SCP X Torreense. “Penálti e vermelho bem dados” – Observador

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Sem falta na Rádio Observador, final da Taça de Portugal, um jogo, como diz o Pedro Henriques, com toda a razão e com toda a certeza, de verdade, um jogo que valeu, e muito, por, de alguma forma, ter um árbitro, uma grande plataforma para apitar e também apitar um jogo que acabou por ter um resultado histórico e ao minuto quatro começou logo com o gol do Torriense.
Sim, o gol do Torriense em que é correto, no sentido que não há fora de jogo, quando a bola é cabeceada ou desviada por, assim dizer, pelo Léo Silva. O jogador que vai finalizar, que é o Zóio, está a ser colocado em jogo pelo Morita. É certo que o Morita ainda dá um toque na bola, mas aquele toque era sempre considerado corte e, portanto, nunca era considerada a bola vinda do adversário, mas sim uma bola de ressalto. E portanto, o que contaria era sempre o momento inicial de cabeceamento do Léo Silva para ver se o Zóio estava ou não em fora de jogo. E não estava e, portanto, correta a decisão, gol bem validado à equipe do Torriense.
Temos depois neste encontro, também apitado por António Nobre, ao minuto 15, um amarelo para Gonçalo Inácio, que algumas pessoas pediram que pudesse ser mais, porque havia um jogador do Torriense a ir, se calhar, isolado.
Sim, aqui a questão que se coloca quando as pessoas veem que há um jogador que vai isolado e que se pede o vermelho, é que isso por si só não chega. São quatro os fatores, eu vou sempre dizendo isto para ver se vai ficando na cabeça das pessoas também. A análise para cartão vermelho por uma clara oportunidade de gol, tem que ter sempre quatro fatores que têm que acontecer ao mesmo tempo. Basta que um não aconteça para já não ser clara oportunidade de gol. Se o jogador vai na direção da baliza, ia. Se o jogador tem a bola dominada ou controlada ou pode controlar, levava a bola dominada. E depois a distância à baliza, e aqui começa um primeiro fator, que é relevante e importante, porque a distância estava ali a sair do meio-campo, mas isso não significa que se for isolado e não haver mais ninguém por perto, que seja um fator inibidor. Mas esta distância em relação àquilo que é o posicionamento, e aqui sim aparece o quarto fator que não se concretiza, que é quem faz a falta é o Gonçalo Inácio, ele que leva o amarelo, mas quem está ao lado é o Quaresma. E o Quaresma está claramente ao lado do jogador do Torriense. E portanto, para a distância que falta percorrer, a posição, neste caso do defensor Quaresma, diz-nos que poderia ainda intervir no lance. E é por isso que não estão os quatro fatores em simultâneo e em cima da mesa, como costumo dizer. E por isso, bem decidido por parte do árbitro, livre direto e apenas cartão amarelo.
E da primeira parte do jogo, do tempo regulamentar, é tudo. Na segunda parte, ao minuto 55, há um gol do empate do Sporting. É um lance a envolver Max Eraço que, num ressalto, acaba por ter a sorte de ver a bola parar aos pés de Luís Suárez, que apontou o gol do Sporting. Aqui tudo legal?
Sim, tudo legal. Também tem a ver com a construção da jogada no corredor esquerdo. Quando o passe é feito do Morita para o Max Eraço, percebe-se que ele sai claramente em posição legal, portanto não está em fora de jogo e foi isso que tinha sido analisado, que era se eventualmente haveria ali algum fora de jogo, não havia, e portanto tudo certo, neste caso também no gol do Sporting, que na altura deu empate.
Temos depois, ainda na segunda parte desta final da Taça de Portugal, Pedro Henriques, um lance ao minuto 63, um gol anulável a Geny Catame do Sporting por fora de jogo, que estava acampado, não estava na Mata do Jamor, estava dentro do estádio, mas parecia que estava numa lógica de campismo.
Sim, estava adiantado. No momento do passe Max Eraço pro Geny, ele está adiantado em relação ao último adversário, 61 centímetros, esta distância é depois confirmada pelo vídeo árbitro mais à frente, mas o gol foi logo bem anulado pelo assistente, confirmado de forma rápida pelo VAR e mais à frente, depois, lá está injetado o tal sinal na televisão para vermos que estava por 61 centímetros e mais uma boa decisão, que o VAR só se limitou a confirmar, porque a boa decisão foi logo tomada em campo, neste caso pelo assistente.
Temos depois ao minuto 70, uma queixa de Max Eraço de um alegado pênalti na área do Torriense. Acredito que sem motivo para tal.
Sim, sem motivo para tal, porque é aquele lance em que o Max Eraço recebe a bola, tenta dominar com o pé esquerdo, a bola até lhe escapa e ele nesse movimento para dentro acaba por se dar o contato/choque frontal com o Léo Silva, um contato normal, sem falta, nomeadamente ponto de pênalti, como foi pedido, portanto, mais uma boa decisão.
Temos depois, Pedro, ao minuto 76, também um lance a envolver Max na área do Torriense e também, na tua opinião, sem motivos para pênalti.
Sim, é uma bola também tirada para o Max Eraço, o David Bruno, que é quem está na jogada com eles, tem a posição, ganha à frente e a posição ganha e está por tirar a bola que vai para o seu guarda-redes, que vai ser recado pelo guarda-redes, e há um choque de quem tenta furar e chegar lá à frente, que é o Max Eraço, que choque com o David Bruno, que se limita a manter o corpo e, portanto, boa decisão, não houve motivo para ponto de pênalti.
Temos depois, Pedro, ao minuto 94.
Já no prolongamento.
Já no prolongamento, um gol anulado ao Torriense, creio que também bem.
Certo. Sim, é no momento do remate do Léo Silva, não obstante a bola ressaltar no jogador do Sporting, vai parar ao Mohamed, portanto ao Diadi Mohamed, que acaba por finalizar, mas tira vantagem da posição irregular em que já se encontrava no momento do remate do Léo Silva. O fato de ter batido no jogador do Sporting significa sempre ressalto, portanto, não é uma bola que vem deliberadamente de um adversário. E por isso, o que conta é sempre o momento do remate para ver onde é que estava o jogador do Torriense que acaba por finalizar. Estava claramente adiantado em relação ao último adversário, portanto gol bem anulado ao Torriense.
Ao minuto 98, amarelos para um homem que nem sequer entrou para dentro das quatro linhas para jogar o jogo. Falo de Ricardo Mangas, que viu amarelo por ter tentado retirar um jogador lesionado do Torriense de dentro do campo para fora do campo.
Sim, o David Bruno acaba por se magoar. Aliás, sofreu a falta, que o árbitro até sinalizou, junto à linha de baliza, zona onde o Ricardo Mangas estava a aquecer. Estava aqui a dizer que foi o David Bruno, mas não tenho a certeza. É o Ricardo Mangas que está fora das quatro linhas e o árbitro tinha assinalado uma falta a um jogador do Torriense que estava junto à linha de baliza e o Ricardo Mangas, com aquela ideia de que ele saísse para fora do terreno de jogo, ou não sei bem o que é que queria, acaba por esticar o braço para dentro e agarrar, puxá-lo para tirá-lo dali do chão. Ele não pode fazer isso, está a aquecer, tem que estar focado no seu aquecimento, não pode estar a intervir, muito menos a esticar o braço, no fundo, ou esticar até entrou dentro do terreno de jogoE este comportamento incorreto e antidesportivo foi bem penalizado com cartão amarelo.
Minuto 100, amarelo para Alfaro, da equipe do Torriense, creio que uma falta sobre Geovany Quenda.
Exatamente. É a sequência deste pontapé livre a favor do Torriense. O Sporting sai em contra-ataque e o Alfaro acaba por derrubar o Quenda, a chamada falta tática, só para destruir aquele que foi um contra-ataque e, portanto, este corte de criar uma jogada perigosa traduz-se numa falta tática e cartão amarelo bem mostrado.
Temos depois, 108 minutos, o lance capital deste encontro, o lance que teve o condão de resolver a questão e de entregar pela primeira vez uma taça a uma equipe do segundo escalão do futebol nacional, um penalti cometido por Max Erazo, que deu consequentemente um vermelho e que deu também o segundo gol, gol da vitória do Torriense. E Pedro, tudo legal.
Certo, tudo legal. Penalti e vermelho no interior da área. No Max Erazo, agarra e puxa o Ismael Saidi. Ele estava de frente pro Rui Silva e, portanto, tecnicamente penalti pelo agarrão, disciplinarmente vermelho porque anula uma clara oportunidade de gol. E aqui eu faço um parêntese que não tem nada a ver com a arbitragem, ao mesmo tempo tem, quando se fala das equipes que são muito profissionais, etc. Ontem tivemos o Braga também, se calhar a não ir à final da Liga dos Campeões, mas esse até foi num momento logo de início, também por uma falta que cortou uma clara oportunidade de gol e o Braga ficou reduzido a 10.
Dorzel, frente ao Friburgo, na meia final da Liga.
É a diferença que tem muitas vezes trabalhar-se questões relacionadas com a arbitragem. Hoje em dia ninguém liga. Muitas vezes tem ex-árbitros a trabalhar com os clubes, muitas vezes a projetar com outras ideias e não é para isso que servem os ex-árbitros. Os ex-árbitros podem servir para trabalhar com os clubes, mas nesta perspectiva também de trabalho, e os clubes são pouco profissionais, porque acham que tudo se resume ao técnico-tático. E depois são esses lances que muitas vezes acabam por decidir um jogo. Quem trabalha isto sabe que um jogador bem treinado nunca vai fazer uma falta daquelas.
E isso também faz parte da técnica e parte da tática, quanto mais ao menos aqueles que conseguimos treinar.
Exatamente. Estes lances, e os jogadores podem treinar isso através de imagens e visualização, é para deixar sempre seguir, porque vale mais fazeres um gol e tentares recuperar com 11 jogadores do que arriscares num penalti que não sendo gol, pode ser quase gol e depois ficas com menos um. E com menos um, a história diz-nos que mais de 90% não consegue fazer esse tipo de recuperação. E, portanto, é mais um erro desnecessário de um jogador, em relação ao penalti que comete naquela zona. Ali é para deixar seguir, é arriscar e sofrer o gol, se for preciso, e que nem sei se poderia ser da maneira como estava a desenrolar a jogada. De qualquer maneira, o que importa aqui, sem falta, é a questão técnico-disciplinar e de arbitragem e a decisão que é decisiva em relação ao jogo, porque no fundo dá o 2 x 1 e uma expulsão já no prolongamento, é uma decisão muito boa por parte do árbitro, que apenas se limitou a ouvir o VAR para confirmar a sua boa decisão.
Temos depois, Pedro, ao minuto 114, amarelo para Stopira, o defesa cabo-verdiano da equipe do Torriense, que vai estar no próximo mundial, capitão da equipe que marcou o gol da vitória e que ergueu a taça, o caneco.
Sim, viu o cartão amarelo porque ao comemorar o gol que acabou de marcar, quando da execução do pontapé de penalti, tirou a camisola e isto é deleite. Tiras a camisola para comemorar um gol, tens que ver cartão amarelo.
E acredito que tenha sido um dos amarelos mais felizes da carreira de Stopira. Temos ao minuto 119, amarelo para Pitét, também da equipe do Torriense.
Certo. Após o árbitro assinalar uma falta que ele cometeu sobre o Human, ele para tentar retardar o recomeço da bola do Human, pontapeou a bola para longe e portanto, cartão amarelo bem mostrado.
E temos, para terminar, 125 minutos, amarelo para Suárez, já diria que fora de si, a cometer uma falta no último minuto.
Sim, e não é pela falta, é pela falta e pelo que dirigisse em relação ao árbitro assistente depois de ter cometido essa falta em protesto. O Sporting tinha a bola, estava a tentar, porventura, fazer o último ataque e o que o jogador do Sporting faz é fazer uma falta atacante, destruindo completamente a sua última hipótese. E aqui, mais uma vez, algo que se pode trabalhar muito com os jogadores, para além do técnico-tático de arbitragem, que é não adianta fazer estas faltas hoje, porque havia e há o árbitro. Se dali nascesse o gol, o gol iria ser invalidado. Era possível ter escapado ao assistente. Não escapou. Ou até ao árbitro, porque a bola nem sequer está lá. Mas se escapasse e fosse o gol, o gol seria sempre anulado por causa da construção da jogada uma falta atacante. Hoje, com o VAR, este tipo de situações que dantes passavam e por vezes podiam ser à partida, agora já não. Mas para isso é preciso treinar-se e as equipes têm que projetar-se para outro patamar, porque cada vez mais passam a semana no técnico-tático e depois, ao final de semana, o que é que vão falar? De arbitragem e de erros que poderiam muitas vezes ser evitados se trabalhassem isso de outra maneira.
Pedro Henriques, que nota merece a equipe de arbitragem liderada por António Nobre? Acredito que uma nota muito boa, porque foram boas as decisões num jogo difícil.
Claro. Sim, um jogo difícil, até com o resultado incerto. O caso do jogo, e o caso bem resolvido, é o penalti e vermelho, sob o ponto de vista da influência e da importância que tem. E aí uma excelente decisão. Mas depois os assistentes tiveram muito bem ao nível dos foras de jogo. Tivemos inclusivamente dois gols anulados nessa sequência. Eu não referi, mas o lance que antecede o penalti a favor do Torriense esteve a demorar e a ser analisado, porventura, até também pela análise do cartão vermelho, mas para tentar perceber se o jogador que sofre o penalti saiu ou não de posição de fora de jogo e por nove centímetros estava em jogo e, portanto, mais uma boa decisão da equipe de arbitragem, neste caso do árbitro assistente e por isso, tudo certo numa arbitragem bastante positiva com a questão do penalti e o vermelho, os dois gols anulados, assistentes muito bem ao nível de fora de jogo e por isso vou dar nota oito.
Nota oito para António Nobre na final da Taça de Portugal, que teve o resultado final de Sporting 1, Torriense 2. História feita, palcos também, como o Pedro Henriques foi dizendo ao longo da emissão, importantes para árbitros e teve também aquele elemento da árbitra jovem, Pedro, não é? Que foi fazendo algum do trabalho do quarto árbitro.
Exatamente, porque nestas finais dá-se sempre um privilégio de um árbitro homem e um árbitro mulher, portanto, masculino e feminino, que saem dos cursos dos árbitros jovens, que fazem testes e avaliações, e os mais bem classificados depois têm este momento. Uns foram à final da Taça Feminina, como vimos na semana passada, e agora mais o Dinis Vieira e a Joana Tavares a irem à final masculina da Taça de Portugal e, portanto, também é uma forma de incentivar estes árbitros, que sendo jovens, quer dizer que têm menos de 18 anos e portanto estão a dar os seus primeiros passos na carreira de arbitragem.
Pedro Henriques, está feito o último Sem Falta da temporada, no que ao futebol nacional diz respeito. Depois teremos, com certeza, compromissos mundiais. Mas de resto, vamos também ouvindo o Pedro Henriques aqui em sedes e o Campeão É, com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia. No mundo do desporto, um grande abraço. Pedro, foi feita a história. Obrigado.
Até amanhã.
