“O futebol salvou minha vida”: a emocionante história de Ronwen Williams, capitão da África do Sul

“O futebol salvou minha vida”: a emocionante história de Ronwen Williams, capitão da África do Sul


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  • Em 11 de junho de 2006, a África do Sul inaugurou a primeira Copa do Mundo no continente, com Nelson Mandela presente.
  • O jogo inaugural foi entre África do Sul e México, marcado por vuvuzelas e clima de comunhão nacional.
  • Ronwen Williams, goleiro de 18 anos do Supersport United, participou do evento lembrando o irmão Marvin, que morreu em acidente de carro dois meses antes.
  • Marvin desejava ver o irmão jogar na Copa, motivando a dedicação de Ronwen apesar da perda.

Era um onze de junho, como hoje, há 16 anos. A África do Sul, mais que felicidade, vivia um clima de comunhão. Nelson Mandela, o Madiba, estava vivo e, como presidente e Pai da Pátria estava na inauguração da Copa do Mundo. A primeira a ser realizada na África, motivo de orgulho de todo o continente. O jogo era África do Sul x México, como hoje. Terminou 1 x 1. E hoje?

Ronwen Williams, goleiro de 18 anos do Supersport United, também queria viver toda aquela felicidade, o povo se abraçando ao som de vuvuzelas, mas sua felicidade não conseguia ser completa. Marvin, seu irmão mais velho e grande incentivador, havia morrido dois meses antes em um acidente de carro. “Ele tinha o sonho de me ver jogar em uma Copa do Mundo. Agora, estou vivendo o sonho que ele tinha para mim”, afirmou Ronwen, capitão da seleção da África do Sul, os “bafana bafana”, ao site da Fifa.

O caminho para se firmar no gol da África do Sul começou com um revés enorme. Em 5 de março de 2014, ele substituiu o famoso Itumeleng Khune, que estava lesionado, e enfrentou o Brasil. Perdeu por 5 x 0. “Estávamos enfrentando o melhor time do mundo. Não me abalei, faz parte do futebol”. Os gols foram de Oscar, Fernandinho e três de Neymar.

Dez anos depois, viveu seu grande momento como capitão da seleção. Nas quartas de final da Copa Africana das Nações, em 2023, o adversário era Cabo Verde e a consagração veio com quatro penais defendidos, algo inédito até hoje nas competições africanas.

Depois de 120 minutos, contra uma equipe que havia jogador melhor, a África do Sul chegava à decisão por penais, graças a uma defesa salvadora de Williams. E ele defendeu as cobranças de Bebé, Semedo, Duarte e Andrade.

A cada gol, o ritual era o mesmo. Ele conversava consigo mesmo e também olhava muito para o céu. A conversa era com Marvin. “Às vezes, peço que ele assuma o controle e me mostre o caminho. É meu anjo da guarda”, disse ao The Guardian.

Williams, o garoto que cresceu em Gelvandale, bairro pobre, marcado por violência de gangues e drogas, que teve um primo assassinado e que perdeu o irmão-referência, agora é capitão da seleção da África do Sul. “O futebol salvou minha vida”, disse ao The Guardian.

É considerado muito bom goleiro em situações de um contra um, em cobranças de pênalti, bom com a bola nos pés, organizador de jogadas e líder da defesa. E se sente emocionado em participar do jogo inaugural da Copa. “Sinto arrepios só de pensar que vou liderar a seleção diante de milhares no estádio e de bilhões em frente à televisão. Estou muito orgulhoso”, afirmou ao Fifa.com.

Ronwen se lembra do outro África do Sul x México, quando a alegria e tristeza andavam juntas com ele. abertura da Copa de 2010, quando Siphiwe Tshabalala marou o primeiro gol em uma Copa do Mundo em solo africano. “Acho que uniu o país. Celebramos muito, foi um feito incrível, um belo legado”.

Agora, é com ele. E com Marvin. É bom não duvidar disto quando houver uma cobrança de penal contra a África do Sul.




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