Coincidência? Mourinho como «trunfo eleitoral» pelo terceiro clube consecutivo
Estamos a poucos dias de terminar a novela entre José Mourinho, Benfica e Real Madrid. O atual técnico das águias, recorde-se, será o próximo treinador dos «merengues» caso Florentino Pérez seja reeleito.
Ora, pode parecer simples coincidência, mas a realidade é que, a confirmar-se, o «Special One» rumará, pela terceira vez consecutiva, a um clube em processo de eleições.
Começou em 2024, na altura com o Fenerbahçe. Mourinho tinha acabado de deixar a Roma em janeiro e estava livre no mercado. O clube turco estava em eleições… e assim tudo se deu.
Na verdade, com um pouco mais de controvérsia do que aconteceu com Benfica e Real Madrid. Isto porque, ao contrário dos «merengues» – em que o candidato adversário, Enrique Riquelme, já afirmou que não pretende o português – no Fenerbahçe, Mourinho terá dado a palavra a um candidato… e depois «juntou-se» ao lado contrário.
Aziz Yildirim, na altura, garantiu que tinha um acordo com Mourinho. Confessou, até, que tinha tido uma reunião de duas horas com o treinador, que acolheu bem a ideia de rumar à Turquia.
O outro candidato era Ali Koç, presidente na altura que se recandidatava ao cargo.
Pois bem, acontece que, cerca de duas semanas depois, Mourinho foi oficializado como novo treinador do Fenerbahçe, dias antes das eleições. Ou seja, passou de ser «trunfo eleitoral» de Aziz Yildirim para ser o treinador apresentado por Ali Koç, presidente e candidato.
Ali Koç, que recentemente veio tecer críticas a Mourinho, acabaria por vencer as eleições, tendo depois perdido as de 2025.
Mourinho liderou então a formação turca durante a época 2024/25, em que terminou no segundo lugar e caiu nos «oitavos» da Liga Europa. O português ainda iniciou a época seguinte, mas foi despedido depois da eliminação com o Benfica na qualificação para a Liga dos Campeões.
Juntou-se, como se sabe, ao Benfica, depois de um curto espaço de tempo sem treinar (cerca de um mês) – isto também em tempo eleitoral nos encarnados. Numa altura em que, tal como na Turquia, o presidente atual era também candidato.
Neste caso, foi assinada a tal cláusula amigável que agilizava a saída de Mourinho no final da época. Isto para facilitar a gestão caso fosse outro candidato que não Rui Costa a vencer as eleições.
De resto, foi essa cláusula que contribuiu para esta novela, apesar de Florentino já ter confirmado que pagará os 15 milhões.
Voltando à cronologia. Mourinho regressa ao Benfica e teve uma época pouco positiva. Não venceu qualquer troféu e terminou em terceiro lugar, ficando obrigado a jogar a 2.ª pré-eliminatória da Liga Europa.
Surgiu então o rumor do interesse do Real Madrid ainda antes do final da época. Aqui a história repete-se. Há um presidente que é também candidato às eleições que se aproximam e apresenta José Mourinho como próximo treinador.
A diferença – em comparação com Fenerbahçe e Benfica – é que, no caso de Real Madrid, Mourinho será apenas oficial caso Florentino vença as eleições.
Ora, pela terceira vez seguida – num espaço de dois anos – Mourinho é apresentado como «trunfo eleitoral» pelo presidente que se recandidata.
No final, estamos a muito pouco tempo de terminar esta novela, já que este domingo decorrem as eleições do Real Madrid. Aconteça o que acontecer, os factos não mentem: o nome de Mourinho é associado a clubes em eleições pela terceira vez consecutiva.
