddad na semana anterior: na quinta-feira (25), quando o pré-candidato recebia o título de cidadão honorário de Santo André, Gabriel Piauhy foi ao evento e o questionou sobre o escândalo do INSS. A repetição da tática, em eventos distintos e com os mesmos atores, reforça o padrão de intervenções coordenadas em atividades políticas do campo petista.

Nem a pré-campanha de Fernando Haddad nem a assessoria da Unicamp se manifestaram oficialmente sobre o episódio desta quinta-feira até o momento da publicação desta matéria. Em suas redes sociais, Haddad comentou o evento sem mencionar a presença dos opositores: “Hoje, realizamos uma aula magna na Unicamp. É sempre muito bom estar aqui para conversar com estudantes, professores e pesquisadores sobre o futuro do nosso estado e do nosso país.”






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