Heineken escolhe brasileiro para ser o CEO da empresa – 23/06/2026 – Economia
O conselho da Heineken escolheu o brasileiro Rafael Oliveira para ser o novo CEO da empresa. É a primeira vez que a cervejaria indica uma pessoa que não fazia parte da companhia para assumir o cargo.
A cervejaria enfrenta uma queda nas vendas, que acompanha uma tendência mundial de redução do consumo da bebida. O grupo holandês estava sob pressão dos acionistas para nomear um candidato externo que pudesse trazer um olhar renovado para os desafios enfrentados pela empresa.
A Heineken é controlada pela família De Carvalho-Heineken, que detém participação majoritária e ocupa cinco dos oito assentos no conselho da holding. Em seus 87 anos como empresa de capital aberto, a Heineken nunca havia nomeado um completo “outsider” como chefe e só havia nomeado um CEO não holandês.
O brasileiro-britânico Rafael Oliveira era CEO da empresa de café JDE Peet’s desde 2024 e estava previsto que ele comandasse a nova gigante do café Global Coffee Co, que está sendo criada pela aquisição do grupo pela Keurig Dr Pepper em um acordo de 16 bilhões de euros (R$ 94,33 bilhões). Antes, Oliveira foi diretor de mercados internacionais na Kraft Heinz e também trabalhou na Goldman Sachs por dez anos.
O brasileiro comandará a Heineken por um período limitado de quatro anos, a partir de outubro deste ano, informou o conselho nesta terça-feira (23).
O nome de Oliveira foi aprovado por unanimidade “por sua combinação única de visão estratégica, expertise operacional e perspicácia financeira”, informou a empresa.
“Ele traz uma perspectiva renovada que deve revigorar a Heineken”, indicou a cervejaria. As ações da Heineken subiram mais de 2% nas negociações iniciais de terça-feira.
A busca por um novo chefe da cervejaria holandesa foi conturbada, já que o grupo teve dificuldades para decidir entre um candidato externo e um executivo interno que representaria uma opção mais conhecida.
Dolf van den Brink deixou o cargo de CEO em maio, antes do esperado, deixando dois candidatos internos para sucedê-lo. Mas o conselho sentiu que eles não estavam prontos para o cargo, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, levando o grupo a considerar candidatos de fora.
Analistas disseram que a nomeação removeu a incerteza que pairava sobre a cervejaria, que estava sem CEO desde que van den Brink deixou o cargo.
A Heineken disse na terça-feira que Oliveira continuará a implementar sua estratégia existente.
“Esperamos que Rafa construa sobre [a estratégia] em vez de reformulá-la, mas traga uma disciplina de execução mais afiada, uma perspectiva renovada sobre escolhas de portfólio e retornos de capital, e um engajamento mais ativo com os mercados de capitais”, afirmou Ed Mundy, analista da Jefferies.
Na JDE Peet’s, Oliveira havia impulsionado os lucros do grupo e “revigorado” a organização, destacou Mundy.
A Heineken quer cortar 7% de seu quadro global de funcionários e tem reduzido custos consolidando suas cervejarias europeias e fundindo operações administrativas em mercados menores.
As ações da Heineken, que atualmente são negociadas a cerca de 73 euros (R$ 430,06), dando-lhe um valor de mercado de aproximadamente 40 bilhões de euros (R$ 235,65 bilhões), caíram 30% nos últimos cinco anos, tendo desempenho inferior a concorrentes como AB InBev, dono da Ambev, e Carlsberg.
