Irã promete “dura resposta” a Israel após bombardeios no Líbano às vésperas de acordo de paz
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- Forças Armadas do Irã ameaçaram retaliar Israel se bombardeios no sul do Líbano continuarem, em 16 de março.
- O aviso seguiu ataques israelenses que mataram ao menos quatro pessoas em território libanês, apesar de memorando entre Teerã e Washington.
- O comando central iraniano Khatam al‑Anbiya acusou Israel de violar o cessar‑fogo 84 vezes desde o anúncio do acordo.
- Os bombardeios atingiram três veículos em Mayfadoun, matando duas pessoas; Israel não se pronunciou.
As Forças Armadas do Irã ameaçaram, nesta terça-feira (16), retaliar Israel caso os ataques no sul do Líbano continuem. A advertência foi feita após bombardeios israelenses matarem ao menos quatro pessoas em território libanês, mesmo depois do memorando de entendimento entre Teerã e Washington para tentar encerrar a guerra regional.
Em comunicado, o comando central iraniano Khatam al-Anbiya afirmou que Israel deve esperar uma “dura resposta” se não interromper o que chamou de agressões no sul do Líbano. O órgão acusou Israel de violar o cessar-fogo no país 84 vezes desde o anúncio do acordo.
Os ataques desta terça atingiram três veículos no sul libanês. Segundo a agência estatal do Líbano, duas pessoas morreram em Mayfadoun após um drone atingir um carro e um segundo ataque ocorrer quando moradores se aproximavam do local. Outras duas morreram em Shoukin. Israel não comentou diretamente esses ataques.
A ofensiva israelense no Líbano já deixou mais de 3.820 mortos e deslocou cerca de 1,2 milhão de pessoas, segundo autoridades libanesas.
Apesar da redução dos combates após o entendimento entre Irã e EUA, a guerra não cessou completamente. A ameaça iraniana desta terça aumenta a pressão sobre o acordo e mostra que o sul do Líbano continua sendo um dos pontos mais sensíveis da crise regional.
Acordo sob pressão
O Hezbollah afirma acreditar que o Irã não assinará um acordo nuclear definitivo com os Estados Unidos enquanto Israel mantiver tropas no Líbano. O grupo, aliado de Teerã, diz ter recebido garantias de que a retirada israelense será tratada nas próximas negociações entre iranianos e norte-americanos.
Para o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, qualquer presença militar israelense em território libanês será considerada uma violação do memorando firmado entre Irã e EUA.
“Sem a retirada das forças israelenses dos territórios que ocuparam nesta guerra, o fim definitivo da guerra não terá sido alcançado”, afirmou.
As tropas israelenses ainda ocupam uma faixa no sul do Líbano tomada durante a campanha aérea e terrestre de três meses contra o Hezbollah. O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, já afirmou que os militares permanecerão no país por tempo indeterminado.
Negociação com Washington
O memorando entre Irã e Estados Unidos prevê uma nova rodada de negociações em até 60 dias para tratar dos pontos mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais contra Teerã.
Segundo Araghchi, uma nova etapa das conversas deve começar na sexta-feira (19), em local ainda a ser definido. A assinatura do entendimento deve contar com o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance.
De acordo com o governo suíço, a cerimônia está prevista para ocorrer no resort de Bürgenstock, próximo ao lago de Lucerna. O local teria sido sugerido por mediadores do Paquistão e do Catar, além de Estados Unidos e Irã.
A televisão estatal iraniana informou ainda que petroleiros e outras embarcações do país retomaram a navegação após o acordo com Washington, sinalizando alívio no bloqueio naval imposto pelos EUA.
Segundo a imprensa local, três petroleiros iranianos navegam no norte do Oceano Índico, enquanto outros dois navios, com bens essenciais e ração animal, seguem para portos no sul do país
