Dark Horse: produtora de filme sobre Bolsonaro ainda deve explicações à Ancine
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- A produtora brasileira Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, está sendo investigada pela Ancine por não ter comunicado nem entregue a documentação exigida para as gravações realizadas no Brasil em 2023.
- A agência abriu procedimento para determinar se a Go Up atuou como produtora principal ou apenas como contratada de empresa estrangeira, conforme normas que exigem registro e documentação para filmagens internacionais no país.
- A falta de resposta da Go Up aos ofícios da Superintendência de Fiscalização da Ancine, enviados em fevereiro e março, pode gerar multa de até R$ 100 mil.
- O longa, biografia política de Jair Bolsonaro, tem estreia prevista para setembro de 2024, e a investigação ocorre no contexto da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro.
A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, está no centro da crise envolvendo a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro e pode ser multada em até R$ 100 mil por supostas irregularidades junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Segundo informações apuradas pela agência reguladora e divulgadas pela coluna de Malu Gaspar no Globo, a empresa não teria comunicado oficialmente à Ancine sobre as gravações realizadas no Brasil no ano passado, nem apresentado até o momento a documentação exigida para produções estrangeiras filmadas em território nacional.
A Ancine informou que instaurou um procedimento de apuração para esclarecer qual foi o papel efetivo da Go Up Entertainment na realização da cinebiografia sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja estreia nos cinemas está prevista para setembro deste ano.
Produtora principal ou empresa contratada?
Entre os pontos investigados está a definição sobre a participação da produtora brasileira no projeto: a agência quer saber se a Go Up atuou como produtora principal de “Dark Horse” ou apenas como empresa contratada por uma companhia estrangeira responsável pelo longa.
Pelas normas da Ancine, qualquer filmagem internacional realizada no Brasil deve ocorrer sob responsabilidade de uma empresa registrada na agência. Cabe à produtora comunicar oficialmente a realização da obra e apresentar documentos como contrato de produção, plano de filmagem e passaportes dos profissionais estrangeiros envolvidos.
Segundo a agência, nenhum desses documentos foi entregue até agora, apesar de as gravações em São Paulo terem ganhado repercussão pública e ampla cobertura da imprensa.
A Go Up também não respondeu aos ofícios enviados pela Superintendência de Fiscalização da Ancine em fevereiro e março deste ano, antes mesmo de virem à tona áudios e mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro cobrando financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Nos documentos enviados à produtora, a Ancine notificou a empresa a “comprovar a comunicação à Ancine da produção da obra estrangeira Dark Horse”, destacando que a exigência está prevista em instrução normativa em vigor desde 2008.
Multas
O texto do ofício também alerta que, caso a irregularidade persista, a empresa poderá ser autuada e ficar sujeita a multa entre R$ 2 mil e R$ 100 mil.
A jornalista Karina Gama entrou no projeto pelas mãos do deputado federal Mário Frias, autor do roteiro de “Dark Horse”. Ela também preside o Instituto Conhecer Brasil, organização que passou a ser investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após receber R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas à produção audiovisual.
Embora tenha registro na Ancine desde 2020, o instituto nunca lançou filmes no Brasil ou no exterior, segundo informações levantadas pela reportagem.
Os milhões de Vorcaro
A polêmica envolvendo o financiamento do filme ganhou novos capítulos após reportagens do Intercept Brasil revelarem que Flávio Bolsonaro admitiu ter captado R$ 61 milhões junto a Daniel Vorcaro. Os recursos teriam sido transferidos por meio de uma empresa ligada ao banqueiro para um fundo administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro.
Nenhum dos envolvidos explicou por que foi necessária a intermediação financeira do fundo, o que levantou suspeitas de que parte do dinheiro pudesse estar sendo utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O trailer
O trailer de “Dark Horse”, divulgado na última terça-feira (19), mostra que o filme foi gravado no Brasil, possui diálogos em inglês e conta com elenco majoritariamente estrangeiro. O ator americano Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus Cristo em The Passion of the Christ, vive Jair Bolsonaro no longa.
Em avaliação preliminar, autoridades brasileiras consideram que a presença da logomarca da Go Up no início do trailer reforça a hipótese de que a empresa atuou como produtora local de uma obra estrangeira, o que enquadraria o projeto nas regras de fiscalização da Ancine.
A agência afirmou que os resultados da investigação serão divulgados publicamente após a conclusão do procedimento e destacou que adotará as medidas previstas em lei caso sejam confirmadas irregularidades.
