primeiro a AD, depois o CDS – Observador

primeiro a AD, depois o CDS – Observador



O empenho maior da direção do CDS é, neste momento, não ficar amarrada a nenhuma decisão. Embora se perceba das declarações dos vários protagonistas pró-Melo com quem o Observador falou que, em princípio, a decisão favorita é, para já, continuar na AD, em política tudo muda muito depressa.

Desde logo, o próprio Nuno Melo garante que o “CDS não tem medo de ir a votos”. Em caso de necessidade, claro. O líder do partido fez até questão de lembrar o momento em que o CDS foi sozinho a votos depois de ter estado coligado no Governo com o PSD. “Eu, assim, de memória, lembro um momento em que José Manuel Durão Barroso foi primeiro-ministro, sai para a Comissão Europeia, Pedro Santana Lopes é primeiro-ministro, depois cai para que seja José Sócrates e tudo isto no tempo de um ano”, lembrou.

Telmo Correia ainda alertou para outra realidade que obrigada a este estado de prontidão para eleições do partido: o próprio PSD pode não querer continuar com o CDS. “Não há coligações, como dizia o Presidente Ronald Reagan, numa frase que é famosa de um filme, it takes two for tango. E, portanto, também aqui it takes two for tango. Não haverá acordo se não houver vontade dos dois em que esse acordo exista.” O secretário de Estado da Administração Interna deu ainda, tal como Nuno Melo e Paulo Núncio, o exemplo da Madeira em que CDS e PSD foram a votos sozinhos após uma rutura, mas fizeram uma coligação pós-eleitoral. “Quando teve que ir a votos sozinho, foi. O CDS foi votos agora sozinho na Madeira e está no Governo, com os seus próprios votos”, afirmou.

O primeiro dia esteve longe de ser um passeio no parque. As intervenções da Juventude Popular no Congresso deste sábado fizeram lembrar o famoso Congresso de Lamego onde o então líder da estrutura de jovens, Francisco Rodrigues dos Santos, apresentou também uma moção alternativa à da líder Assunção Cristas e distribuiu a sua defesa por dezenas de intervenções de jotas, no púlpito, que eternizaram os trabalhos.

Neste Congresso de Alcobaça, durante toda a tarde, foram dezenas os membros da JP que passaram pelo palco para defender a moção global da estrutura, que defende que o partido vá a votos sozinho nas próximas legislativas, desligando-se da AD. Não que fossem intervenções críticas da liderança de Nuno Melo, mas antes o atirar de uma pedra para a engrenagem já corroída do CDS. E de forma insistente, para marcar o ponto.





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