A onda de xenofobia na África do Sul – 13/06/2026 – Opinião

A onda de xenofobia na África do Sul – 13/06/2026 – Opinião


Quando uma sociedade enfrenta desemprego, inflação, aumento da criminalidade e perda de confiança nas instituições, as pessoas buscam explicações simples para problemas complexos. Nesse cenário, grupos de imigrantes frequentemente se tornam alvos de racismo. Por isso, a xenofobia costuma crescer não porque estrangeiros estejam ligados à origem da crise, mas porque sociedades em crise tendem a procurar grupos racializados para responsabilizar.

A história oferece exemplos. Em 1930 na Alemanha, judeus e outras minorias foram transformados em bodes expiatórios em meio à grave crise econômica e social. Já em Uganda, nos anos 1970, o regime de Idi Amin expulsou milhares de indianos, retratados como responsáveis por problemas econômicos do país. Casos como esses mostram como surtos de xenofobia podem surgir em diferentes contextos quando crises encontram bodes expiatórios.

Segundo a Human Rights Watch e a Amnesty International, a atual onda de xenofobia na África do Sul está ligada ao agravamento de problemas internos, como desemprego, crise econômica e aumento do crime organizado. Os imigrantes estão sendo responsabilizados por problemas cuja origem está em fatores estruturais.

Nos últimos anos, grupos organizados de caráter anti-imigração têm ganhado visibilidade na África do Sul, como por exemplo o Operation Dudula. Segundo organizações de direitos humanos, esses grupos atuam contra refugiados e imigrantes, especialmente em Johannesburgo, Soweto, Pretória e outras áreas da província de Gauteng. Entre os crimes estão intimidações, agressões físicas, invasões de residências e comércios, despejos forçados e tentativas de impedir o acesso a serviços públicos.

Essas ações são consideradas ilegais porque a Constituição da África do Sul garante proteção igual perante a lei a todas as pessoas no país, além de proibir discriminação e justiça pelas próprias mãos. A legislação sul-africana reconhece direitos específicos de refugiados e requerentes de asilo e suas garantias legais.

Apesar disso, autoridades admitem que a combinação de recursos limitados, impunidade em alguns casos e a popularidade de discursos anti-imigração têm dificultado uma resposta mais eficaz contra grupos que promovem ataques a estrangeiros.

As principais vítimas da atual onda de xenofobia na África do Sul são os africanos oriundos de países como Zimbábue, Moçambique, Malawi, Nigéria, Somália, Etiópia e Gana. Há casos documentados na polícia local que incluem espancamentos, além de episódios fatais, em cidades como Johannesburgo, Durban e Mossel Bay.

A gravidade da situação levou Estados africanos a reagirem: o governo de Gana já repatriou mais de 300 de seus cidadãos e anunciou planos para retirar centenas que manifestaram interesse em retornar ao país; Moçambique reforçou a assistência consular, após mais de 600 moçambicanos fugirem da África do Sul, e cobrou medidas de proteção das autoridades sul-africanas; e o Malawi e a Nigéria emitiram alertas e apoiaram operações de retorno voluntário. Essas reações refletem a preocupação de governos africanos diante degraves crises diplomáticas.

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