PSD acusa Chega de ser “fraude eleitoral” após votar contra urgência para debater PSU

PSD acusa Chega de ser “fraude eleitoral” após votar contra urgência para debater PSU



Em declarações aos jornalistas no parlamento, Hugo Soares acusou o Chega de ser “um partido de faz de conta” e apontou contradições entre o que diz defender e o que faz.


“Nós ouvimos o Chega há muitos anos a dizer que exige controlo na atribuição dos subsídios e dos apoios sociais, que quer o combate à fraude na atribuição dos subsídios sociais. Ouvimos até o Chega muitas vezes dizer que as pessoas que recebem subsídios sociais deviam contribuir para a sociedade de alguma forma”, salientou.


Segundo Hugo Soares, o Chega votou hoje contra um diploma que “visa trazer critério à atribuição das prestações sociais, visa ajudar a combater a fraude na atribuição dos subsídios sociais e até votou contra a possibilidade daqueles que recebem subsídios sociais poderem ter uma atividade social de solidariedade em nome dessa contribuição que todos os portugueses fazem”.


“O país deve estar atento. Porque uma coisa é o discurso do partido Chega, coisa bem diferente é a atitude. O que demonstra bem que o partido Chega não quer mudar coisa nenhuma no país, quer que continue tudo na mesma para poder continuar a criticar aquilo que depois não quer mudar”, afirmou.


Questionado sobre o argumento apresentado pelo líder do Chega, André Ventura, para votar contra o pedido de urgência da autorização legislativa — dizendo pretender uma discussão mais aprofundada para alterar partes do diploma -, Hugo Soares considerou que “até isso é contraditório”.


“Até isso é uma fraude, querem uma discussão mais aprofundada, mas acabaram de votar contra a possibilidade de haver uma discussão”, criticou.


Apesar do voto contra do Chega, o Parlamento aprovou hoje, com abstenção do PS, PAN e JPP e votos a favor de PSD, CDS-PP e IL, o pedido do Governo para discutir com urgência a autorização legislativa sobre a criação da Prestação Social Única, que prevê uma discussão na especialidade de um máximo de dez dias.


Hugo Soares estendeu as críticas a André Ventura em matéria de legislação laboral, acusando-o de ser “o maior inimigo da juventude portuguesa”.


“É bom que o Chega esclareça de uma vez por todas as propostas que tem para a idade da reforma, quanto custam, que diga aos portugueses como é que compagina as propostas que hoje fez com a garantia de sustentabilidade da Segurança Social”, disse.


O Chega anunciou hoje vai propor no Parlamento que um trabalhador possa reformar-se quando atingir 40 anos de descontos ou 65 de idade e quer colocar um teto máximo para as pensões mais altas de 4.500 euros.


“Creio que hoje que é um dia em que, nestas duas matérias, caiu a máscara ao deputado André Ventura e ao Chega”, acusou Hugo Soares.



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