Tarcísio de Freitas vê apoio do PSD minguar no interior após atrito com Kassab

Tarcísio de Freitas vê apoio do PSD minguar no interior após atrito com Kassab


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  • Tarcísio de Freitas vê apoio do PSD no interior de São Paulo diminuir após atrito com Gilberto Kassab.
  • Prefeitos e deputados do PSD consideram não atuar no primeiro turno, mesmo com o apoio formal de Kassab ao governador republicano.
  • O partido pode concentrar eventual apoio apenas no segundo turno, caso a disputa se dê contra Fernando Haddad (PT).
  • O desgaste decorre da percepção de quebra de acordo na chapa de Tarcísio, que mantém Felício Ramuth, agora no MDB, e depende da máquina municipal do PSD.

Tarcísio de Freitas enfrenta um novo foco de crise na base que pode atingir sua campanha à reeleição em São Paulo em 2026. Prefeitos e deputados do PSD no interior paulista avaliam não se engajar no primeiro turno, mesmo após Gilberto Kassab declarar apoio formal ao governador do Republicanos.

A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e confirma o que a Fórum veio publicando nos últimos meses. Segundo a reportagem, integrantes do PSD ouvidos sob reserva dizem que aliados da legenda se sentem livres para decidir se vão ou não trabalhar por Tarcísio no primeiro turno. O eventual apoio ficaria concentrado em um segundo turno contra Fernando Haddad, do PT, caso a disputa se confirme.

O ponto central do desgaste é a avaliação, dentro do PSD, de que houve quebra de acordo na montagem da chapa de Tarcísio. O partido esperava ficar com a vaga de vice, inclusive com a possibilidade de Kassab ocupar o posto. O governador, no entanto, sinalizou a permanência de Felício Ramuth, que deixou o PSD e migrou para o MDB.

Tarcísio depende da máquina municipal do PSD

O problema para Tarcísio é que o PSD não é um aliado lateral em São Paulo. A legenda afirma ter elegido 206 prefeitos no estado nas eleições municipais de 2024, quase um terço dos 645 municípios paulistas.

Essa estrutura é decisiva no interior, onde prefeitos controlam redes locais de apoio, cabos eleitorais, agendas públicas e palanques regionais. Sem engajamento real do PSD, Tarcísio pode perder capilaridade justamente no território em que construiu parte importante de sua vantagem eleitoral.

Kassab nega ter orientado aliados a se omitirem. À Folha, o presidente do PSD disse que o partido foi o primeiro a declarar apoio a Tarcísio e que está percorrendo o estado para fazer a pré-campanha do governador e de Ronaldo Caiado à Presidência. Ele classificou as versões sobre boicote como “manifestações de origem maldosa ou vindas de pessoas desinformadas”.

Tarcísio sente o peso de Kassab no PSD

A crise reforça uma leitura já publicada pela Fórum: Kassab inflou o PSD, ampliou sua presença no tabuleiro da direita e passou a negociar de uma posição de força em 2026. Em fevereiro, a Fórum mostrou que o presidente nacional do PSD se movimentava entre Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e outros presidenciáveis da direita, em uma estratégia para valorizar o partido no xadrez eleitoral. A análise está em Kassab flerta com Flávio Bolsonaro e Tarcísio em nova estratégia ao inflar o PSD.

O desgaste também já havia aparecido na disputa pela vice de Tarcísio. Em março, a Fórum mostrou que a saída de Felício Ramuth do PSD para o MDB expôs o racha entre o governador e Kassab em meio à montagem da chapa para 2026. A repercussão está em Felício Ramuth abandona Kassab e expõe racha na base de Tarcísio.

Há ainda um ingrediente mais recente. Em abril, a Fórum mostrou que Kassab virou alvo de Carlos Bolsonaro após dizer que Jair Bolsonaro não tem “nenhuma vocação para a vida pública”, mas foi poupado por Tarcísio e Flávio Bolsonaro. O episódio ajuda a explicar a posição ambígua do governador diante do aliado do PSD. A matéria está em Kassab vira alvo de Carlos, mas é poupado por Tarcísio e Flávio.

PSD pode virar apoio formal sem palanque real

O risco para Tarcísio não é perder o apoio oficial do PSD, mas transformar esse apoio em uma formalidade. Na prática, uma legenda pode estar na coligação e, ainda assim, não mover prefeitos, deputados e lideranças locais com intensidade suficiente para sustentar a campanha no interior.

É esse cenário que preocupa aliados do governador. O grupo de Tarcísio já identificou apatia de prefeitos do PSD e pretende buscar engajamento por outras vias, especialmente pelo PL, que tem forte presença na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A frente bolsonarista também pressiona Tarcísio. Em fevereiro, a Fórum mostrou que o PL cobrava espaço na chapa e debochava do PSD de Kassab na disputa pela vice. A movimentação está em PL cobra Tarcísio por vaga de vice e Valdemar debocha de PSD de Kassab.

Tarcísio fica entre Kassab e Bolsonaro

A disputa expõe uma fragilidade da reeleição de Tarcísio. O governador segue competitivo, mas depende de uma coalizão heterogênea, formada por Republicanos, PSD, MDB, PL e bolsonaristas. A briga com Kassab mostra que o apoio da direita e do centro não virá sem cobrança de espaço, poder e controle sobre a chapa.

Para Kassab, a crise também serve como demonstração de força. O presidente do PSD controla uma das maiores máquinas municipais do país e sabe que, em São Paulo, a eleição estadual passa pelo interior. Para Tarcísio, o desafio é impedir que o apoio formal do PSD vire apenas assinatura em ata.




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