irmão de Monique revela orientação para mentir e babá promete reviravolta

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  • Em 30/05, o II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro ouviu Bryan Medeiros, irmão de Monique, que afirmou que o advogado André França a instruiu a mentir sobre o crime contra Henry Borel, de 4 anos.
  • Bryan relatou que Monique ficou “fora de si” ao saber da morte do filho e chegou a mencionar suicídio.
  • O julgamento prosseguiu em 31/05 com o depoimento da babá Thayná Ferreira, que prometeu retratar as versões apresentadas até então.
  • Durante o interrogatório, a defesa questionou supostas contradições nos laudos do Instituto Médico Legal, tentando apontar manipulação pelo pai de Henry, Leniel Borel.

O julgamento de Jairinho e Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, entrou em fase decisiva no sábado (30) após o depoimento de Bryan Medeiros, irmão da ré, que se estendeu por mais de oito horas no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Bryan afirmou que um advogado ligado à defesa de Jairinho orientou Monique a sustentar uma versão falsa à polícia, e relatou a reação devastada da irmã ao saber da morte do filho. O julgamento foi retomado no domingo (31) com o aguardado depoimento da babá Thayná Ferreira, que prometeu se retratar sobre as diferentes versões que apresentou ao longo do processo.

O depoimento de Bryan Medeiros

Bryan Medeiros da Costa e Silva, engenheiro mecânico e irmão de Monique, foi a primeira testemunha ouvida no sexto dia de julgamento. Seu depoimento, iniciado às 15h15 do sábado (30), só foi encerrado após as 23h. Segundo Bryan, o advogado André França, ligado à defesa de Jairinho, teria “treinado” Monique para mentir após a morte de Henry, orientando-a a afirmar que o ex-vereador estava dormindo no momento do crime. Bryan relatou que a irmã era contrária à narrativa porque “teria que mentir”, segundo informações da CNN Brasil.

Ao descrever a reação de Monique ao saber da morte do filho, Bryan disse que ela ficou “fora de si” e chegou a expressar o desejo de tirar a própria vida “para ficar perto de Henry”. O pai de Monique teria respondido: “Não tire sua vida. Se você fizer isso, não vai encontrar Henry.” Durante o interrogatório conduzido pela defesa de Jairinho, Bryan foi questionado sobre supostas contradições nos laudos do Instituto Médico Legal, numa tentativa de sugerir que Leniel Borel, pai de Henry, teria manipulado os peritos. A estratégia é sustentada pela defesa de Jairinho desde o início do processo. Bryan rebateu diretamente: “Nas mensagens interceptadas de Thayná, ela, ao falar com o noivo, por exemplo, é categórica ao falar das sessões de agressão a que Monique e Henry eram submetidos.” O advogado Zanone Manoel de Oliveira Júnior, da equipe de Jairinho, argumentou que não há registro das agressões em nenhuma delegacia.

Em meio à oitiva, às 21h54, a juíza Elizabeth Machado Louro precisou interromper a sessão por seis minutos após passar mal, sendo atendida por médicos antes de retomar os trabalhos. O incidente não impediu que o depoimento seguisse até o fim.

A expectativa pela retratação da babá

A babá Thayná de Oliveira Ferreira chegou ao fórum por volta das 21h do sábado, mas seu depoimento foi adiado para o domingo (31) em razão da longa oitiva de Bryan. Arrolada pela defesa de Monique, ela é considerada uma das testemunhas mais importantes de todo o processo: conviveu diariamente com Henry nos meses que antecederam sua morte e acompanhou a rotina do menino com a mãe e o então padrasto. Segundo a CNN Brasil, ela alertou Monique por mensagens de celular sobre agressões praticadas por Jairinho um mês antes da morte da criança.

A advogada de Thayná, Juliana Nascimento, foi direta ao explicar a mudança de postura da cliente. “A Thayná responde a um processo de falso testemunho, ela foi coagida e pressionada a mentir pela Monique, que pediu a ela para apagar mensagens. Por medo, a Thayná não revelou tudo”, afirmou Nascimento, em entrevista ao G1. Ao longo do processo, Thayná apresentou ao menos três versões. No primeiro depoimento, em março de 2021, negou qualquer anormalidade na família. Em abril do mesmo ano, já com Jairinho e Monique presos, disse que Monique sabia das agressões e havia pedido que ela mentisse à polícia. Numa terceira ocasião, voltou atrás e declarou não saber das agressões, afirmando sentir-se manipulada por Monique. A expectativa, com a retomada no domingo, era que ela detalhasse os episódios de violência que presenciou e os alertas que enviou à mãe de Henry antes da morte da criança.

Contexto das acusações

O julgamento busca determinar a responsabilidade de Jairinho, acusado de homicídio qualificado e tortura pelas agressões que teriam levado à morte de Henry, e de Monique, acusada de homicídio por omissão, sob a tese de que sabia das violências e não protegeu o filho. A acusação sustenta que Monique tinha pleno conhecimento do que acontecia e optou por proteger o companheiro. Sete jurados compõem o Conselho de Sentença responsável pela decisão final.

O pai de Henry, Leniel Borel, prestou depoimento na sexta-feira (29) e foi um dos momentos mais tensos do julgamento. Leniel afirmou que “todos os sinais demonstram que a Monique sabia” das agressões sofridas pelo filho e disse acreditar que Jairinho tinha “prazer em agredir crianças”. Ele relatou que o primeiro alerta surgiu quando Henry mencionou que um “tio” lhe dava “abraços fortes”, e descreveu o estado em que encontrou o filho no Hospital Barra D’Or na madrugada de 8 de março de 2021: “Eu vejo meu filho cheio de marcas, deitado na maca, rígido. Eu o entreguei bem de saúde horas antes. Aquela criança já não era meu filho.” Os peritos, por sua vez, descartaram a hipótese de acidente doméstico, confirmando a natureza violenta das lesões sofridas pela criança, segundo o G1.

Dinâmica do julgamento

O julgamento chegou ao seu sétimo dia no domingo (31) com o rito processual avançando para a fase final das oitivas. Até o encerramento do sábado, 16 testemunhas já haviam sido ouvidas de um total de 27 previstas. O sexto dia contou ainda com os depoimentos de Ari Mamede, amigo e colega de trabalho de Monique, e de Márcia Eduarda Andrade Vieira, recepcionista da brinquedoteca do condomínio onde o casal morou na Barra da Tijuca. A interrupção da sessão por mal-estar da juíza Elizabeth Machado Louro, embora breve, evidenciou o ritmo extenuante das sessões, que se estenderam até quase meia-noite.

Concluídas as oitivas das testemunhas de defesa, o cronograma prevê o interrogatório dos réus, quando Jairinho e Monique poderão apresentar suas versões sobre os fatos de março de 2021, seguido dos debates orais entre o Ministério Público e as defesas. Vale registrar que, na sexta-feira (29), Jairinho deixou o plenário pouco antes do início do depoimento de Leniel Borel, pai de Henry. Em caso de condenação superior a 15 anos, a prisão imediata dos réus pode ser decretada no próprio plenário, diante dos jurados.




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