A virada de Lula: os principais destaques da pesquisa Meio/Ideia
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva superou o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, alcançando 46,5% das intenções de voto contra 41,4% do adversário, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28).
O levantamento, realizado entre 23 e 27 de maio de 2026 com 1.500 eleitores, captou uma virada expressiva em relação à rodada anterior, quando os dois apareciam em empate técnico.
O movimento coincide com o desgaste de Flávio Bolsonaro após a divulgação de um áudio em que o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme reportado pelas fontes que cobriram o episódio.
Crescimento de Lula e virada no segundo turno
A aprovação do governo Lula atingiu 46,6%, um crescimento de 2,6 pontos percentuais em relação à rodada anterior da pesquisa Meio/Ideia. O índice de avaliação ótima ou boa do governo subiu para 35,6%, avanço de 4,1 pontos percentuais, enquanto o percentual de eleitores que classificam a gestão como ruim ou péssimo recuou 5,6 pontos, chegando a 40,7%.
No cenário de segundo turno, Lula registra 46,5% contra 41,4% de Flávio Bolsonaro. A diferença, que pode variar entre 0,1 e 10,1 pontos percentuais dentro da margem de erro, representa uma inversão clara em relação ao levantamento de 5 de maio, quando Flávio liderava com 45,3% contra 44,7% do presidente. O crescimento da aprovação se distribuiu de forma homogênea em todas as regiões do país e em diferentes faixas etárias, segundo o instituto.
O impacto do ‘Efeito Vorcaro’
Em menos de um mês, Flávio Bolsonaro perdeu 3,9 pontos percentuais nas intenções de voto para o segundo turno. A queda é associada, nas reportagens que cobriram o levantamento, à repercussão negativa de um áudio em que o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Fórum não teve acesso à íntegra do áudio para verificação independente do seu conteúdo.
O que os números mostram é que o intervalo entre as duas rodadas da pesquisa coincide com a circulação desse episódio. A diferença entre os candidatos, que estava dentro da margem de erro em maio e configurava empate técnico, agora pode chegar a 10,1 pontos a favor de Lula no limite superior da margem. Para o instituto, o movimento ficou conhecido como “efeito Vorcaro”, expressão que nomeia o desgaste eleitoral sofrido pelo senador após o caso vir a público.
Mudanças em nichos estratégicos
Os dados mais expressivos da pesquisa estão nos segmentos em que Flávio Bolsonaro concentrava sua base de apoio.
Entre jovens de 16 a 24 anos, Lula saltou de 30% para 48,6% de intenção de voto no segundo turno, enquanto o senador caiu de 55,2% para 39,5%, uma variação de mais de 15 pontos em cada direção em menos de um mês.
Na classe média alta, com renda familiar acima de cinco salários mínimos, o movimento foi igualmente abrupto: Flávio recuou de 60,4% para 41,5%, e Lula avançou de 30,5% para 48,6%, virando a liderança nesse nicho.
Entre eleitores que se declaram independentes, sem posição política definida, Lula cresceu de 40,7% para 45,3%, enquanto Flávio caiu de 35,9% para 30,2%. Esse segmento tende a ser decisivo em disputas apertadas, e a migração de quase cinco pontos para o presidente em um único ciclo de pesquisa reforça a leitura de que o episódio do áudio teve impacto concreto sobre eleitores que não estavam previamente alinhados a nenhum dos campos.
Cenários e metodologia
No primeiro turno, Lula lidera com 38,5% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 31,5%. Ronaldo Caiado aparece com 5,5%, Romeu Zema com 2,4% e Renan Santos com 2,1%. O instituto ressalva, porém, que esses números não podem ser comparados diretamente com pesquisas anteriores porque novos nomes foram incluídos na lista de pré-candidatos, entre eles Aécio Neves e Joaquim Barbosa.
A pesquisa também testou outros cenários de segundo turno: contra Caiado, Lula aparece com 46% a 40%; contra Zema, 46% a 37%; contra Renan Santos, 46% a 31%; e contra Joaquim Barbosa, 46% a 26%. O levantamento ouviu 1.500 eleitores com 16 anos ou mais, por telefone, entre 23 e 27 de maio de 2026, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-02918/2026.
