Em greve geral, Bolívia arde contra Paz em meio à repressão e pedido de prisão de liderança

Em greve geral, Bolívia arde contra Paz em meio à repressão e pedido de prisão de liderança


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  • Na segunda‑feira (18), milhares de manifestantes protestaram em La Paz contra o presidente Rodrigo Paz, pedindo sua renúncia.
  • A greve geral, liderada por camponeses, operários, mineiros, professores e trabalhadores do transporte, ocorre em meio à pior crise econômica da Bolívia desde os anos 1980, com inflação de 14% e fim dos subsídios aos combustíveis.
  • Bloqueios que cercam La Paz há mais de duas semanas interrompem o abastecimento de alimentos, remédios e combustíveis, e foram ampliados para ao menos 28 rodovias.
  • A polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar a marcha, enquanto apoiadores de Evo Morales intensificaram a tensão nas ruas.

A crise política na Bolívia ganhou novo capítulo nesta segunda-feira (18), com confrontos entre policiais da tropa de choque e manifestantes durante uma marcha de trabalhadores que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz, de direita.

Paz está no poder há seis meses e enfrenta uma onda de protestos liderada por camponeses, operários, mineiros, professores e trabalhadores do transporte. As mobilizações ocorrem em meio à pior crise econômica do país desde a década de 1980, agravada por inflação de 14% e pelo fim dos subsídios aos combustíveis.

Os bloqueios cercam La Paz há mais de duas semanas e já afetam o abastecimento de alimentos, remédios e combustíveis. A mobilização desta segunda levou milhares de pessoas às ruas da capital administrativa boliviana e provocou o fechamento do comércio.

A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Mineiros reagiram com pedras e explosivos. A tensão aumentou com a chegada de apoiadores do ex-presidente Evo Morales e com a ampliação dos bloqueios em estradas.

Segundo as informações divulgadas, há registros de bloqueios em pelo menos 28 pontos rodoviários. Um manifestante morreu em confrontos no sábado (16). Já a mobilização liderada pela Central Operária Boliviana fala em uma greve geral por tempo indeterminado, com mais de 70 bloqueios pelo país.

Procurador-geral pede prisão de líder da COB

Em meio à escalada dos protestos, o Ministério Público da Bolívia emitiu mandado de prisão contra Mario Argollo, secretário-executivo da Central Operária Boliviana, a COB. Ele é acusado de incitação pública ao crime, terrorismo e outros delitos.

Argollo é uma das principais lideranças das mobilizações contra o governo. Após o anúncio do mandado, afirmou que os processos judiciais não vão interromper as medidas de pressão. Segundo ele, os protestos buscam defender a economia das famílias e os recursos naturais diante das políticas do governo.

A COB denunciou perseguição judicial contra seu dirigente e criticou a repressão policial. Em nota, afirmou que, enquanto a população cobra respostas nas ruas, o governo “responde com militarização e repressão em vez de ouvir o povo”.

A marcha desta segunda partiu de El Alto em direção a La Paz e reuniu a COB, a Confederação Sindical Unificada dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia, a Federação Camponesa de La Paz Tupac Katari, os chamados Ponchos Vermelhos, além de professores e mineiros cooperativistas.

Até o momento, pelo menos 57 pessoas foram presas e ao menos quatro manifestantes morreram em ações das forças de segurança para desobstruir vias.




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