«Ver jogos? Segundo a imprensa portuguesa estamos sempre na praia…»
Na conferência de imprensa de antevisão ao encontro frente ao Uzbequistão, o empate frente à RD Congo na estreia da competição voltou a ser um dos temas mais falados. Roberto Martínez explicou como a Seleção lidou com o empate na estreia e com a pressão externa, garantindo um grupo unido, focado e imune ao ruído mediático.
O impacto do ruído
«Não tive um jogo sem barulho desde o meu primeiro dia em Portugal. Já mostrámos que a equipa é experiente, focada e responsável e chegámos a um bom nível. Estamos num Mundial. Aqui há muito barulho e faz parte. Para nós, o aspeto humano é muito importante. É perceber quem está e quem não está com a Seleção. Mas o importante no balneário é mostrar atitude, ter autocrítica para melhorar e estarmos prontos. E estamos focados, muito fortes e, agora, o grupo está mais unido do que antes de chegar. São já 22 dias de trabalho e o barulho não entra no balneário.»
Leitura das críticas
«Há sempre barulho. Há bom barulho, boas críticas… Quando não atinges o resultado é normal ter críticas. Não espero receber rosas depois de empatar o primeiro jogo. Mas há muito barulho que não é justo, que não é certo, e muitos aspetos que não fazem sentido. Mas isso não faz parte do nosso trabalho. É importante saber quem está com a Seleção e quem não está. É muito fácil ganhar quando a equipa ganha a Liga das Nações, ser muito da Seleção… O importante é estarmos juntos. O barulho faz parte e vejo isso com naturalidade.»
Sem tempo para ver jogos do Mundial
«Um treinador que precisa de inspiração nesta altura já vai tarde… Temos uma equipa de analistas que prepara todos os passos. O mais importante é perceber como estão os jogadores. Essa é a melhor fonte de inspiração. O que acontece nos treinos. Olhar para os outros jogos? Não temos tempo. Se vir a imprensa portuguesa, percebe que estamos sempre na praia…»
Espírito do grupo
«Os nossos jogadores são incríveis. Não ao nível de talento, mas o compromisso que têm. Querer ganhar é o nosso objetivo, mas não pelo que aconteceu nos últimos dias. Pelo compromisso que os jogadores têm. Adoram vestir esta camisola. E por todo o trabalho feito nos últimos anos. São pontos diferentes. Chegámos ao Mundial com objetivos muito claros, temos os mesmos. Com clareza de que o processo era muito exigente. Não há jogos fáceis. Há jogos que se tornam fáceis. A equipa está focada, a trabalhar muito bem, e é isso que levo comigo.»
Consistência da Seleção
«O importante é ser consistente. Estamos a falar de uma equipa que nos últimos 40 jogos tem a maior percentagem de pontos e golos da história da Seleção. Os jogadores merecem respeito. Mas o futebol é assim, é impossível jogar sempre bem. Há momentos em que, quando o desempenho não é bom, é importante não perder e continuar com competitividade e responsabilidade.»
